Teologia Pastoral

21/09/2012 10:08

 

T. Pastoral

Como nosso alvo é falar a um grande número de pessoas denominadas “OBREIROS”, deixaremos de lado quaisquer outros grupos ou povos que tem suas bases em certas filosofias.

Vamos ocupar um pouco do nosso tempo em estudar sobre as Doutrinas Básicas e as Práticas dos Obreiros.

Vivemos num Universo cuja imensidão pressupõe um Criador Poderoso, um Universo cuja beleza, desenho e ordem apontam um sábio legislador, um Ser Supremo, Criador, estabeleceu suas leis aos homens. Aqueles que viveram segundo Suas leis puderam dar um belo testemunho, Sl 19.7-11.

Os patriarcas, os Profetas e os Sábios do Antigo Testamento, interpretaram e ensinaram essas leis, seus modos de viver e escritos, juntos com os ensinos de Cristo e dos Apóstolos, formam esta base para nós, Rm 15.14; 2 Tm 3.16,17.

“Doutrinas Básicas” tem um campo muito amplo, porém nós limitaremos a nossa jornada por esse campo, para não correr o perigo de nos perdermos nesta vastidão de campo, Rm 1.19-22.

Não adianta escrever grossos livros, ou longos sermões sobre certos pontos doutrinários, se não os vivermos.

Clemente, um dos pais da Igreja Primitiva disse: “Os gentios ao ouvirem de nossa boca os oráculos de Deus, ficaram maravilhados de sua beleza e grandeza. Mas logo, ao descobrirem que nossas obras não correspondem às palavras que falamos, mudam sua admiração em blasfêmia, afirmando que são pura ficção e engano”. Vejamos Mt 5.16 e Tg 2.12.

Estudaremos um pouco de Doutrinas Básicas para Obreiros:

É fácil escrever muitas coisas no papel, por em prática que é difícil.

Escreve-se muitos livros sobre o Espírito Santo, porém são poucos os cheios do Espírito Santo.

Oremos a Deus para que nos dê um derramamento do Espírito Santo.

Necessidade de Obreiros

Quem dá o Obreiro é Deus, Mt 9.37,38; Ef 4.11,12. O Obreiro tem que ter chamada de Deus. Mt 10.1. Exemplos: Abraão - Gn 12.1; Moisés - Ex 3.10; Arão - Hb 5.4; Gideão - Jz 6.14; Elizeu - 1 Rs 19.19; Isaias - Is 26.16.

Há muitos líderes hoje, porém os ceifeiros são poucos, a diferença é que os ceifeiros são chamados e escolhidos por Deus. a) Jo 15.16 - “o trabalho cresce”; b) At 9.15 - “prega”; c) Gl 1.1 - “a escolha não foi de homens”; d) Mc 3.13 - “o que Ele quis, não o que eu quero”; e) At 3.2-4 - “não escolhe lugar par ir”

Os obreiros escolhidos pelos homens: a) Is 56.10 - gostam de dormir; b) Ti 1.10-11 - desordenados; c) Jo 10.12-13 - são mercenários; d) Jr 6.13 - falsos; e) Jr 23.2 - dispersam os rebanhos; f) Jr 50.6 - passam de uma igreja para outra; g) Ez 34.2,3; Zc 11.17 - só querem bons salários; h) Jr 23.25 - fingem serem espirituais; i) Jr 23.11 - contaminam-se com o mundo; j) Fp 1.15 - Invejosos; l) 1 Tm 1.17 - querem ser grandes; m) 2 Tm 4.3 - causam divisões;

A escolha é que Deus quem faz, porque o homem tem a tendência de olhar a aparência. I Sm 16.6,7

Quando a escolha deve ser feita pelo homem, a Bíblia tem as bases dos qualificativos. Ex 18.21

1° - Homens capazes: 2 Rs 10.3; 2 Cr 9.13; Mt 25.15; 2 Co 3.5.

2° - Homens tementes a Deus: Is 24.14; Jr 7.2; Jó 1.1; Lc 2.31 ;O homem que teme a Deus, suas orações são ouvidas - Jo 9.31; At 10.2-31.

3° Homens de verdade: a) Deus é Deus da verdade: Dt 32.4; Jr 10.10. b) A Verdade é o escudo para o Obreiro: Sl 91.4. c) Passam gerações mas a verdade de Deus não passa: Sl 100.5. d) É o cinto do homem de verdade: Is 11.5; Ef 4.25. e) Falar a verdade: Zc 8.16; Ef 4.25. f) Seja um homem de verdade: Mc 12.14. g) Andar na verdade: 3 Jo 3.3. h) Não vendas nem que tenha um preço a pagar; compre: Pv 23.32; Gl 4.16; Jo 8.31.

4° - Que aborrecem a Avareza: Pv 20.16; Ez 33.31: a) Nossa vida não está no que possuímos: Lc 13.15; b) Está em Cristo: Cl 3.34. c) Avarento ama o dinheiro: Ec 5.10; 1 Tm 6.10. d) Devem fugir disto: Hb 13.5; 1 Tm 6.10. Hoje há muitas Igrejas sofrendo, nem tudo é resultado de uma escolha, as vezes a escolha foi boa, Mt 13.25. Por falta de vigilância é que isto acontece. O inimigo semeia o joio, Mt 13.25; At 5.3. Uma grande arma que o inimigo usa hoje é a ambição. Ambição = desejo imoderado de glória. Desejar alguma coisa boa não é pecado, 1 Tm 3.1. Pecado é ambicionar coisas altas; Mc 4.19; Rm 13.16. Exemplos: Os filhos de Zebedeu, Mc 10.38. Não sabemos pedir, mas sabemos ambicionar, queremos sempre coisas altas, Mc 10.38. A  resposta de Jesus, Mc 10.39,40; Rm 9.16. Os discípulos se indagaram. Eles tinham a mesma intenção, Mc 10.41. Jesus chamou-os e lhes deu uma lição, não é assim entre vós, Mc 10.42,43. Todos estavam interessados em promoções e posições. Jesus lhes deu a melhor promoção e posição, Mc 10.44. Ele também era um servo, Mc 10.45. Há obreiros que se julgam tão grandes, deixaram de ser servos e se tornaram “astros”. Cantores que louvam ao Senhor, tornaram-se “célebres”. Pregadores que receberam o dom da Palavra, tornaram-se “celebres”. Igrejas que têm grandes homens correm perigo. Existe um só cabeça: Cristo. Cl 1.15-18. Exemplo: 3 Jo 1.9, “Diótrefes” querem ser cabeças. Graças a Deus pelos “Demétrios” 3 Jo 1.12.

As Igrejas Precisam de Líderes

As igrejas precisam de líderes, porém, líderes que sejam:

Servos: Rm 1.1; Fp 1.1; Tg 1.1; 2 Pe 1.1; 1 Co 2.1-35; 2 Co 10.10.

Neguem-se a si mesmos: Lc 9.23

Humildades: Não confundir humildade com incompetência. At 20.18-19; Ef 4.1,2; Fp 2.3.

Sinceridade: Nada de política ou segundas intenções. 2 Co 4.1,2; 1 Ts 2.3-5; Jó 2.3-9; 27.5; 31.6

Honesto: Rm 13.13; 2 Co 8.21; Fp 4.8

Não ganâncioso: UM PERIGO: Um perigo muito grande para o Obreiro é tornar-se egoísta. O egoísta lança a culpa nos outros, ridiculariza, quer dominar, faz críticas, invade campos alheios. Se vai ao dormitório escolhe a melhor cama. No almoço quer lugar privilegiado. Em mudanças quer escolher a melhor igreja. Enfim, torna-se egoísta em tudo, e quando alguém fala alguma coisa, costuma usar a expressão: “Não toqueis nos meus ungidos”. Exemplos: Os Pastores de Gerar. Gn 26.18-25; Fp 2.3-9; Mt 20.25-28; Jo 3.26-30. Quando um Obreiro trabalha para fazer um nome para si, o nome mais bem empregado para esse tal é “Babe”. Sua igreja torna-se uma Babilônia. Leiamos Gn 11.4-9. Temos um exemplo bíblico muito importante do Obreiro servo que trabalha para ganhar nome ou elogios. Este servo chamava-se Geazi. Leiamos sua história: 2 Rs 4.8-37. 1°) Foi Geazi que chamou a mulher. 2°) Foi Geazi quem lembrou a Elizeu que ela não tinha filhos.É um grande privilégio trabalhar ao lado de um grande profeta, é uma posição que traz grandes tentações. v. 27 - Geazi quis arrancar  a mulher que estava prostrada aos pés do profeta. V. 29 - Geazi volta em cena novamente. V. 36 - Geazi deu as boas novas. V. 37 - A mulher prostrou-se aos pés do profeta. A Geazi nem um tapinha nos ombros. Geazi havia feito exatamente o que lhes haviam mandado fazer Lc 17.10; 2 Rs 4.38-41. CONSIDEREMOS: a) Fome, Mc 6.35,36; b) Dá-lhes de comer, Mt 14.16; c) Tipo de comida, Jo 6.50,51; d) Alimentando ou matando, Jo 6.49; 1 Pe 2.2; e) Doutrina antídoto, Dt 32.2; Jo 7.7-17; Ti 2.1.  Grande é o perigo quando o servo é ganancioso, 2 Rs 5.20-27. Cuidado com a ganância! 1 Tm 3.3-8; Ti 1.7-11; 1 Pe 5.2. Geazi recebeu os presentes mas ficou também com a lepra, 1 Co 15.58. Não precisamos ser gananciosos. O Senhor dará a recompensa. Para aqueles que querem ser grandes, aqueles que queriam assentar-se à direita, Jesus lhes deu uma grande lição. Jo 13.13-17.  “Dei um exemplo para vocês estudarem nos domingos”; “Dei um exemplo para que vocês formem grupos e meditem”; “Deis um exemplo para que vocês memorizem e recitem estas palavras”; “Dei um exemplo para que aquilo que eu fiz, façais vós também...”Mt 7.24. Não precisamos ambicionar coisas altas, ser egoístas, mas ser altruísta. Rm 12.10-13; 2 Co 4.5; 2 Co 5.14-15; Gl 5.13; Hb 10.24.

Dons Ministeriais para a Igreja

Ef 4.11 “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”.

O Doador

Este versículo alista os dons de ministério (i.e., líderes espirituais dotados de dons) que Cristo deu à igreja. Paulo declara que Ele deu esses dons:

Para preparar o povo de Deus ao trabalho cristão (4.12) e

Para o crescimento e desenvolvimento espirituais do corpo de Cristo, segundo o plano de Deus (4.13-16).

Apóstolos

título “apóstolo” se aplica a certos líderes cristãos no NT. O verbo apostello significa enviar alguém em missão especial como mensageiro e representante pessoal de quem o envia. O título é usado para Cristo (Hb 3.1), os doze discípulos escolhidos por Jesus (Mt 10.2), o apóstolo Paulo (Rm 1.1; 2Co 1.1; Gl 1.1) e outros (At 14.4,14; Rm 16.7; Gl 1.19; 2.8,9; 1Ts 2.6,7).

O termo “apóstolo” era usado no NT em sentido geral, para um representante designado por uma igreja, como, por exemplo, os primeiros missionários cristãos. Logo, no NT o termo se refere a um mensageiro nomeado e enviado como missionário ou para alguma outra responsabilidade especial (ver At 14.4,14; Rm 16.7; cf. 2Co 8.23; Fp 2.25). Eram homens de reconhecida e destacada liderança espiritual, ungidos com poder para defrontar-se com os poderes das trevas e confirmar o Evangelho com milagres. Cuidavam do estabelecimento de igrejas segundo a verdade e pureza apostólicas. Eram servos itinerantes que arriscavam suas vidas em favor do nome de nosso Senhor Jesus Cristo e da propagação do evangelho (At 11.21-26; 13.50; 14.19-22; 15.25,26). Eram homens de fé e de oração, cheios do Espírito (ver At 11.23-25; 13.2-5,46-52; 14.1-7,21-23).

Apóstolos, no sentido geral, continuam sendo essenciais para o propósito de Deus na igreja. Se as igrejas cessarem de enviar pessoas assim, cheias do Espírito Santo, a propagação do evangelho em todo o mundo ficará estagnada. Por outro lado, enquanto a igreja produzir e enviar tais pessoas, cumprirá a sua tarefa missionária e permanecerá fiel à grande comissão do Senhor (Mt 28.18-20).

O termo “apóstolo” também é usado no NT em sentido especial, em referência àqueles que viram Jesus após a sua ressurreição e que foram pessoalmente comissionados por Ele a pregar o evangelho e estabelecer a igreja (e.g., os doze discípulos e Paulo). Tinham autoridade ímpar na igreja, no tocante à revelação divina e à mensagem original do evangelho, como ninguém mais até hoje (ver 2.20). O ministério de apóstolo nesse sentido restrito é exclusivo, e dele não há repetição. Os apóstolos originais do NT não têm sucessores (ver 1Co 15.8).

Profetas

Os profetas eram homens que falavam sob o impulso direto do Espírito Santo, e cuja motivação e interesse principais eram a vida espiritual e pureza da igreja. Sob o novo concerto, foram levantados pelo Espírito Santo e revestidos pelo seu poder para trazerem uma mensagem da parte de Deus ao seu povo (At 2.17; 4.8; 21.4).

O ministério profético do AT ajuda-nos a compreender o do NT. A missão principal dos profetas do AT era transmitir a mensagem divina através do Espírito, para encorajar o povo de Deus a permanecer fiel, conforme os preceitos da antiga aliança. Às vezes eles também prediziam o futuro conforme o Espírito lhes revelava. Cristo e os apóstolos são um exemplo do ideal do AT (At 3.22,23; 13.1,2).

A função do profeta na igreja incluía o seguinte: (a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar, exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1Co 12.10; 14.3). (b) Devia exercer o dom de profecia. (c) Às vezes, ele era vidente (cf. 1Cr 29.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). (d) Era dever do profeta do NT, assim como para o do AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17). Por causa da sua mensagem de justiça, o profeta pode esperar ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia.

O caráter, a solicitude espiritual, o desejo e a capacidade do profeta incluem: (a) zelo pela pureza da igreja (Jo 17.15-17; 1Co 6.9-11; Gl 5.22-25); (b) profunda sensibilidade diante do mal e a capacidade de identificar e detestar a iniqüidade (Rm 12.9; Hb 1.9); (c) profunda compreensão do perigo dos falsos ensinos (Mt 7.15; 24.11,24; Gl 1.9; 2Co 11.12-15); (d) dependência contínua da Palavra de Deus para validar sua mensagem (Lc 4.17-19; 1Co 15.3,4; 2Tm 3.16; 1Pe 4.11); (e) interesse pelo sucesso espiritual do reino de Deus e identificação com os sentimentos de Deus (cf. Mt 21.11-13; 23.37; Lc 13.34; Jo 2.14-17; At 20.27-31).

A mensagem do profeta atual não deve ser considerada infalível. Ela está sujeita ao julgamento da igreja, doutros profetas e da Palavra de Deus. A congregação tem o dever de discernir e julgar o conteúdo da mensagem profética, se ela é de Deus (1Co 14.29-33; 1Jo 4.1).

Os profetas continuam sendo imprescindíveis ao propósito de Deus para a igreja. A igreja que rejeitar os profetas de Deus caminhará para a decadência, desviando-se para o mundanismo e o liberalimo quanto aos ensinos da Bíblia (1Co 14.3; cf. Mt 23.31-38; Lc 11.49; At 7.51,52). Se ao profeta não for permitido trazer a mensagem de repreensão e de advertência denunciando o pecado e a injustiça (Jo 16.8-11), então a igreja já não será o lugar onde se possa ouvir a voz do Espírito. A política eclesiástica e a direção humana tomarão o lugar do Espírito (2Tm 3.1-9; 4.3-5; 2Pe 2.1-3,12-22). Por outro lado, a igreja com os seus dirigentes, tendo a mensagem dos profetas de Deus, será impulsionada à renovação espiritual. O pecado será abandonado, a presença e a santidade do Espírito serão evidentes entre os fiéis (1Co 14.3; 1Ts 5.19-21; Ap 3.20-22).

Evangelistas

No NT, evangelistas eram homens de Deus, capacitados e comissionados por Deus para anunciar o evangelho, i.e., as boas novas da salvação aos perdidos e ajudar a estabelecer uma nova obra numa localidade. A proclamação do evangelho reúne em si a oferta e o poder da salvação (Rm 1.16).

Filipe, o “evangelista” (At 21.8), claramente retrata a obra deste ministério, segundo o padrão do NT. (a) Filipe pregou o evangelho de Cristo (At 8. 4, 5, 35). (b) Muitos foram salvos e batizados em água (At 8.6,12). (c) Sinais, milagres, curas e libertação de espíritos malignos acompanhavam as suas pregações (At 8.6, 7, 13). (d) Os novos convertidos recebiam a plenitude do Espírito Santo (At 8.14-17).

O evangelista é essencial no propósito de Deus para a igreja. A igreja que deixar de apoiar e promover o ministério de evangelista cessará de ganhar convertidos segundo o desejo de Deus. Tornar-se-á uma igreja estática, sem crescimento e indiferente à obra missionária. A igreja que reconhece o dom espiritual de evangelista e tem amor intenso pelos perdidos, proclamará a mensagem da salvação com poder convincente e redentor (At 2.14-41).

Pastores

Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também são chamados “presbíteros” (At 20.17; Tt 1.5) e “bispos” ou supervisores (1Tm 3.1; Tt 1.7).

A tarefa do pastor é cuidar da sã doutrina, refutar a heresia (Tt 1.9-11), ensinar a Palavra de Deus e exercer a direção da igreja local (1Ts 5.12; 1Tm 3.1-5), ser um exemplo da pureza e da sã doutrina (Tt 2.7,8), e esforçar-se no sentido de que todos os crentes permaneçam na graça divina (Hb 12.15; 13.17; 1Pe 5.2). Sua tarefa é assim descrita em At 20.28-31: salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres que surgem dentro da igreja. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.11-16; 1Pe 2.25; 5.2-4).

Segundo o NT, uma igreja local era dirigida por um grupo de pastores (At 20.28; Fp 1.1). Os pastores eram escolhidos, não por política, mas segundo a sabedoria do Espírito concedida à igreja enquanto eram examinadas as qualificações espirituais do candidato.

O pastor é essencial ao propósito de Deus para sua igreja. A igreja que deixar de selecionar pastores piedosos e fiéis não será pastoreada segundo a mente do Espírito (ver 1Tm 3.1-7). Será uma igreja vulnerável às forças destrutivas de Satanás e do mundo (ver At 20.28-31). Haverá distorção da Palavra de Deus, e os padrões do evangelho serão abandonados (2Tm 1.13,14). Membros da igreja e seus familiares não serão doutrinados conforme o propósito de Deus (1Tm 4.6,14-16; 6.20,21). Muitos se desviarão da verdade e se voltarão às fábulas (2Tm 4.4). Se, por outro lado, os pastores forem piedosos, os crentes serão nutridos com as palavras da fé e da sã doutrina, e também disciplinados segundo o propósito da piedade (1Tm 4.6,7).

Doutores ou Mestres

Os mestres são aqueles que têm de Deus um dom especial para esclarecer, expor e proclamar a Palavra de Deus, a fim de edificar o corpo de Cristo (4.12).

A missão dos mestres bíblicos é defender e preservar, mediante a ajuda do Espírito Santo, o evangelho que lhes foi confiado (2Tm 1.11-14). Têm o dever de fielmente conduzir a igreja à revelação bíblica e à mensagem original de Cristo e dos apóstolos, e nisto perseverar.

O propósito principal do ensino bíblico é preservar a verdade e produzir santidade, levando o corpo de Cristo a um compromisso inarredável com o modo piedoso de vida segundo a Palavra de Deus. As Escrituras declaram em 1 Tm 1.5 que o alvo da instrução cristã (literalmente “mandamento”) é a “caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida” (1Tm 1.5). Logo, a evidência da aprendizagem cristã não é simplesmente aquilo que a pessoa sabe, mas como ela vive, i.e., a manifestação, na sua vida, do amor, da pureza, da fé e da piedade sincera.

Os mestres são essenciais ao propósito de Deus para a igreja. A igreja que rejeita, ou se descuida do ensino dos mestres e teólogos consagrados e fiéis à revelação bíblica, não se preocupará pela autenticidade e qualidade da mensagem bíblica nem pela interpretação correta dos ensinos bíblicos. A igreja onde mestres e teólogos estão calados não terá firmeza na verdade. Tal igreja aceitará inovações doutrinárias sem objeção; e nela, as práticas religiosas e idéias humanas serão de fato o guia no que tange à doutrina, padrões e práticas dessa igreja, quando deveria ser a verdade bíblica.Por outro lado, a igreja que acata os mestres e teólogos piedosos e aprovados terá seus ensinos, trabalhos e práticas regidos pelos princípios originais e fundamentais do evangelho. Princípios e práticas falsos serão desmascarados, e a pureza da mensagem original de Cristo será conhecida de seus membros. A inspirada Palavra de Deus deve ser o teste de todo ensino, idéia e prática da igreja. Assim sendo, a igreja verá que a Palavra inspirada de Deus é a suprema autoridade, e, por isso, está acima das igrejas e suas instituições.

Qualificativos Básicos para o Obreiro

Observemos três qualitativos básicos para o Obreiro:

Dar - 2 Co 8.1-15: Paulo não mandou fazer placas de bronze. A) Assistência Social, 2 Tm 1.16-17; Rm 12.13.; b) Assistência Espiritual; 1 Pe 5.1-4. c) Missão; At 1.8; At 5.42; At 20.20

Perdoar - Sl 103.1-5,10,12: Na vida prática, Ef 4.31,32; Mt 5.23;24.4. a) Parar: Deixa tua oferta. b) Ir: Vai a teu irmão c) Reconciliar: Reconcilia-te com ele. d) Voltar: Fazei a tua oferta. Mt 18.21; 33.35. Exemplo: Fm vs. 15 e 19. Falta de perdão é uma das causas das muitas divisões.

Esquecer - Fp 3.12-14: Três fatores importantes na vida do Obreiro: a) Ainda não cheguei lá, v. 12 (Sabe tudo). b) Esqueço o que para trás ficar, v. 13; Gn 41.51. c) Prossigo para o alvo, v.14. Não se assemelha aos fariseus, Mt 6.8; Mt 5.21-44

Jesus repetiu 6 vezes estas frases, v. 21 Ouviste o que foi dito aos antigos, v 22. Eu porém vos digo. Mt 5.45 “a”. Consideremos que privilégio gozamos da parte de Deus para nós. Fomos chamados duas vezes: 1) Fomos chamados das trevas para a luz. 2) Fomos chamados para servir ou trabalhar na obra do Senhor. Como obreiros precisamos estar preparados para servir: À Igreja; Ao próximo; Ao Pai Celestial.

Conhecer e ensinar a sã doutrina: Timóteo ficou em Éfeso para corrigir heresias propagadas por falsos mestres - 1 Tm 1.3-6. Ensinar é uma grande responsabilidade, Tg 3.1. O ensino errado, é como o remédio errado para o doente, Pv 12.18; 13.14.

O Obreiro precisa reconhecer sua pequenez e a grandeza de Deus: 1 Co 15.9 - 10; Fp 2.3. Deve ser um bom soldado de Cristo, 2 Tm 2.3. Que recebeu poder para lutar. 2 Tm 2.6-8. Precisa revestir-se de toda a armadura de Deus, 2 Co 10.3,4; Ef 6.10-17. Precisa ser um homem de oração, 1 Tm 2.1; 3.8; Ef 6.18; 2 Tm 1.3.

Deve ser preparado: 2 Co 5.5; 2 Tm 2.21. Deve começar no lar, 2 Tm 1.5; 1 Tm 3.4-5. Deve ser corajoso, não covarde, 2 Tm 1.7; Dt 31.6; Jz 7.3. Deve ser sofredor, 2 Tm 2.9-12; 3.12; Cl 1.24; Fp 4.13.

Deve ser um homem de fé: É o escudo do Obreiro, Ef 6.16. É o firme fundamento, Hb 11.1-6. Deve andar por fé, 2 Co 5.7. Por ela nós somos vencedores, 1 Jo 5.4; Hb 11.33-34.

O obreiro tem que ser um homem frutífero: Gn 49 22-24. Foi uma das cinco ordens que Adão recebeu, Gn 1.28. (Comp. Is 53.11). Dar frutos é a prova que estamos nEle, Jo 15.4-5. O Pai é glorificado, Jo 15.8. Só é discípulo de Jesus quem produz frutos, Mt 28.19-20; Mc 16.15; Jo 15.5. Um alerta aos infrutíferos, Mt 21.19; Lc 13.6-8; 2 Re 2.19-21 Voltemos a Is 53.11.

Aparência: A aparência de um Ministro é indispensável à sua conduta e trabalho.

No dia do exame devem estar trajados à rigor: com terno e gravata como se fossem pregar.

Os pastores e seus deveres

At 20.28 “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”

Nenhuma igreja poderá funcionar sem dirigentes para dela cuidar. Logo, conforme 14.23, a congregação local, cheia do Espírito, buscando a direção de Deus em oração e jejum, elegiam certos irmãos para o cargo de presbítero ou bispo de acordo com as qualificações espirituais estabelecidas pelo Espírito Santo em 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9 (VER O ESTUDO: QUALIFICAÇÕES MORAIS DO PASTOR). Na realidade é o Espírito que constitui o dirigente de igreja. O discurso de Paulo diante dos presbíteros de Éfeso (20.17-35) é um trecho básico quanto a princípios bíblicos sobre o exercício do ministério de pastor de uma igreja local.

Propagando a Fé

Um dos deveres principais do dirigente é alimentar as ovelhas mediante o ensino da Palavra de Deus. Ele deve ter sempre em mente que o rebanho que lhe foi entregue é a congregação de Deus, que Ele comprou para si com o sangue precioso do seu Filho amado (cf. 20.28; 1Co 6.20; 1Pe 1.18,19; Ap 5.9).

Em 20.19-27, Paulo descreve de que maneira serviu como pastor da igreja de Éfeso; tornou patente toda a vontade de Deus, advertindo e ensinando fielmente os cristãos Ef (20.27). Daí, ele poder exclamar: “estou limpo do sangue de todos” (20.26; ver). Os pastores de nossos dias também devem instruir suas igrejas em todo o desígnio de Deus. Que “pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2) e nunca ministrar para agradar os ouvintes, dizendo apenas aquilo que estes desejam ouvir (2Tm 4.3).

Guardando a Fé

Além de alimentar o rebanho de Deus, o verdadeiro pastor deve diligentemente resguardá-lo de seus inimigos. Paulo sabe que no futuro Satanás levantará falsos mestres dentro da própria igreja, e, também, falsários vindos de fora, infiltrar-se-ão e atingirão o rebanho com doutrinas antibíblicas, conceitos mundanos e idéias pagãs e humanistas. Os ensinos e a influência destes dois tipos de elementos arruinarão a fé bíblica do povo de Deus (VER O ESTUDO: FALSOS MESTRES). Paulo os chama de “lobos cruéis”, indicando que são fortes, difíceis de subjugar, insaciáveis e perigosos (ver 20.29: cf. Mt 10.16). Tais indivíduos desviarão as pessoas dos ensinos de Cristo e os atrairão a si mesmos e ao seu evangelho distorcido. O apelo veemente de Paulo (20.28-31) impõe uma solene obrigação sobre todos os obreiros da igreja, no sentido de defendê-la e opôr-se aos que distorcem a revelação original e fundamental da fé, segundo o NT.

A igreja verdadeira consiste somente daqueles que, pela graça de Deus e pela comunhão do Espírito Santo, são fiéis ao Senhor Jesus Cristo e à Palavra de Deus (VER O ESTUDO: A INSPIRAÇÃO E A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS). Por isso, é de grande importância na preservação da pureza da igreja de Deus que os seus pastores mantenham a disciplina corretiva com amor (Ef 4.15), e reprovem com firmeza (2Tm 4.1-4; Tt 1.9-11) quem na igreja fale coisas perversas contrárias à Palavra de Deus e ao testemunho apostólico (20.30).

Líderes eclesiásticos, pastores de igrejas locais e dirigentes administrativos da obra devem lembrar-se de que o Senhor Jesus os têm como responsáveis pelo sangue de todos os que estão sob seus cuidados (20.26,27; cf. Ez 3.20,21). Se o dirigente deixar de ensinar e pôr em prática todo o conselho de Deus para a igreja (20.27), principalmente quanto à vigilância sobre o rebanho (20.28), não estará “limpo do sangue de todos” (20.26, ver: cf. Ez 34.1-10). Deus o terá por culpado do sangue dos que se perderem, por ter ele deixado de proteger o rebanho contra os falsificadores da Palavra (ver também 2Tm 1.14: Ap 2.2).

É altamente importante que os responsáveis pela direção da igreja mantenham a ordem quanto a assuntos teológicos doutrinários e morais na mesma. A pureza da doutrina bíblica e de vida cristã deve ser zelosamente mantida nas faculdades evangélicas, institutos bíblicos, seminários, editoras e demais segmentos administrativos da igreja (2Tm 1.13,14).

A questão principal aqui é nossa atitude para com as Escrituras divinamente inspiradas, que Paulo chama a “palavra da sua graça” (20.32). Falsos mestres, pastores e líderes tentarão enfraquecer a autoridade da Bíblia através de seus ensinos corrompidos e princípios antibíblicos. Ao rejeitarem a autoridade absoluta da Palavra de Deus, negam que a Bíblia é verdadeira e fidedigna em tudo que ela ensina (20.28-31; ver Gl 1.6: 1Tm 4.1; 2Tm 3.8). A bem da igreja de Deus, tais pessoas devem ser excluídas da comunhão (2Jo 9-11; ver Gl 1.9).

A igreja que perde o zelo ardente do Espírito Santo pela sua pureza (20.18-35), que se recusa a tomar posição firme em prol da verdade e que se omite em disciplinar os que minam a autoridade da Palavra de Deus, logo deixará de existir como igreja neotestamentária (ver 12.5: VER O ESTUDO: A IGREJA).

 

Qualificações Morais do Pastor

1Tm 3.1,2 “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.”

Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1). É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministerais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de Cristo em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação. (a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a Cristo e ao evangelho (4.12,15). (b) O povo de Deus deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de Deus, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

Conseqüentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4: Lv 10.2: 21.7,17 notas; Nm 20.12: 1Sm 2.23: Jr 23.14: 29.23).

A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa. Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos. (a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo, requer padrões espirituais muito mais altos. (b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3). Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de Deus blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por Deus para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

Liderança Cristã

Definições

A Sociedade: A sociedade, seja ela qual for, é conduzida através do tempo e da história, de modo consciente ou inconsciente, por líderes que lideram os mais diferentes tipos de grupos de pessoas.

Liderança secular: É a capacidade do líder inspirar confiança, influenciar, motivar, e dirigir pessoas, empreendimentos, comunidades, instituições, e nações

Líder Secular: É um Especialista em trabalhar com pessoas, dirigindo-as com a participação espontânea do grupo.

Liderar é, a um só tempo, planejar, organizar, dirigir, coordenar, controlar e Avaliar.

Planejar: Tem a ver com o trabalho do líder, em geral, como um todo. É a função administrativa de prever e programar o trabalho, de modo generalizado. Em resumo: Planejar é estabelecer alvos realistas

Organizar: Tem a ver com o templo disponível do líder. É consoante o tempo disponível, que o líder agrupa recursos e fatores necessários aos planos já feitos. “Deus não é Deus de desorganização” (1 Co 14.33, literalmente)

Dirigir ou comandar: Tem a ver com pessoas. É conduzir a organização, tomando decisões e controlando a execução de tarefas, e motivando as pessoas à ação. O comando pode ser feito: Pelo exemplo; pela capacidade; pela experiência; pela dedicação ao povo e ao trabalho.

Coordenar: Tem a ver com a integração das tarefas, visando a realização do trabalho como um todo. Coordenar, em liderança, é equilibrar a ação administrativa do líder

Controlar: É racionalizar, regular, e, regulamentar as atividades, os desvios e distorções que podem ocorrer na função administrativa.

Avaliar: Tem a ver com resultados. É a função administrativa de verificar os resultados, de acordo com as normas existentes e os padrões estabelecidos.

Liderança Cristã: É a liderança exercida pelo cristão. Ez 22.30. Aqui Deus disse: “E busquei dentre eles um homem.” Isto é, um homem para liderar. (Infelizmente o Inimigo, por sua vez, também usa homens). Em 1 Sm 17.10 Golias, um tipo do Inimigo, bradou aos israelitas: “Dai-me um homem.”. (a) Liderança Cristã no lar; na família (Gn 18.19; Et 1.22). (b) Liderança Cristã na administração da igreja (At 20.28; Tt 1.5) Cf. a liderança de Moisés, Paulo, Tito. (c) Liderança cristã no ministério (At 15.13 - Tiago; 20.17 - Paulo). (d) Liderança cristã no pastorado, junto ao rebanho do Senhor (Jo 21.16 - Pedro; 2 Jo 10 - João). (e) Liderança cristã no ensino da Palavra. Exemplo: Os levitas (Ne 8.7,8); Paulo (1 Tm 2.7); Apolo (At 18. 24,25,28). (f) Liderança cristã nas instituições eclesiásticas e para-eclesiásticas. (g) Liderança cristã na literatura evangélica. Exemplo: Moisés, Salomão, Paulo, Lucas, João. (h) Liderança Cristã na juventude evangélica. Líderes jovens: José, Josué, Davi, Samuel, Daniel, Timóteo. Ver 1 Tm 4.12: “Ninguém te despreze porque tu és um jovem” (literalmente). (h) Liderança cristã na música; no louvor e na adoração ao Senhor. Exemplo: Davi, Hemã, Asafe, Etã. Ver 1 Cr 25.1-5. (i) Liderança cristã na ciência. Exemplo: Salomão (1 Rs 4.29-34). (j) Liderança cristã nas artes. Exemplo: Bezaleel, Aolíabe, Davi. (k) Liderança cristã na política. Exemplo: José, Davi, Isaías, Daniel (Ver Sl 78.72 - Davi).

Líder Cristão: É a pessoa que Deus escolhe, dirige e capacita para administrar a Sua obra (instituições e atividades), e o seu povo (conduzindo-os como pessoas) Exemplo: Gideão (Jz 6)

O termo “líder”: Este termo entrou no vocabulário da língua portuguesa a partir da década de 1950. Na Bíblia o termo aparece, mas é traduzido por outras palavras, uma vez que o vocábulo “líder’ é de uso bem recente.

Principais passagens da Bíblia sobre “líder” e “liderança”: Mc 10.44 “o primeiro” = líder. Ex 18.21,25. 1 Sm 12.2. Aqui vemos que o líder autêntico sabe fazer, e por isso vai à frente. Jo 10.4 “O bom pastor vai à frente de suas ovelhas”. Aí está um quadro autêntico de liderança. 2 Sm 5.2 O Senhor disse a Davi: “Tu serás chefe sobre Israel”. “Chefe” aí é literalmente ‘líder”. A Santíssima Trindade e a liderança: O Pai (Sl 80.1 - “Tu guias a José como a um rebanho”) - “Guias” = liderar no original. O Filho (Is 55.4). Aqui o Filho é profeticamente chamado “Príncipe dos povos”. “Príncipe” é no original nagib = líder. O Espírito Santo (Jo 16.13 - “Ele vos guiará em toda a verdade”. “Guiará” é literalmente “conduzir” ao longo do caminho.

Formas de liderança (no campo secular):

Liderança Carismática: Esta forma de liderança concentra-se numa pessoa-ídolo; uma espécie de “vítima” ou herói. Tal líder passa a ser tido como de origem fora do comum; quase um “sobrenatural”. Esse líder surge nas crises da nação e do povo. Sob tal líder, o povo muda sua linha de raciocínio de um instante para outro.

Liderança Reformista: Esta liderança concentra-se em promessas, esperanças e anseios do povo. Ë uma liderança hostil, agressiva, destruidora. Geralmente o líder é muito persuasivo. Nessa forma de liderança ocorre mudança de instituições, de governo e de organização social.

Liderança Coercitiva: É uma forma de liderança fixa e totalitária. Usa a força como dinâmica. É monopolista.

Liderança Autêntica: É a habilidade de organização, e a capacidade de mobilização de forças e recursos para o bem comum. Esta forma de liderança é pacífica, benéfica, progressiva, espontânea e transitória (enquanto a liderança coercitiva é fixa, como já vimos).

A liderança na Bíblia: Principais livros da Bíblia sobre liderança: êxodo; Números, Josué, 2 Samuel, 1 Crônicas, Neemias, Filipenses, Tito.

Tipos Gerais de Líderes e de Liderança

Líder Autocrático: É apenas um chefe, só faz dar ordens. Preocupa-se somente em impor a sua vontade. “Lidera” pela sua autoridade. Usa a coação e não a persuasão junto ao seu povo. A Palavra de Deus adverte: “Não como tendo domínio sobre a herança de Deus” (1 Pe 5.3).

Líder Autêntico (ou democrático): Esse é primeiro, líder, e também chefe. Lidera pela capacidade, pelas qualidades de liderança pela influência. Preocupação com a cooperação do grupo. Usa a persuasão e não a coação, junto a seus liderados. A Ordem de comando: O Chefe diz: “Faça!” O ditador diz: “Faça agora!” O Líder diz: “Façamos!”

Bons líderes da Bíblia

Abraão, José, Moisés, Josué, Gideão, Samuel, Davi, Neemias, Jeremias, Ezequiel, Isaías, Daniel, Os Apóstolos de Jesus, Paulo

Crise de liderança bíblica e cristã, na igreja atualmente

Carência de líderes cristãos autênticos

Líderes despreparados, fracos, maus, defasados, ultrapassados, nulos, imaturos, falsos.

Qualidade de um bom líder cristão

Fé bíblica em Deus: Essa é uma qualidade de fé comum a todos os autênticos líderes (ver Hb 11).

Capacitação divina do líder: Mt 4.19 “Vinde a mim, e eu vos farei pescadores de homens”. At 1.8 “Recebereis a virtude do Espírito Santo (...) e ser-me-eis testemunhas”.

A unção divina sobre o líder: A unção divina muda a vida da pessoa; cf. Saul (1 Sm 10.9). Os líderes de Deus do Antigo testamento: profetas, sacerdotes e reis eram ungidos. Cf. Os dons do Espírito Santo relacionados à liderança cristã, em Rm 12.8 “O que preside”; 1 Ts 5.12 “Os que presidem sobre vós no Senhor. 1 Co 12.28 “Governos” (literalmente); cf. a forma plural “governos”. At 20.28 “Bispos” constituídos pelo Espírito Santo para apascentar a igreja de Deus.

Caráter íntegro: Caráter é o modo de ser, de sentir, de viver, de proceder de uma pessoa. O caráter está profundamente ligado à santificação e à fidelidade do líder cristão.

Humildade (Mt 23.11; Mc 10.43): Jesus à caminho da glória passou pelo lava-pés dos discípulos, pelo Getsemâni e pelo Calvário. Jesus é visto como Rei, em Jo 12, e a seguir, como servo em Jo 13.

A autodisciplina do líder (Autodomínio): O Líder, antes de liderar os outros, deve liderar a si mesmo!!! 1 Co 9.25-27 - A autodisciplina do corpo. 1 Sm 16.6 - A autodisciplina do coração, dos sentimentos. 2 Co 10.5 - A autodisciplina da mente, do pensamento. Ver Gl 5.22b “temperança” através do Espírito Santo.

Obediência (Hb 5.8): A obediência não nos é comunicada, nem transferida; é aprendida na escola do dever; da responsabilidade. O líder antes de começar a mandar, deve primeiro ser obediente. Quem não é disciplinado na obediência, não deve dirigir nem comandar. O líder que não sabe obedecer, e que não quer obedecer, nunca será um bom líder. Obediência a Deus; à Palavra de Deus, à direção do Espírito Santo; aos líderes superior. Há obreiros e líderes que só obedecem enquanto são pequenos, iniciantes e auxiliares. À medida que vão subindo, tornam-se indisciplinados e desobedientes.

Maturidade social e espiritual do Líder (Ec 10.16; 1 Tm 3.6): O fracasso de muitos líderes novatos (ou daqueles que nunca amadurecem) está relacionado a esta qualidade.

Charles Spurgeon e as qualidades de liderança do obreiro. O obreiro deve ser:

A força do boi; a tenacidade do buldogue, a coragem do leão; a operosidade da abelha; a visão da águia; a docilidade do cordeiro; a atenção do sentinela; a previdência da formiga; o couro do rinoceronte; a prontidão do anjo; a lealdade do mordomo; o heroísmo do mártir; a fidelidade do profeta; e o amor do pastor de ovelhas.

Fundamentos da Liderança Cristã

A chamada divina do líder cristão: Se não foi chamado por Deus, nunca será um líder.

Servir devotadamente ao seu povo: O líder, antes de foi chamado para servir e não para ser servido

Ser organizado; ter organização: Pv 24.27 - O líder deve ser uma pessoa organizada. A organização na vida do líder começa pelo seu planejamento organizado.

Comunicação constante: Há líderes que se isolam, o que muito prejudica a eles, aos seus liderados, e à obra que ele está realizando. Coisas que ajudam o líder a comunicar-se: Seu domínio da língua pátria; Sua imaginação fértil, sadia, inspirada, vigorosa; Sua facilidade de expressão oral e escrita. Paulo, o líder, comunicava-se constantemente, falando e escrevendo. Sua maneira de emitir a voz (tonalidade, clareza, inflexão, modulação, expressão corporal - especialmente a facial, e o ritmo das palavras).

O exemplo do líder: O que o líder faz é mais importante do que aquilo que ele diz. O exemplo do líder na assiduidade; na pontualidade; na conduta; na direção da obra; na renúncia; na dedicação; na retidão em tudo. Sem um tal exemplo; você não é um líder; é antes uma pedra de tropeço.

A capacitação do líder cristão: Os liderados pelo líder (Hb 13.17; 1 Ts 5.12). Como os liderados podem ajudar o seu líder. Sinais de um bom Líder. Sinais de um mau Líder; Um Líder Negativo. A Influência do Líder. Críticas ao Líder. Mulheres Líderes. Perigos e Tentações do Líder. Reflexões finais sobre liderança cristã.

Falsos Mestres

Mc 13.22: “Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos”;.

Descrição

crente da atualidade precisa estar informado de que pode haver, nas igrejas, diversos obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de Deus, nos dias de Jesus (Mt 24.11,24). Jesus adverte, aqui, que nem toda pessoa que professa a Cristo é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser.

Esses obreiros “exteriormente pareceis justos aos homens” (Mt 23.28). Aparecem “vestidos como ovelhas” (Mt 7.15). Podem até ter uma mensagem firmemente baseada na Palavra de Deus e expor altos padrões de retidão. Podem parecer sinceramente empenhados na obra de Deus e no seu reino, demonstrar grande interesse pela salvação dos perdidos e professar amor a todas as pessoas. Parecerão ser grandes ministros de Deus, líderes espirituais de renome, ungidos pelo Espírito Santo. Poderão realizar milagres, ter grande sucesso e multidões de seguidores (ver Mt 7.21-23 notas; 24.11,24; 2Co 11.13-15).

Todavia, esses homens são semelhantes aos falsos profetas dos tempos antigos (ver Dt 13.3: 1Rs 18.40: Ne 6.12: Jr 14.14: Os 4.15: VER O ESTUDO: O PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO), e aos fariseus do NT. Longe das multidões, na sua vida em particular, os fariseus entregavam-se à “rapina e de iniqüidade” (Mt 23.25), “cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27), “cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mt 23.28). Sua vida na intimidade é marcada por cobiça carnal, imoralidade, adultério, ganância e satisfação dos seus desejos egoístas.

De duas maneiras, esses impostores conseguem uma posição de influência na igreja.

Alguns falsos mestres e pregadores iniciam seu ministério com sinceridade, veracidade, pureza e genuína fé em Cristo. Mais tarde, por causa do seu orgulho e desejos imorais, sua dedicação pessoal e amor a Cristo desaparecem lentamente. Em decorrência disso, apartam-se do reino de Deus (1Co 6.9,10; Gl 5.19-21; Ef 5.5,6) e se tornam instrumentos de Satanás, disfarçados em ministros da justiça (ver 2Co 11.15).

Outros falsos mestres e pregadores nunca foram crentes verdadeiros. A serviço de Satanás, eles estão na igreja desde o início de suas atividades (Mt 13.24-28,36-43). Satanás tira partido da sua habilidade e influência e promove o seu sucesso. A estratégia do inimigo é colocá-los em posições de influência para minarem a autêntica obra de Cristo. Se forem descobertos ou desmascarados, Satanás sabe que grandes danos ao evangelho advirão disso e que o nome de Cristo será menosprezado publicamente.

A Prova

Quatorze vezes nos Evangelhos, Jesus advertiu os discípulos a se precaverem dos líderes enganadores (Mt 7.15; 16.6,11; 24.4,24; Mc 4.24; 8.15; 12.38-40; 13.5; Lc 12.1; 17.23; 20.46; 21.8). Noutros lugares, o crente é exortado a pôr à prova mestres, pregadores e dirigentes da igreja (1Ts 5.21; 1 Jo 4.1). Seguem-se os passos para testar falsos mestres ou falsos profetas:

Discernir o caráter da pessoa. Ela tem uma vida de oração perseverante e manifesta uma devoção sincera e pura a Deus? Manifesta o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), ama os pecadores (Jo 3.16), detesta o mal e ama a justiça (Hb 1.9) e fala contra o pecado (Mt 23; Lc 3.18-20)?

Discernir os motivos da pessoa. O líder cristão verdadeiro procurará fazer quatro coisas: (a) honrar a Cristo (2Co 8.23; Fp 1.20); (b) conduzir a igreja à santificação (At 26.18; 1Co 6.18; 2Co 6.16-18); (c) salvar os perdidos (1Co 9.19-22); e (d) proclamar e defender o evangelho de Cristo e dos seus apóstolos (ver Fp 1.16: Jd 3).

Observar os frutos da vida e da mensagem da pessoa. Os frutos dos falsos pregadores comumente consistem em seguidores que não obedecem a toda a Palavra de Deus (ver Mt 7.16).

Discernir até que ponto a pessoa se baseia nas Escrituras. Este é um ponto fundamental. Ela crê e ensina que os escritos originais do AT e do NT são plenamente inspirados por Deus, e que devemos observar todos os seus ensinos (ver 2Jo 9-11)? Caso contrário, podemos estar certos de que tal pessoa e sua mensagem não provêm de Deus.

Finalmente, verifique a integridade da pessoa quanto ao dinheiro do Senhor. Ela recusa grandes somas para si mesma, administra todos os assuntos financeiros com integridade e responsabilidade, e procura realizar a obra de Deus conforme os padrões do NT para obreiros cristãos? (1Tm 3.3; 6.9,10).

Apesar de tudo que o crente fiel venha a fazer para avaliar a vida e o trabalho de tais pessoas, não deixará de haver falsos mestres nas igrejas, os quais, com a ajuda de Satanás, ocultam-se até que Deus os desmascare e revele aquilo que realmente são.

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