Os fiéis do Velho Testamento pertenciam à Igreja?

21/09/2012 09:36

 

Para entendermos bem a Escatologia, faz-se necessário que entendamos  o que é a Igreja.

Muitos crentes pensam que a Igreja é uma continuação de Israel. No ponto de vista de testemunha de Deus sobre a terra após a rejeição do povo eleito, isto, até certo ponto, está correto.

Todavia a maior parte da vezes dizem que os Israelitas pertencem à Igreja. Ou seja, pensam que a Igreja começou em Adão e que se seguirá até o Juízo final. Explicando melhor, julgam que todos os crentes de todos os tempos, que existiram e que ainda hão de existir, fazem parte da Igreja. Porém segundo às escrituras isso não é real.

Efésios 3.9-11 diz que a Igreja era um mistério oculto em Deus. Cl 1.24-27 confirma isto. Cl 1.18 diz que Cristo era o primogênito de entre os mortos, é o princípio da Igreja. Em Ef 1.22 vemos que Cristo é o cabeça da Igreja. Em 1 Co 3 diz que Ele é o fundamento. Em 1 Co 12.13 vemos que o tempo é expressamente determinado. É dito que a Igreja começou com o Batismo com o Espírito Santo, diz ainda em 1 Co 3.16 e Ef 2.21,22 que a Igreja é o Templo do Espírito Santo e que Ele habita nela. Ocorria isto antes do Pentencostes? O próprio Jesus diz que a Igreja não existiria enquanto Ele estivesse na terra. Ele disse edificarei a minha igreja, e não edifico ou edificarei. Neste tempo a Igreja não existia.

Diferenças entre a Igreja e Israel:

Para Israel Deus revelou-se como Jeová, para a Igreja Ele revelou-se como Pai;

A Israel Deus falou da terra, logo a sua porção é a terra. Israel é um povo terrestre. Já à Igreja Deus falou do Céu, logo a porção da Igreja é o céu, a Igreja é um povo celeste;

A promessa de Israel é uma porção de terra, Gn 12.7; 15.7 e 18; 17.8; 26.3; 28.13; Ex 6.7; 13.5; 15.17; Lv 25.2. A Herança da Igreja é o céu (1 Pe 3.1; Fp 3.14; Hb 3.1; Ef 2.6);

As bênçãos de Israel são todas terrestres. Quando lemos Dt 28 não encontramos ali nenhuma benção celestial. As bênçãos da Igreja são todas celestiais (Ef 1.3);

A luta de Israel é na terra - Palestina - (Nm 13.29; 23.51-16. A luta da Igreja não é contra a carne e nem contra o sangue. É uma luta travada em lugares celestiais (Ef 6.12).

Portanto cuidado para não aplicar as profecias para Israel na Igreja e vice-versa. As bênçãos para Israel na terra eram maravilhosas, todavia não se comparam as promessas celestiais feitas à Igreja.

Assim sendo, pode a Igreja ter um futuro terreno? Seria possível ao corpo ficar na terra e a cabeça no céu? Poderá a Igreja morar em um lugar tendo a cidadania de outro? O corpo deve ficar unido à cabeça! O nosso lugar é o céu1 Paulo fala em 2 Co 5 que o cristão deseja ser revestido da sua habitação celestial. Em Jo 14 o próprio Jesus diz: Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. E em Ap 3.11 e 22.20 ouvimos o Senhor consolando o seu povo: “venho sem demora” e a resposta da fé é: “Amém, ora vem Senhor Jesus”. Portanto a Igreja não ficará para sempre longe do Noivo. A sua angústia e nostalgia de se vê longe do Amado e de sua Pátria será satisfeita. O próprio Senhor a virá buscar. Consolai-vos com isto. 1 Ts 4.17,18.

Analisando do papel de Israel e da Igreja

Um futuro para Israel: No último item, citado por mim na introdução, falei sobre a restauração do Estado de Israel como um sinal dos tempos. Embora muitos não creiam assim, somos obrigados a analisar as Escrituras, e lá, vamos encontrar um Israel convertido, restabelecido em sua terra, como um povo que reconheceu a Deus e aceitou o seu Messias. Certamente este ainda não é o caso atual, mas, os profetas, falaram de um certo número de judeus não convertidos que, antes disso, hão de retornar para a Palestina e, ainda em descrença, vão fundar um Estado próprio, e se fortalecer através de várias alianças com países  ocidentais contra as nações inimigas. É o que vemos acontecer hoje na Palestina hoje. Realmente, biblicamente falando, não se concede a existência de uma Igreja composta de ex-judeus e ex-gentios convertidos, convivendo paralelamente a nação israelita convertida a Deus. Contudo como ficam as promessas que Deus deu aos patriarcas? Elas eram absolutas e incondicionais! Paulo diz que os israelitas são amados por causa dos patriarcas, isto no tocante a eleição. Os dons de Deus são irrevogáveis, o mesmo acontecendo com as suas vocações (Rm 11.28 e 29). Deus não pode voltar atrás em suas promessas incondicionais dadas aos patriarcas. O profeta Miquéias (Mi 7.14-20) diz que nos últimos dias Deus tomará para si um remanescente e restabelecerá em sua terra por causa do juramento dado as seus pais. Podem dizer que as promessas foram substituídas pela aliança do Sinai, aliança esta vinculada a condições. Porém, em primeiro lugar a aliança da Lei não foi dada em substituição às promessas, mas acrescentadas a estas sem invalidá-las (Gl 3.15). A aliança do Sinai estava vinculada a condições e o castigo não deixou de ser aplicado sobre o Israel rebelde. Depois, vemos que Deus prometeu que se tivesse que julgar a Israel como um todo, por causa do seu pecado, por fim concederia graça a um pequeno remanescente. E neste remanescente seriam cumpridas as promessas feitas aos pais (Lv 26. 31-45; Dt 29.24-30; Is 10.11-27; Mi 4.5-6,7). Claro que as profecias citadas referem-se em conjunto a acontecimentos passados: Isaías, ao livramento da mão dos Assírios no reinado de Ezequias, e em Miquéias, ao retorno do cativeiro. Contudo estes fatos são apenas o cumprimento parcial destas profecias. Não podemos desprezar os incontáveis detalhes não cumpridos que são mencionados nestas profecias. Para citar os mais importantes: Tanto Isaías como Miquéias falam de uma conversão nacional e a salvação de um remanescente, note bem, com o governo pessoas do Messias, na terra de Israel, sobre este remanescente estabelecido. Aqui não fala de uma conversão espiritual apenas, mas também de seu retorno a terra de seus pais, na qual o Messias é o seu chefe de Estado! (Is 11, Mi 5). Será que estas profecias já se cumpriram? Ali fala de um povo de Israel vivendo em paz na Palestina sob o domínio do Messias, ali existem grandes modificações, tanto no Reino Animal como também no Reino Vegetal; vemos também o reatamento entre as duas tribos (Judá) e as dez tribos (Israel - Efraim) e vemos também os  países vizinhos estão julgados. Isto já se cumpriu? Mesmo após o cativeiro vemos profetas repetindo estas profecias (Zc 2.8, 14). Isto não pode ser aplicado a Igreja! É certo que a Igreja está relacionada com as promessas feitas a Abraão, pois ela comprova que Deus, baseado nestas promessas, preparou uma benção para todos os povos, isso se aplica as nações (Gl 3.8). Estas profecias não tratam de uma benção para os Judeus dentro da Igreja, mas tratam de uma Reconstituição Nacional e espiritual de Israel como um povo. Ao dizermos que estas promessas referem-se a um Israel espiritual (Igreja) desprezamos totalmente o significado literal da profecia. Por acaso as maldições anunciadas a Israel aplicam-se à Igreja? Como podemos estender em Mi 5.1 espiritualmente? O Messias teria nascido de uma Belém espiritual? Como podemos explicar Is 9? Se o verso 6 é literal, o 7 também o é, e Cristo reinará literalmente sobre o trono de Davi em Jerusalém! Se Israel é a Igreja, o que é Judá, Efraim, Assíria, Egito, Jerusalém, e as principais figuras da Profecia? Já foi dito anteriormente que não existe paralelamente a Igreja e Israel convertido. Logo entende-se que quando este surgir, aquela não estará mais na Terra. Pois Israel será salvo quando cumprir-se a plenitude do tempo dos gentios. Antes que Deus traga todo Israel escolhido à conversão, a Igreja será acolhida nos céus!

Um Futuro para a Igreja: Nós seremos arrebatados para encontrarmos com Nosso Senhor nos ares, e estaremos com Ele para sempre (1 Ts 4.17). Quando a Igreja será arrebatada? Tomemos duas considerações: 1) Ainda existe um futuro espiritual e político para Israel; 2) Isto está impedido de acontecer enquanto a Igreja estiver sobre a Terra. Isto evidencia que a Igreja será arrebatada antes da Vinda de Cristo. Não há dúvidas de que Jo 14 e 1 Ts 4 falam de fatos que antecedem a aparição de Cristo. Em primeiro, vemos que o Arrebatamento da Igreja não é a mesma coisa que a aparição de Cristo, pois o primeiro evento foi um mistério que Paulo pode transmitir, de acordo com a Palavra de Deus (1 Co 15.51; 1 Ts 4.15), enquanto, o segundo, era algo relativamente conhecido desde o Velho Testamento (1 Ts 5.1). Enquanto, o segundo, era algo relativamente conhecido desde o Velho Testamento (1 Ts 5.1). Na Vinda de Cristo, ele voltará sobre a Terra e seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras e Ele se assentará sobre o trono de Davi, seu pai. Já no fato descrito em Jo 14 e 1 Ts 4, o Senhor vem à terra. É certo que Ele virá dos céus, mas na metade do caminho encontrar-se-á com a sua noiva (a Igreja) e nos tomará para si tirando-nos da Terra, 1 Ts 4. 1 Ts 4. Já na Segunda Vinda, todo olho o verá, Ap 1.7, mas, quando do arrebatamento dos crentes, a trombeta soará somente para estes, ajuntando-os para a partida (1 Ts 4.16; 1 Co 15.52). Primeiro, o Senhor Jesus virá como a “Brilhante Estrela da Manhã” (Ap 22.16; 2 Pe 1.19) estrela esta, que aparece um certo tempo antes da alvorada e que só é vista por aqueles que vigiam (Rm 13.11-13; 1 Ts 5.4-8) mas depois o Senhor voltará como o “Sol da Justiça” o que significa juízo sobre os que não temem a Deus, e para Salvação do remanescente de Israel (Ml 4. 1-33). Mas, a principal diferença é que na primeira vinda, o Senhor vem para os seus, e na segunda vinda, com os seus (Zc 14.5; Cl 4; 1 Ts 3.13; 4.14; Jd 14; Ap 19.11-14; 17.14). Claro que os anjos estarão juntos, porém estes fatos referem-se a Igreja. A Bíblia nunca se refere a anjos chamando-os de santos, mas quando usa este termo, refere-se aos crentes, exceto quando diz expressamente como no caso: santos anjos.

Israel no Plano Divino para a Salvação

Rm 9.6 “Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de  Israel são israelitas”.

Em Rm 9–11, Paulo trata da eleição de Israel no passado, da sua rejeição do evangelho no presente, e da sua salvação futura. Esses três capítulos foram escritos para responder à pergunta que os crentes judaicos faziam: como as promessas de Deus a Abraão e à nação de Israel poderiam permanecer válidas, quando a nação de Israel, como um todo, não parece ter parte no evangelho? O presente estudo resume o argumento de Paulo.

Síntese

Há três elementos distintos no exame que Paulo faz de Israel no plano divino da salvação.

O primeiro (9.6-29) é um exame da eleição de Israel no passado. (a) Em 9.6-13, Paulo afirma que a promessa de Deus a Israel não falhou, pois a promessa era só para os fiéis da nação. Visava somente o verdadeiro Israel, aqueles que eram fiéis à promessa (ver Gn 12.1-3; 17.19). Sempre há um Israel dentro de Israel, que tem recebido a promessa. (b) Em 9.14-29, Paulo chama a nossa atenção para o fato de que Deus tem o direito de fazer o que Ele quer com os indivíduos e as nações. Tem o direito de rejeitar a Israel, se desobedecerem a Ele e o direito de usar de misericórdia para com os gentios, oferecendo-lhes a salvação, se Ele assim decidir.

O segundo elemento (9.30—10.21) analisa a rejeição presente do evangelho por Israel. Seu erro de não voltar-se para Cristo, não se deve a um decreto incondicional de Deus, mas à sua própria incredulidade e desobediência (ver 10.3). (3) Finalmente, Paulo explica (11.1-36) que a rejeição de Israel é apenas parcial e temporária. Israel por fim aceitará a salvação divina em Cristo. O argumento dele contém vários passos. (a) Deus não rejeitou o Israel verdadeiro, pois Ele permaneceu fiel ao “remanescente” que permanece fiel a Ele, aceitando a Cristo (11.1-6). (b) No presente, Deus endureceu a maior parte de Israel, porque os israelitas não quiseram aceitar a Cristo (11.7-10; cf. 9.31—10.21). (c) Deus transformou a transgressão de Israel (i.e., a crucificação de Cristo) numa oportunidade de proclamar a salvação a todo o mundo (11.11,12, 15). (d) Durante esse tempo presente da incredulidade nacional de Israel, a salvação de indivíduos, tanto os judeus como os gentios (cf. 10.12,13) depende da fé em Jesus Cristo (11.13-24). (e) A fé em Jesus Cristo, por uma parte do Israel nacional, acontecerá no futuro (11.25-29). (f) O propósito sincero de Deus é ter misericórdia de todos, tanto dos judeus como dos gentios, e incluir no seu reino todas as pessoas que crêem em Cristo (11.30-36; cf. 10.12,13; 11.20-24).

Perspectiva

Várias coisas se destacam nestes três capítulos.

Esse exame da condição de Israel não se refere à vida ou morte eterna de indivíduos após a morte. Pelo contrário, Paulo está tratando do modo como Deus lida com nações e povos do ponto de vista histórico, i.e., do seu direito de usar povos e nações conforme Ele quer. Por exemplo, sua escolha de Jacó em lugar de seu irmão Esaú (9.11) teve como propósito fundar e usar as nações de Israel e de Edom, oriundas dos dois. Nada tinha que ver com seu destino eterno, i.e., quanto a sua salvação ou condenação como indivíduos. Uma coisa é certa: Deus tem o direito de chamar as pessoas e nações que Ele quiser, e determinar-lhes responsabilidades a cumprir.

Paulo expressa sua constante solicitude e intensa tristeza pela nação judaica (9.1-3). O próprio fato que Paulo ora para que seus compatriotas sejam salvos, revela que ele não admitia o ensino teológico da predestinação, afirmando que todas as pessoas já nascem predestinadas, ou para o céu, ou para o inferno. Pelo contrário, o sincero desejo e oração de Paulo reflete a vontade de Deus para o povo judaico (cf. 10.21; ver Lc 19.41, sobre Jesus chorando por causa de Israel ter rejeitado o caminho divino da salvação). No NT não se encontra o ensino de que determinadas pessoas foram predestinadas ao inferno antes de.

O mais relevante neste assunto é o tema da fé. O estado espiritual de perdido, da maioria dos israelitas, não fora determinado por um decreto arbitrário de Deus, mas, resultado da sua própria recusa de se submeterem ao plano divino da salvação mediante a fé em Cristo (9.33; 10.3; 11.20). Inúmeros gentios, porém, aceitaram o caminho de Deus, que é o da fé, e alcançaram a justiça mediante a fé. Obedeceram a Deus pela fé e se tornaram “filhos do Deus vivo” (9.25,26). Esse fato ressalta a importância da obediência mediante a fé (1.5; 16.26) no tocante à chamada e eleição da parte de Deus. (4) A oportunidade de salvação está perante a nação de Israel, se ela largar sua incredulidade (11.23). Semelhantemente, os crentes gentios que agora são parte da igreja de Deus são advertidos de que também correm o mesmo risco de serem cortados da salvação (11.13-22). Eles devem sempre perseverar na fé com temor. A advertência aos crentes gentios em 11.20-23, pelo fato da falha de Israel, é tão válida hoje quanto o foi no dia em que Paulo a escreveu. (5) As Escrituras estão repletas de promessas de uma futura restauração de Israel ao aceitarem o Messias. Tal  restauração terá lugar ao findar-se a Grande Tribulação, na iminência da volta pessoal de Cristo (ver Is 11.10-12  24.17-23  49.22,23  Jr 31.31-34; Ez 37.12-14  Rm 11.26  Ap 12.6).

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