O QUE AS ESCRITURAS DIZEM SOBRE O PECADO

25/10/2012 08:31

 

Não é fácil falar sobre pecado numa sociedade pluralista, permissiva e relativista como a que vivemos onde tudo é considerado válido. As pessoas não querem pensar em si mesmas como pessoas ruins. Muitas pessoas entendem pecado como atos errados isolados, como homicídios, ou os pecados nacionais como injustiças sociais e econômicas, as guerras, não consideram pecadores os que não “fazem nada de errado”, isto é aqueles que não cometem atos externos.

Outros atribuem as mazelas da sociedade a um ambiente pernicioso e não ao pecado inerente nos homens. Em parte por causa da influência de Freud; a culpa é entendida como um sentimento irracional que não devemos alimentar, pois, a doutrina bíblica do pecado classifica o homem como mau por natureza.

J. M. Boyce diz-nos que vivemos numa era “terapêutica” até entre evangélicos: “Os evangélicos tem mudado sua teologia novamente em termos psiquiátricos. Pecado se tornou comportamento disfuncional. Salvação é auto-estima ou integridade. Jesus é mais um exemplo para viver corretamente do que nosso Salvador dos pecados ou da ira de Deus[1].”

O que diz a Bíblia

As Escrituras consideram pecado não apenas o ato de praticar o mal, pois no AT os profetas ensinaram que o pecado é muito mais do que mera violação ou transgressão de um estatuto externo, é o rompimento de um relacionamento pessoal com Deus, e isto tem origem no coração corrupto do homem (Gn 6.5; Sl 51; Is 29.13; Jr 17.9). No NT, o apóstolo Paulo ensina que o pecado, “hamartia”, não é somente uma transgressão da lei[2], antes um estado contínuo de rebeldia contra Deus, é uma realidade que causa separação entre o homem e Deus.

“O conceito de pecado abrange toda a gama de fracassos humanos, desde a transgressão de um único mandamento, até a ruína da totalidade da existência de uma pessoa[3]”. O Catecismo de Westminster define pecado como: “qualquer falta de conformidade ou transgressão de qualquer Lei dada por Deus como norma para a criatura racional[4]”.

Definição etimológica

As Escrituras Sagradas apresentam o pecado através de uma terminologia vasta, que destaca as diferentes atitudes do pecador diante das circunstâncias por ele enfrentadas. A seguir destacaremos os vocábulos mais importantes usados nas Escrituras para pecado:

Termos do AT hebraico para pecado

“ Heb. hajx = Chata” - É o vocábulo mais característico e significa “errar o alvo”. É a palavra hebraica que significa o pecado em geral. O homem que deseja desviar-se do caminho, há nele uma disposição interior que o leva a errar o alvo – Gn 4.7; Lv 4.22,24; 16.21; Sl 1.1; 51.4;103.10; Is 1.18; 38.17; 53.12; Dn 9.16; Os 12.8.

“ Heb. evp = Pasha[5] ” - Transgredir, ir além, rebelar-se. O homem forçou e ultrapassou os limites fixados por Deus – Gn 31.36; 50.17; Ex 22.8; 1Sm 24.12; Pv 10.19; Sl 89.32; Is 1.28; 58.1; Os 14.9; Am 4.4.

“Rasha” -  Ser ímpio, solto ou mal ligado, anormal – Is 57.20,21; Sl 18.21; Ez 18.27; 33.19; Ml 3.15,18.

“Ra’ a” - Ser mau, quebrar ou danificar por métodos ou meios violentos. Caracteriza o mal moral, que produz angústia, tristeza e dor. Pecado deliberado, malicioso, com premeditação para causar dano – Mq 2.1-3; Gn 2.9; 8.21; Ex 33.4; Dt 1.35; 2 Rs 3.2; Pv 1.16; Sl 10.15; Ec 5.13; Is 5.20; Jr 11.11; Jn 1.7,8.

“Avah” -   Perversidade, entortar ou torcer a lei do Senhor, oposição ao caminho de Deus. O pecador é torto interiormente, perverso em seu coração – Gn 15.16; Ex 20.5; Lv 26.40; 1 Sm 3.14; Jó 20.27; Sl 32.2,5; Is 50.1; Jr 2.22.

“Ma’ al”­ -    Infidelidade,transgressão, ser culpado de quebrar uma promessa –Lv 16.16, 21; 26.40;Nm 5.6; 31.16; Dt 32.51; 2 Cr 26.18; 29.6.

Termos do NT grego para pecado

Gr. amartia = Hamartia - Esta é a palavra mais usada para pecado no NT, usada 173 vezes[6]. Traz o sentido de transgressão, ofensa, errar o alvo o intento do padrão de Deus, tudo o que se opõe a Deus (Rm 1.18-3.20; 1Co 6.18).  Esta palavra descreve tanto o estado de pecado como donde vem o ato do pecado.

Parabasis - Este vocábulo é usado apenas 8 vezes no NT e é traduzido por infração, passar os limites, violar a lei, desobediência – Hb 9.15; transgressão da Lei - Gl 3:19.  Paulo usou este termo nos seus argumentos com a teologia judaica contemporânea; onde Paulo ligava a realidade do pecado, diretamente a falta de obediência dos judeus à lei. Jesus condenou a superficialidade na observância da Lei por parte dos fariseus “Porque transgredis o mandamento de Deus pela vossa tradição?” (Mt 15.3).

Paraptoma - Transgressão, violação, passo em falso, pecado, apostasia, pecar deliberadamente, é uma reflexão de“Ma’ al”­  (Hb 6.6; 10.26; Mt 6.14-15; Lc 11.25-26; Rm 5.20; Ef 2.1,5; Cl 2.13).

Anomia -  Ilegalidade, insubordinação, falta de freios (Rm 6.19; Lc 5.26;  2 Ts 2:3).

Aselgeia - A perda de toda a vergonha pessoal por causa do pecado. Esta aselgeia, tomando conta da vida da pessoa, não sobra mais nenhuma decência (Rm 13:13; Jd 4).

Adika[7]-    Injustiça, maldade, lesar, fazer o mal . Quanto aos gentios, Paulo não aplica a eles a idéia do pecado como uma transgressão da lei. Os gentios não eram responsáveis diante da lei de Moisés. No caso deles, Paulo usava o termo “adika” e “asebeia”, termos que salientam o efeito externo do pecado sobre a pessoa e a comunidade (Rm 1:18,21; 25,29; 2.8; 3.5,26; 9.14; 1Co 6.9, 2Co 5.21; 1 Pe 3.18).

Pornéia - Perversidade, baixeza, vileza, malícia, depravação, oposição a virtude, aponta para o caráter e a disposição para o pecado, não somente o ato pecaminoso externo em si (1 Co 5.8).

A natureza do pecado

Pecado é uma inclinação interior

Não se trata apenas de ações erradas, mas de corrupção e pecaminosidade. É uma disposição interior inerente que está sempre se inclinando para atos errados, as motivações são tão importantes quanto às ações. Isso foi o que Cristo disse quando condenou a avareza, a ira, com a mesma intensidade que condenou o homicídio e o adultério (Mt 5.21,22,27,28). Não somos pecadores porque pecamos, pecamos porque somos pecadores.

Pecado é desviar-se do relacionamento com Deus e a desobediência aos seus mandamentos

O pecado é a infidelidade a aliança firmada com Deus (Os 2; Jr 3.10), é uma violação dos mandamentos de Deus (1 Sm 15.23; Sl 78).

Pecado é incredulidade

Significa recusar se arrepender ou descrer nas promessas de Deus (Sl 95.8;Hb 3.8,15; 4.7). Nossos primeiros pais creram na palavra da serpente e não creram na Palavra de Deus (Gn 3). Jesus foi rejeitado pelos seus, Tomé descreu na mensagem da ressurreição de Cristo (Jo 20.24,25). Para Lutero o pecado primitivo consistia não apenas em falta de fé em relação a Deus, mais confiança no raciocínio humano do que na Palavra de Deus[8].

Pecado é incapacidade espiritual

Ao pecar, o homem tornou-se depravado. A queda de Adão distorceu e deformou o caráter humano. Paulo esclarece que os pagãos se negando a conhecer Deus,  “os seus pensamentos se tornaram tolos, e a sua mente vazia está coberta de escuridão” (Rm 1.21 ntlh).

Pecado é destronar a Deus

Tudo o que ocupar em nosso coração, o lugar supremo que pertence a Deus é pecado. Qualquer coisa que desejamos acima de Deus é pecado. O primeiro grande mandamento é “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.30).

O Pecado é um tipo de mal específico

Muitas coisas acontecem no mundo que consideramos mal , porém, não é pecado. Todos os dias os noticiários registram: maremotos, ciclones, furacões, secas, terremotos, mas nenhum deles é pecado. O pecado é um mal moral, é o resultado de uma escolha livre, porém, má do homem (Gn 3.1-6; Is 48.8; Rm 1.18-32; 1 Jo 3.4). O pecado é tanto pessoal como social, coletivo como individual. As manifestações principais do pecado são o orgulho, sensualidade e o medo. Outros aspectos relevantes do pecado são: autopiedade, egoísmo, ciúme , ganância ou avareza.

O pecado tem origem no coração

O pecado reside no coração humano, que na psicologia das Escrituras é de onde procedem as saídas da vida. E desse centro, sua influência e suas operações se estendem para o intelecto, vontade, emoções, e até mesmo para o corpo (Pv 4.23; Jr 17.9; Mt 15.19.20; Lc 6.45; Hb 3.12).

O pecado não se constitui apenas de atos manifestos

O pecado não consiste apenas de atos manifestos, patentes, mas também de hábitos e pensamentos pecaminosos e de uma condição  pecaminosa de alma. Estes três âmbitos se relacionam da seguinte maneira: O estado pecaminoso serve como base para os hábitos pecaminosos, e estes se apresentam como ações pecaminosas (Mt 5.22; Rm 7.7; Gl 5.17,24).

Síntese exegética: Áreas de abrangência do pecado:

a) Desejos e práticas carnais - cada palavra ato e pensamento que incite à concupiscência sexual ilícita no homem e na mulher como roupas indecentes, contato corporal, gestos insinuantes na dança, linguagens torpes, fotos pornográficas, etc.

b) Atividades religiosas falsas - idolatria e feitiçaria, envolvendo orações contrárias, rejeitando a fidelidade e lealdade de Deus, exaltando qualquer pessoa ou coisa acima dEle;

c) Posturas e ações contra o próximo - em atos ou pensamentos invejosos;

d) Práticas que destroem o domínio próprio da pessoa - como embriaguez, folia, perdendo o controle da razão e emoção(Gl.5:16).

A Origem do pecado

Nas Escrituras o mal moral que domina o mundo é apresentado como pecado, isto é, como rebeldia e transgressão da lei de Deus. A Bíbia descreve o homem como pecador por natureza.  É preciso destacar que o pecado não apanhou Deus de surpresa. Ele já o tinha visto em sua Onisciência, antes mesmo da criação.

Às vezes algumas pessoas interpretam estes fatos de maneira distorcidas e atribuem a autoria e a responsabilidade do pecado a  Deus, mas a Bíblia diz: “Longe de Deus o praticar ele a perversidade e do Todo-Poderoso o cometer injustiça” (Jó 34.10). Deus é santo (Is 6.3; 1Pe 3.16), é luz e nele não há treva nenhuma (1 Jo 1.5), não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta (Tg 1.13). Deus odeia o pecado (Dt 25.16; Sl 5.4; 11.5; Zc 8.17; Lc 16.5), e ama os pecadores, pois enviou a Jesus seu filho para vencer o pecado e nos salvar (Rm 5.8; Jo 3.16).  A luz destes fatos as pessoas perguntam: Como o homem tornou-se pecador? O que as Escrituras ensinam sobre este ponto?

O pecado teve sua origem no mundo angélico

Deus criou os anjos e eles eram bons, quando foram criados (Gn 1.31). Mas ocorreu uma queda no mundo angélico, onde legiões de anjos se rebelaram contra Deus (Jd 6; Ap 12.7-9). Não nos é dito quando esta rebelião ocorreu, mas em João 8.44, Jesus fala do diabo como assassino “desde o principio” (gr. kat’ arches), e João diz que “o diabo peca desde o principio” (1 Jo 3.8). Paulo recomenda que nenhum novo convertido fosse ordenado bispo, “para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Tm 3.6). Daí pensamos que o pecado do diabo foi o orgulho, a arrogância de desejar ser igual a Deus.

Dunffield e Val Cleave acentuam que “a diferença entre a queda de satanás e a do homem é que satanás caiu sem ter qualquer tentador externo. O pecado entre os anjos teve origem em seu próprio ser, o pecado do homem se originou em resposta a um tentador e uma tentação externa[9].”

Síntese teológica: Tipos de orgulho:

• Orgulho Da Riqueza - É difícil os ricos não serem avarentos (Ez..28:5; Tg.5:2; 1 Tm.6:17; 1 Tm.6:9) – Segundo alguns interpretes o camelo no fundo de uma agulha era o exemplo de um caso de uma porta para pessoas no muro da cidade, fechada no sábado, quando alguns comerciantes inescrupulosos  queriam vender no dia sagrado e proibido às vendas; o camelo deveria passar de joelhos, sem carga, empurrado e puxado pelo pescoço com grande dificuldades.;

• Orgulho da Beleza - Pessoas que se elevam pela aparência (Ez.28:17);

• Orgulho da Moral - Pessoas se auto-justificam por suas aparente boas-obras, negando necessidade de Cristo.

• Orgulho da Ortodoxia - Os que pensam conhecer mais que os outros da parte de Deus e não o glorificam,retendo a glória.

• Orgulho da Posição - Pelo cargo na Igreja ou posição social.

• Orgulho da Comunidade - Quando a comunidade se autentica como a única representante da Verdade de Deus.

A queda do homem

Gênesis capítulo 3, nos explica como o pecado entrou na raça humana. Ele teve inicio na transgressão voluntária de Adão no paraíso. Deus provou a obediência do homem a sua vontade revelada, quando o proibiu de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Porque aquela árvore estava lá? Certamente para ser o teste pelo qual o homem pudesse voluntária e livremente servir a Deus e assim desenvolver o seu caráter. Adão tinha de mostrar sua disposição de submeter a sua vontade a vontade de Deus. Não sabemos que tipo de árvore era. Não havia nada de ofensivo no fruto da árvore como tal. Comer o fruto não seria pecaminoso se Deus não tivesse dito: “da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás.”

O tentador fez Eva duvidar da bondade de Deus porque Ele lhes vedara o acesso a árvore do conhecimento do bem e do mal  (Gn 3.1), faz Eva duvidar da justiça de Deus “certamente não morrereis”, isto é, Deus não pretende fazer o que disse  (Gn 3.4), a seguir o tentador põe em dúvida a santidade do Criador: “Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5), e ofereceu um plano alternativo, que possibilitava comer o fruto proibido sem sofrer o castigo (Gn 3.4,5), e ainda se tornar iguais a Deus.

Por fim, Adão rendeu-se a tentação cometendo o primeiro pecado, comendo o fruto proibido, passando a ser escravo do pecado.  Fugindo de Deus, Adão e Eva tentaram esconder-se entre as árvores do jardim.

Michael Horton diz que “nossa queda foi completa. Cada área da vida humana foi afetada e nada criado por Deus foi criado intacto. Conseqüentemente, a mancha do pecado nos corrompe física, emocional, psicológica, mental, moral e espiritualmente....”[10]. Eurico Begstén completa: “ A velha natureza tem em si uma inclinação para o mal (cf Rm  8.5; 7.5-19) e uma insubmissão diante de Deus e da sua lei (cf. Rm 8.7). A velha natureza , definitivamente, não ama a Deus (cf. Jo 5.42) e sim as trevas (cf. Jo 3.19)[11].”

Os juízos de Deus

Sobre a serpente

“Maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.14-15).

Sobre isso Peralman comenta: “ Uma vez que a serpente foi simplesmente o instrumento de Satanás, porque deve ser punida? Porque é a vontade de Deus fazer da maldição da serpente um tipo e profecia da maldição sobre o diabo e sobre todos os poderes do mal. O homem deve reconhecer pelo castigo da serpente como a maldição de Deus ferirá todo o pecado e maldade; arrastando-se  no pó recordaria ao homem o dia em que Deus derribará ao pó o poder do diabo. Isso é um estímulo para o homem: ele,o tentado, está em pé, erguido, enquanto a serpente está sob a maldição. Pela graça de Deus o homem pode ferir-lhe a cabeça – pode vencer o mal (Lc 10.18; Rm 16.20; Ap 12.9; 20.1-3,10)[12].”

Sobre a mulher

“Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará”. (Gn 3.36).

Sobre o homem

“Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.16-19).  O castigo sobre o homem não era o trabalho, pois a ele o homem já tinha sido designado (Gn 2.15), o castigo é a dificuldade e as aflições que muitas vezes acompanham o trabalho.

A atividade agrícola exemplificada aqui, porque é o esforço humano mais necessário a sua sobrevivência. A terra e a criação como um todo tem participado da maldição e da queda de seu senhor, o homem; Deus disse: “Maldita é a terra por tua causa”, mas também participará da sua redenção (Rm 8.19-23; Is 11.1-9). Além da maldição física que atingiu a terra, o pecado e a imprudência humanas devastam o meio ambiente, e tem dificultado de muitas maneiras a própria sobrevivência humana e causado dificuldades produzindo condições de trabalho mais difíceis e duras para o homem.

“Tu és pó e ao pó tornarás” - O homem foi criado capaz de não morrer fisicamente; teria existência física indefinida se tivesse permanecido em santidade diante do Senhor. Mesmo que volte a comunhão com Deus, e assim vença a morte espiritual, não obstante, voltará ao Criador através da morte, se Cristo não voltar antes. A morte é parte do castigo do pecado (Rm 3.23), a salvação completa inclui a ressurreição do corpo (1 Co 15.54-57).

Síntese Teológica: A promessa de redenção

Gênesis apresenta o chamado “proto-evangelho”, isto é, a promessa da redenção: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Indicando que haverá um conflito constante entre o homem e o tentador que causou a sua queda, vencendo o descendente da mulher, o representante dos homens, o Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo para esmagar o poder e as obras do diabo (Mt 1.23,25; Lc 1.31-25, 76; Is 7.14; Gl 4.4; Rm 16.20; Cl 2.15; Hb 2.14,15; 1 Jo 3.8; 5.5; Ap 12.7,8,17; 20.1-3,10). Mas não uma vitória sem aflição “tu lhe ferirás o calcanhar”. No Gólgota o calcanhar de Jesus foi ferido, mas, no entanto por estas pisaduras nós fomos sarados, aleluia! (Is 53.4,4,12 cf também Dn 9.26; Mt 4.1-10; Lc 22.39-44;,53; Jo 12.31-33; 14.30,31; Hb 2.18; 5.7; Ap 2.10).

Vemos ainda tipificada a misericórdia de Deus na provisão que Deus fez para cobrir a nudez de Adão e Eva, matando um animal inocente, para vestir aqueles que por causa do pecado sentiam-se nus. (Gn 3.21). Da mesma maneira, vemos Deus Pai enviando o seu Filho Unigênito, inocente, imaculado, para morrer, a fim de prover uma cobertura expiatória para as almas dos homens.

O pecado Original

A Bíblia apresenta o pecado de Adão afetando não apenas a ele mesmo, mas toda a raça humana (Rm 5.12-21; 1 Co 15.21,22). Pascal disse que a doutrina do pecado original parece uma ofensa à razão, mas, uma vez aceita, ela faz sentido total com toda a condição humana. Ele estava certo, e a mesma coisa pode e deve ser dita da própria narrativa da queda[13].

O pecado de Adão e Eva no jardim surgiu de uma preferência de si mesmo e de sua autogratificação a Deus e Sua vontade. Eva comeu do fruto proibido porque ela pensou que isso daria a sabedoria almejada. Adão participou do fruto porque preferia sua esposa a Deus, porque talvez via sua esposa como contribuindo mais do que Deus para a sua autogratificação.

Solidariedade da raça

Adão não pecou apenas como representante da raça humana, mas também como chefe representante de todos os seus descendentes, por isso, o pecado de Adão é o pecado de todos, e a culpa do seu pecado é imposta na conta dos homens, de forma que todos são culpados (Rm 5.12 cf 5.18-19). Michael Horton afirma que: “somos pecadores não apenas por escolha, mas também por nascimento. Não nascemos numa zona neutra, mas como inimigos de Deus, por natureza, filhos da ira...Não apenas caímos, somos caídos. Não apenas nos perdemos, somos perdidos. Pecamos porque é nossa natureza pecar..[14].”

Depravação total da raça

Com a queda, o homem perdeu a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom[15] (Rm 7.15). Paulo diz ainda: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7.18 arc).

Davi sabia que fora gerado em pecado (Sl 51.5), Isaias se confessava pecador desde o ventre da sua mãe (Is 48.8). Jeremias chama o nosso coração de “enganoso e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9), e ainda: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (13.23).  Paulo afirma que todos nós éramos filhos da ira (Ef 2.3).

Deus não tirou do homem a habilidade de fazer o bem. Tanto que enquanto plano de Deus, o homem ainda é livre para fazer o bem. Mas ele não tem a habilidade para fazer o bem; mas é de fato “totalmente indisposto, incapaz e feito em oposição a tudo o que é bom, e totalmente inclinado para o mal[16]” . É isto o que as escrituras ensinam, quando elas dizem, “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm. 8:7).

Síntese histórica: Resumo dos posicionamentos teológicos a respeito da Queda do homem

Pelágio (século V) - ensinou a heresia de que a natureza humana é boa. O homem pode ser perfeito. A humanidade nasce pura[17].

Liberal -  Não aconteceu, era uma lenda, um quadro geral de religião e moral, à luz de um período posterior.

Teoria da Evolução -  O homem não pode herdar o pecado de seus antepassados primatas, aliás, não cometeu pecado algum. “Os impulsos, propensões, desejos e qualidades que o homem herdou dos animais inferiores não podem ter o nome de pecado[18].”

Neo-ortodoxa – Um mito, história primitiva, supra-história ou “mito verdadeiro”. Os discípulos de Karl Barth entendem que o relato não é histórico, mas a sua realidade espiritual é verdadeira.

Evangélica conservadora (Ortodoxa) – O fato da queda de Adão é histórico, real. Toda a humanidade é afetada pelo pecado em conseqüência da queda.

A universalidade do pecado

A Bíblia ensina que o pecado é um fardo que o homem carrega desde o seu nascimento e, está tão presente na natureza humana que não pode ser considerado resultado de mera imitação (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6 cf 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.1-12,19,20,23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1 Jo 1.8,10). Todos os homens estão sob condenação, é por isso que precisam ouvir de Cristo, o Salvador, o único que pode salvar e libertar dos pecados.

Eriksson lembra que: “essas declarações da pecaminosidade universal da raça humana são aplicáveis a todas as referências bíblicas a pessoas perfeitas ou inculpáveis (Sl 37.37; Pv 11.15). Mesmo os especialmente descritos como perfeitos têm falhas. Davi era um homem segundo o coração de Deus (1 Sm 13.14). Apesar disso, seus pecados foram atrozes e ocasionaram o grande salmo da penitência (Sl 51). Isaias 53.6 esforça-se para universalizar sua descrição metafórica dos pecadores: “todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos[19].”

Síntese exegética: Culpa

Langston define culpa como: “o resultado de um ato mau, e só o que pratica o mal pode ter culpa...serve de fundamento ou de razão ao castigo..[20]”, ou seja, o pecador não regenerado merece a punição de Deus por causa de sua transgressão.  A Bíblia faz distinção entre a culpa do pecado original, e a culpa pelos pecados pessoais. As Escrituras também reconhecem a diferença entre culpa de pecados cometidos devido à ignorância e os pecados deliberados. Neste caso o grau de culpa varia com o grau de conhecimento que a pessoa tem. É digno de menção que merecem castigo diante de Deus tanto o pecado praticado por ignorância quanto o feito premeditadamente.

A rigor, todo o pecado em essência é o mesmo, e merece o castigo de Deus. Veja algumas passagens bíblicas que clareiam a questão: “Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade” (Mt 10.15); “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” (Lc 12.47,48, veja também Lc 23.34; Rm 1.32; 2.12).

Graus de Culpa

Fica claro quando estudamos a Bíblia que existem graus de culpa, e por sua vez, graus de castigo, por haver diversidade de pecados. No Pentateuco são exiidos uma variedade de sacrifícios pelos diferentes tipos de pecados (Lv caps 4-7). O NT por sua vez, sugere vários graus de culpa (Lc 12.47-48; Jo 19.11; Rm 2.6; Hb 2.2,3; 10.28,29). Vejamos alguns deles:

Pecados de natureza e pecados de transgressão pessoal – O homem é pecador por causa do principio do “pecado inato”, isto é por natureza, mas existe uma culpa maior quando o pecador por natureza pratica ações de transgressão pessoal.

Pecados por ignorância e pecados com conhecimento –  Já vimos que existem pecados de ignorância. Mas os pecados com conhecimento são acompanhados por culpa maior. Quanto maior o conhecimento maior a culpa: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza. Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.” (Lc 10.13,14); “Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados” (Rm 2.12).

Pecados impulsivos e deliberados – O pecado de Davi com Batseba foi impulsivo, porém, o assassínio do esposo dela, Urias foi friamente premeditado.

O Castigo pelo pecado

A penalidade que o homem recebeu ao desobedecer a Deus no Éden foi a pena de morte. A morte que temos em mente aqui é a morte completa, isto é, não só a morte do corpo, mas também morte espiritual. É claro que as conseqüências do pecado integram a punição “quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Pv 5.22). A prostituição e a luxuria cobram o seu preço do corpo humano. A impiedade corrompe mente e espírito. Mas isto é apenas parte da punição. Uma parte é aplicada agora, outra será sentida no futuro.  A penalidade do pecado inclui a morte física, mas abrange bem mais do que isso.

Sofrimentos - Os sofrimentos humanos também estão incluídos na penalidade do pecado. A vida biológica do homem é presa fácil de moléstias e doenças que se transformam em penosas agonias, sua vida mental ficou a mercê de perturbações angustiantes que muitas vezes o levam a depressão e outros males que roubam a alegria de viver e destroem completamente o equilíbrio mental.   A alma humana transformou-se numa arena onde trava-se uma luta silenciosa contra pensamentos, paixões e desejos conflitantes. Com o homem e por causa dele, a própria criação ficou sujeita a vaidade e a escravidão da corrupção (Rm 8.20,21).

Morte espiritual - O pecado separa de Deus, e isso é morte, pois só obtemos vida real e em abundância através da comunhão com Deus.  Por isso a morte física não é de maneira alguma a pior parte da punição pelo pecado. Embora Adão morresse fisicamente no instante em que transgrediu a ordem de Deus, ele morreu espiritualmente, porque perdeu a comunhão com Deus que é a fonte da vida. Ele tornou-se “morto em delitos e pecados” (Ef 2.1). Falando das viúvas frívolas, Paulo descreve bem a condição imediata de cada pessoa não redimida: “entretanto, a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta” (1Tm 5.6). Morte espiritual, não significa apenas culpa, mas também corrupção. O pecado corrompe e isso é parte da nossa morte. Por natureza o homem não somente é injusto, é impuro diante dos olhos de Deus. E esta impureza aflora através das ações, pensamentos e palavras, tal como uma fonte envenenada poluindo todas as áreas da vida.

Morte[21] física – A penalidade do pecado inclui a morte física, isto é a separação da alma e do corpo. Cremos que Deus criou o homem com capacidade para não morrer, se obedecesse aos mandamentos de Deus. Mas, Deus disse a Adão: “Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17).  Isso fica claro no ensino do Apóstolo Paulo em Rm 5.12-21 e 1Co 15.12-23.  Adão não morreu imediatamente, entretanto, a partir deste dia, a morte passou a operar em seu corpo físico. 900 anos mais tarde ela deu o último golpe em Adão.

Morte eterna - É o ápice e a consumação da morte espiritual, ou seja, a separação eterna da alma em relação a Deus. É chamada nas Escrituras de “segunda morte” (Ap 21.8).

O propósito da punição do pecado

A punição do pecado não deve ser encarada como mera represália ou vingança com o objetivo de ferir o que previamente feriu. Os dois objetivos mais importantes a respeito da punição do pecado são os seguintes:

Exercer a justiça de Deus - A lei exige que o pecador seja punido. Deus é o Legislador Supremo, então, a punição do pecado vindica a justiça de Deus. A santidade de Deus é essencialmente oposta ao pecado e esta reação é vista na punição do pecado (Dt 32.4; Jó 34.10-11; Sl 62.12; Sl 119.137; Jr 9.24).

Restaurar o pecador - Muitas pessoas acreditam que não existe punição para o pecado por parte de Deus, que o Justo Juiz não se ira com o pecado e com os pecadores, somente os ama. Esta é uma idéia heresia que ignora a diferença entre punição e disciplina. A punição do pecado não parte do amor e compaixão do legislador, mas de sua justiça. Se a restauração se segue à imposição da punição, isso não se deve a penalidade como tal, mas é fruto da graça de Deus em ação pela qual transforma o que em si mesmo é um mal ao pecador em bênção. As Escrituras estabelecem a diferença entre punição e disciplina. Deus ama e corrige o seu povo (Jó 5.17; Sl 6.1; 94.12; 118.18; Pv 3.11; Is 26.16; Hb 12.5-8; Ap 3.19), e por outro lado, Deus aborrece e pune os que praticam e amam o mal (Sl 5.5;7.11; Na 1.2; Rm 1.18; 2.5,6; 2 Ts 1.6; Hb 10.26.27).

Síntese histórica: A Doutrina da origem do pecado na história da Igreja

Os lideres cristãos ao longo da história apresentaram posições diferentes sobre este assunto. Os próprios chamados “Pais da Igreja” pouco falaram sobre o assunto, porque seu enfoque teológico era sobre a teologia e a cristologia.  Podemos encontrar uma “hamartiologia”, que apresenta o pecado a transgressão voluntária de Adão no Éden, nos escritos de Irineu de Lyon.  Vejamos como a doutrina bíblica da origem do pecado se desenvolveu na história:

Orígenes - Responsável por um sério desvio ensinando a idéia grega de que a alma é preexistente[22], segundo Orígenes: “todas as almas vem para o mundo a partir de um estado espiritual preexistente no qual fizeram escolhas livres de obediência ou desobediência a Deus..tal provação pré-mortal e pré-espiritual explica porque os seres humanos vêm ao mundo em condições tão desiguais. E a versão dele para o que algumas religiões ocidentais chamam de carma[23].´”

Pais gregos – (séculos III e IV) Pouco falaram sobre o assunto, suas posições eram dúbias e conflitantes, alguns deles negando a conexão entre o pecado de Adão e de sua posteridade.

Pais Latinos - Enfatizaram firmemente que a pecaminosidade e corrupção do homem, tem sua origem no pecado do primeiro casal humano no jardim do Éden.

Gnósticos - Ensinavam que o contato da alma com a matéria era a razão do pecado. Esta teoria despreza o que a Bíblia diz sobre o caráter voluntário e ético do pecado.

Agostinho – Foi quem sistematizou a doutrina do pecado, em parte por causa da controvérsia com o herege Pelágio um monge britânico que negava o pecado original e a corrupção da raça, bem como dizia que o homem não nasce em pecado, é lhe possível ser preservado e nunca precisar de um salvador. Agostinho defendeu a doutrina bíblica do pecado, insistindo que em Adão todos nós somos culpados e condenados.

A Reforma Protestante - Lutero e Calvino principalmente seguiram Agostinho sustentando a doutrina do pecado como está contida nas Escrituras. Lutero ensinou “que o homem estava totalmente preso aos poderes das trevas – o pecado, a morte e o diabo. Sua necessidade maior é ser liberto da escravidão espiritual[24].”

A Teologia Moderna – Influenciados pelo evolucionismo, sincretismo e racionalismo, os teólogos modernistas foram diluindo a doutrina do pecado. Leibnitz encarava a maldade no mundo como algo metafísico e não moral. Hegel considerou o pecado como o passo necessário na evolução do homem como espírito autoconsciente. Schleiemacher pensava no pecado como produto necessário da natureza sensual do homem[25].

O pecado na vida do crente

O cristão não pode de forma alguma deve menosprezar as implicações e a gravidade do pecado. A Bíblia adverte o crente a evitar o pecado e santificar-se ao Senhor. “Deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós” (Hb 12.1 ntlh).

A doutrina doperfeccionismo ou santificação total é uma doutrina falsa que ensina que o crente pode chegar a um nível de santificação tão profundo que não mais estará sujeito ao pecado. A Bíblia diz que o que nasceu de Deus “não vive pecando” (1 Jo 3:9), e ensina claramente a realidade do pecado na vida dos crentes (1 Jo 1.8;1.10). Mesmo que o crente possa pecar, ele é responsável por não pecar "sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1 Pe 1:15 arc cf 1 Jo 2:1). A possibilidade de pecar jamais é razão para justificar a ação do pecado, mas motivo forte para vigiar para não entrar em tentação (Mt. 26:41).

O salvo, tem uma nova natureza feita por Deus em Cristo, porém, experimenta uma luta feroz com o pecado (Gl 5:17). O não salvo não possui qualquer defesa contra o pecado (Rm 8:8). Em Cristo, o salvo tem poder para vencer o pecado (Mt. 26:41; Fl. 4:13; I Jo 4:4).

Síntese exegética: O pecado imperdoável

Muitas tem sido as opiniões no decurso da história sobre a natureza deste pecado imperdoável. Jerônimo e Crisóstomo entendiam que este pecado foi cometido unicamente pelos contemporâneos de Jesus, durante o seu ministério terrenal. Agostinho, alguns teólogos luteranos e também certos teólogos escoceses pensavam neste pecado como uma impenitência que persistirá até o fim.  Outros teólogos luteranos, depois da Reforma entendiam que somente as pessoas regeneradas estão sujeitas ao pecado imperdoável, a blasfêmia contra o Espírito Santo. Os teólogos reformados captaram o sentido bíblico em sua exposição sobre o pecado imperdoável.

O que a Bíblia ensina - Algumas passagens bíblicas falam de um pecado, que não pode ser perdoado, sendo impossível uma mudança, depois de alguém o ter praticado. Sobre o qual até mesmo nem se deve orar. Este pecado consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do testemunho do Espírito, com respeito à graça de Deus manifesta em Cristo. Este pecado não consiste em duvidar da verdade manifesta em Cristo, nem simplesmente negá-la, mas sim contradize-la. Ao cometer este pecado, o homem voluntária, maliciosa e intencionalmente atribui à influência de Satanás aquilo que reconhecidamente é obra de Deus. Este pecado em resumo é um ultraje ao Espírito Santo.   Em atenção ao fato que a esse pecado nunca segue o arrependimento, pode-se assegurar que aqueles que julgam tê-lo cometido e se entristecem por isso, e pedem orações de outros para perdão, na verdade nunca cometeram tal pecado; pois é o Espírito Santo quem opera o arrependimento nos corações; se a pessoa tivesse pecado contra Ele, logicamente Ele não levaria esta pessoa ao arrependimento.

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