O pastor e as flores do caixão

19/09/2012 13:36

 

Nunca tinha me deparado com tal situação, mas quando cheguei ao "velório" o caixão ainda não estava por todo arrumado. Alguns parentes ajudavam aos prantos completarem as flores por sobre o corpo que permanecia inconvenientemente descoberto dentro do salão da igreja.

O representante da funerária corria de um lado para o outro tentando providenciar flores suficientes. A mordaça que segurava o queixo para que a boca não abrisse estava de todo descoberta. Fiquei lá, no meio da igreja, sentado em um banco qualquer, recostado na parede fria, imóvel e constrangido pela cena grotesca que eu presenciava.

Como é interessante o falar de Deus. Mesmo nas situações mais absurdas e inimagináveis Ele é capaz de falar com você.

E ali sentado comecei a perceber o quanto O homem tenta tornar a morte algo mais agradável, enfeitando caixões, cercando-os de coroas e flores. Mas ela não é. A morte não é bonita, ela é terrível! Fiquei meio que atordoado com a palavra ministrada em meu coração em face do que estava vendo, mas percebi o que o Senhor queria me dizer.

Tentamos de todas as formas tornar as nossas vidas melhores. Compramos roupas, objetos, carros, jóias... alguns não precisam de tanto pois ainda lutam por um pedaço de pão, um emprego... Já outros estão em busca de paz dentro das suas casas, no seu lar, no seu casamento. Nos rodeamos de flores, de sonhos, tentando disfarçar o que o pecado tem gerado em nossas vidas: a morte!

E, se todas as mandigas que tento para resolver meus problemas não servem para nada, corro atrás das campanhas que, mesmo incentivadas pelos próprios pastores, ainda não conseguiram gerar na igreja o que só o quebrantamento genuino pode fazer.

Temos a tendência de esquecer que a morte é resultado último do pecador. Não é um castigo, não é um acaso em nosso caminho, mas a consequência natural da humanidade destituida da glória de Deus. E por nos esquecermos disto tentamos disfarçar a nossa vida, muitas vezes fétidas, enfeitando-as com mudanças supeficiais e que são incapazes de impedir a putretafação completa de nosso ser.

Culpamos nossa família, nossas esposas, culpamos nossos maridos, culpamos a Deus, culpamos o diabo, e nos esquecemos que somos nós os responsáveis por permitir que o pecado impere em nosso viver.

Lido diariamente com toda sorte de pessoas e no meio delas sempre encontro aqueles que gostam de enfeitar caixões. Que não assumem seus erros, que não se arrependem, que não choram o choro amargo do quebrantamento que somente o encontro com o Rei é capaz de gerar. Homens e mulheres duros de coração e que teimam em fugir da cruz de Cristo.

E isto é um grande mistério, morreremos de qualquer forma! Mas temos uma opção gerada no coração do Pai e posta em pratica na cruz de seu Filho. Sim temos uma escolha! Podemos escolher o tipo de morte que morreremos.

Eu, particularmente, tenho optado pela morte na cruz, de todas talvez a mais dolorida. Morte que me põe de encontro a pobreza de meu espirito. Onde posso me perceber sem enfeites, sem flores, em algumas vezes fendendo já. Mas é alí e somente alí que tenho um vivido e verdadeiro encontro com o Pai. Onde minhas dividas são canceladas. Onde a dor é apaziguada. Onde sou fortalecido, vivificado, onde recebo uma coroa de vida eterna e uma estola sacerdotal.  Onde me torno filho mesmo sendo servo.

Como está sua vida? Morta e rodeada de flores que não te servem para nada? Pulando de igreja em igreja, de campanha em capanha? Sempre em volta de problemas, de enfermidades, de dores e nunca vendo as bençãos de forma completa e concreta?

Pare de resistir! Não enfeite mais seu caixão! Entregue-se a cruz de Cristo! Aceite o convite e perca-se Nele! Permita que o quebrantamento (a dor de ver-se como realmente você é) te leve para perto do Pai, te envolva, te restaure e te vivifique!

"E disse Jesus: quem quiser ganhar sua vida irá perdê-la, e quem perder sua a vida por amor a mim, este é que verdadeiramente irá ganhá-la"

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