O EVANGELHO DO CINISMO

19/09/2012 13:58

 

 “Como pudestes então, tu e o teu marido, fazer uma coisa destas para enganar o Espírito Santo? Olha, ali mesmo à porta estão os jovens que foram enterrar o teu marido e que te vão levar a ti também.” 1

Cinismo. Do gr. kynismós, pelo lat. cynismu. Substantivo masculino. 1. (...) 2. P. ext. Impudência, desvergonha, desfaçatez, descaramento. Cf. cenismo.

Bolívar Echeverría definiu acertadamente que o cinismo se converteu “no sintoma mais característico da civilização atual”. Para o filósofo equatoriano, o cínico é alguém, por exemplo, “que exerce a corrupção como substantivo válido do respeito a lei. Alguém que não sente escrúpulos ao utilizar em benefício próprio os pontos de fracasso de uma forma institucional vigente, as zonas cegas onde ela e as normas derivadas dela se mostram incapazes de organizar adequadamente o conteúdo social que as havia reclamado e ao que elas aparentemente respondem. Alguém que aproveita a falta de fundamento último ou natural sobre a que se sustenta a necessidade das normas estabelecidas.” (...)

Atores são cínicos. Vivem de representação. Beatriz Segal que o diga... mais de uma década depois ainda é lembrada pela terrível vilã Odete Roithman, cujo papel desempenhou tão bem que a estigmatizou a ponto de ter feito poucos trabalhos após Odete. Nas telas ou no teatro, entretanto, sabemos que estamos assistindo um ator representando um determinado papel. O entretenimento não sobressai nosso julgamento da realidade.

Políticos são cínicos. Semelhantemente vivem de representação. Confrontada pelo jornalista Willian Bonner a respeito da discrepância entre o programa do seu partido e as entrevistas de campanha, a candidata Heloísa Helena ficou encurralada entre afirmar os ideais esquerdistas do seu partido com o discurso de campanha e tentou sair pela tangente dizendo que programa de governo não era o mesmo que programa de partido. De forma inteligente encenou dois personagens – a política idealista e a eleitoral.

Religiosos são cínicos. Em nome da promoção da pax mundi Ratzinger desfala. Alegando que outro escreveu o que ele pregou, tenta corrigir o erro que cometeu, na tentativa de unir duas religiões diametralmente opostas. Cometeu o erro de Adão ao terceirizar a culpa entre os redatores do Vaticano.

É óbvio que as afirmações acima não são absolutas, ou auto-excludentes. Nem todos os atores são cínicos (daí vários são chamados canastrões por não convencer o público dos seus personagens), assim como nem todos políticos ou religiosos são cínicos.

Quando nos tornamos cínicos? Pelo radical, cinismo está relacionado com cenismo donde deriva encenar. Lembre-se de Ananias e Safira. Imagine como eles combinaram a cena para ludibriar os apóstolos. Afinal, quem poderia descobrir o valor real da fazenda? Vamos dar somente parte do dinheiro, dizendo ser tudo, e ver no que este negócio de igreja vai dar! Afinal a gente precisa se resguardar... sabe... recessão, inflação... vai que o messias demora pra voltar e os apóstolos administrem mal o nosso dinheiro! Ao ler o relato a respeito de Ananias e Safira, com terror podemos afirmar que eles armaram toda aquela cena para enganar os apóstolos e parecer algo que de fato não eram.

Cristãos verdadeiros também são cínicos. Somos cínicos quando não temos autenticidade em admitir nossas fraquezas. Somos cínicos ao inadmitir nosso próprio pecado, ou fazemo-lo apenas para justificar nossa falta de interesse por santidade, ou para endossar o direito de apontar o pecado alheio. Aprendemos as técnicas de quebrantamento, arrependimento e confissão que convencem os mais céticos a respeito da nossa sinceridade. Aprendemos o que falar em momentos de tristeza de tal forma que deixe claro nossa resignação, enquanto nosso coração se contorce em gemidos inexprimíveis de rancor, mágoa e questionamento. Justificamos nossa indisposição no estudo bíblico devocional insistindo que a experiência é mais importante do que o conhecimento, esquecendo-nos que a fé vem pelo ouvir... Existe cinismo nos pregadores que não são isentos quando expõem a Palavra, antes usando dos púlpitos para todo tipo de prática repugnante como mandar recado à um desafeto, manipular a congregação, fazer campanha política em troca de favores, etc...

A Bíblia não alude qualquer benefício para o cinismo. Jesus foi um crítico ferrenho à hipocrisia dos fariseus. Apesar de ter demonstrado exímio zelo pelas coisas de Deus, não poupou esforços para derribar as barreiras do cinismo, da religião institucionalizada que se importava mais em manter as aparências do que cuidar das vidas estilhaçadas pelo pecado.

Jesus nos dá bons remédios para o cinismo. Quando se encontrou com a mulher do poço dirigiu-lhe a palavra dando o primeiro passo rumo ao transformador encontro. No leproso que gritava: Filho de Davi tem misericórdia de mim, ele tocou. Seu coração se enfureceu ao ver a Casa de Oração transformada e covil de salteadores e, não temendo as represálias, manifestou-se. Foi capaz de, com uma frase – esta noite me negarás três vezes -, desnudar a fragilidade da fé de Pedro. Uma frase também foi suficiente para constranger os que iriam apedrejar uma mulher adúltera. Com uma frase curou um jovem em casa, mesmo sem ir ter com ele, mostrando que o poder de Deus não necessita de cerimônias xamanistas para invocar os super-poderes divinos. Seu calendário de vacinação contra o cinismo foi publicado sobre um monte, onde proferiu as bem-aventuranças àqueles que cultivassem os traços de caráter que, juntos, combateriam de forma extraordinária o cinismo que era, que é e que há de vir. A fé do centurião (ao crer estar o seu filho curado, mesmo sem vê-lo), a obediência do cego (ao lavar os olhos sujos de lodo no tanque), a humildade da mulher cananéia, o despreendimento de Levi ao seguir o mestre (... pegue a sua cruz e siga-me)...

Nem sempre somos cínicos com intenção de enganar alguém. Recentemente conheci histórias de pastores que, após muitos anos de ministérios sentiram-se exaustos e incapazes de seguir com o ministério pastoral. No entanto, enfrentaram um grande tabu para falar a respeito das suas dificuldades, de sorte que por muitos anos sofreram veladamente, enquanto suas congregações não podiam imaginar o que acontecia. Aparência externa é fruto de disposição interna. Quando tentamos manter uma aparência externa sendo desonestos conosco mesmos, o maior enganado não é a sociedade, mas nós mesmos.

Gostaria de convidá-lo a conhecer alguns traços de caráter que nos tornam cristãos mais autênticos, derribando as barreiras do cruel evangelho do cinismo que se assenta no nosso meio.

Escola de Caráter

O cristianismo atual está enfrentando um bombardeio atroz por parte do mundo e do inimigo. Talvez nunca antes na história o Caráter Cristão tenha sido tão questionado quanto nos dias atuais. Mas será que nós sabemos, realmente, o que quer dizer Caráter?

Segundo o dicionário Aurélio, Caráter significa: “Qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; O conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento.”

A palavra Caráter deriva da palavra grega “charaktér”, cujo significado está associado ao ato de gravar ou imprimir. Esta etimologia é muito preciosa, pois traz a idéia que caráter é algo que está impresso no nosso interior.

Os valores impressos no nosso caráter, em geral, dirigem nossas ações de forma inconsciente. Nosso caráter se revela no convívio familiar, no trabalho e nas relações interpessoais, no trato com os semelhantes, no cumprimento dos deveres e responsabilidades, etc...

Caráter e Personalidade

Freqüentemente observa-se confusão com o uso destes dois termos, como se fossem sinônimos. No presente estudo, arbitraremos ao termo personalidade o seguinte significado: “aquilo em nossa maneira de ser que é moralmente neutro.”

Por exemplo, alguém pode ser mais efusivo ou mais tranqüilo, mais extrovertido ou mais introvertido, mais emotivo ou mais racional, sem que nenhum destes tipos seja necessariamente melhor que outro. Na personalidade se combinam fatores muito peculiares de temperamento, emotividade, constituição psicológica, inteligência, etc., que dão a cada indivíduo sua particularidade única.

Por caráter entendemos que seja “a integração de todas as virtudes e defeitos morais na personalidade”.

Como se forma o Caráter

O caráter de um indivíduo não é adquirido de uma só vez. É a resultante do somatório de vários elementos, individualmente chamados “traços de caráter” que, em sua coletividade, definem o caráter do sujeito.

O “traço de caráter” pode ser positivo ou negativo – uma virtude ou um defeito, respectivamente.

Quando praticamos uma mesma ação várias vezes, aos poucos esta ação se torna um hábito e pode se tornar um traço de caráter. De modo que, nossa conduta, em princípio, pode alterar nosso caráter e, uma vez forjado o caráter, este naturalmente condiciona a conduta.

A Influência do Meio Ambiente e da Sociedade na formação do Caráter

Há alguns anos atrás, o ambiente doméstico era o centro da formação do caráter do indivíduo. Antes do fenômeno da urbanização, era no núcleo familiar que as pessoas adquiriam a maior parte de seus traços de caráter.

Na atualidade, apesar da formação do caráter continuar sendo influenciada pelo ambiente familiar, ela sofre também a influência dos diversos ambientes em que o sujeito está inserido. As agremiações (escola, creche, ambiente de trabalho, igreja, etc...), e as mídias (rádio, TV, internet, jornais e revistas) dividem com a família a responsabilidade pela formação do caráter dos indivíduos.

A responsabilidade da Igreja

Leia Filipenses 4:8. Você concorda que as qualidades mencionadas aí representam “traços de caráter” desejáveis a qualquer cristão? No entanto, a expressão “Caráter Cristão” não aparece em lugar nenhum das Escrituras. Alguém afirmou que, apesar de o mundo jazer no maligno e estar morto em seus delitos e pecados, a maioria dos indivíduos que no mundo está não possui um comportamento desvairado ou impertinente. De fato, a maioria dos sujeitos não cristãos que conheço são honestos, se indignam com maldades sociais, possuem boa fama. Infelizmente posso dizer que conheço muitos cristãos mentirosos, desonestos, sonegadores, impertinentes, avarentos e injustos.

O “Caráter Cristão” precisa ter mais características além das mencionadas acima. Do contrário, poderia ser perfeitamente chamado de “Caráter moral”, sem prejuízo semântico. “Mas, por estranho que pareça, nós, cristãos, possuímos efetivamente dentro de nós uma parcela dos próprios pensamentos e da mente de Cristo”.1

Queremos compartilhar as ferramentas de Deus para transformação do nosso caráter à semelhança de Jesus. Como podemos ter impresso no nosso próprio caráter traços de caráter que pertencem ao próprio Filho de Deus – Jesus.

 

A formação do caráter cristão

O Projeto de Deus para nosso Caráter

Leia Hebreus 1:1-3. Destaque na sua Bíblia a palavra imagem. Nesta passagem, a palavra imagem quer dizer que Cristo tem exatamente o mesmo caráter que Seu Pai. Todas as virtudes morais do Pai estão no Filho.

Agora atente-se para Gênesis 1:7 – Veja que o homem foi criado à imagem de Deus. Em que consiste esta imagem de Deus no homem? Entre outras coisas, isto significa que Deus criou o homem com o mesmo caráter moral que Ele mesmo. O plano original de Deus é que todos os descendentes de Adão e Eva tivessem o mesmo caráter de Deus.

Fomos predestinados a ser filhos de Deus e também para ser feitos conforme a imagem de Seu Filho.1

O Plano de Deus mudou?

Estes textos nos revelam que, apesar de havermos pecado e perdido a imagem de Deus, o plano redentor de Deus em Cristo é nos transformar até formar novamente o caráter de Cristo em nosso caráter.

Fomos escolhidos antes da fundação do mundo não meramente para sermos salvos, mas para sermos santos diante de Deus em toda nossa maneira de viver.2

Fomos chamados não somente para ter Deus como Pai, mas para sermos perfeitos como Ele.3

O que quer dizer perfeito?

O termo “perfeito” nestes textos3 é a tradução da palavra grega “teleios”, cujo significado não se refere a uma perfeição absoluta. Teleios significa: Completo, total, acabado, rematado; que tem os caracteres distintivos totalmente desenvolvidos.

Isto significa que o plano de Deus é nos edificar em todos os aspectos de nossa vida e caráter.

Nascer de novo é somente o primeiro passo

Temos que crescer até chegar à medida da estatura de Cristo. Este é o propósito de Deus ao estabelecer todos os dons e ministérios na Igreja.4

Ter o “Caráter de Cristo” consiste em ataviar nosso caráter com valores que existiram em Jesus e que somente podem ser mantidos através do Espírito Santo. Viver o “Caráter Cristão” é ataviar a vida com algo mais do que valores morais.

As virtudes do caráter cristão

O Sermão da montanha, segundo alguns estudiosos, foi a primeira parte escrita dos evangelhos. Esta era a base que a igreja do primeiro século usou para doutrinar os discípulos.

Bem-aventurados significa felizes. A felicidade aqui não é um objetivo, mas uma conseqüência – a conseqüência de ter o caráter de Deus e fazer a Sua vontade.

O verbo mais evidente aqui é “ser”. Caráter é justamente o que somos, o que determina nossa conduta. As bem-aventuranças são a descrição das virtudes do Caráter de Jesus.

1. A Humildade

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” 2

Este é o primeiro traço de caráter assinalado por Jesus. Por que começar logo com a humildade? A humildade de coração é a pedra fundamental da construção e formação do caráter cristão. Tudo se inicia aqui. Lembre-se, o pecado começou com a negação deste traço de caráter – o orgulho de Lúcifer, Adão e Eva em querer ser como Deus.

"Bem-aventurados os humildes ou pobres de espírito...", bem-aventurados os que sabem que neles não há recursos; é isso que significa, não há recurso, se humilhem diante dessa verdade, reconheçam. É para esses o reino dos céus.

O orgulho, a soberba, a vaidade, a arrogância, a auto-suficiência são a corrupção deste traço do caráter. Como é difícil vencer a vaidade! Como é difícil dizer que algo que lutamos tanto para conquistar, na verdade não é mérito nosso, e sim de Deus! Como, então, podemos vencer o orgulho e assumir o primeiro traço de caráter dito por Jesus? 3

2. O espírito quebrantado

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” 4

Leia Isaías 57:15.

Não tratamos aqui daqueles que se esvaem em lágrimas por autocomiseração, com pena de si mesmos. Jesus quer dizer aqui que são felizes aqueles que choram por experimentar um legítimo quebrantamento diante de Deus.

Os descritos como “os que choram”, choram com os que choram e pelos que choram.

O grande inimigo deste traço de caráter é o sentimento de autocompaixão. Sentir pena de si mesmo não traz qualquer crescimento ao nosso caráter. Pelo contrário, de certa forma apela para um espírito egoísta.

Chorar com os que choram e pelos que sofrem exige do cristão um movimento em direção aos irmãos. Ninguém participa dos sofrimentos alheios à distância. É preciso estar junto.

Chorar diante do pecado, da injustiça, da incredulidade, da desobediência, também é uma conduta que este traço de caráter nos conduz a ter.

Lembre-se, porém, que este choro é um choro profético. Leia Tiago 4:8-10.

3. Mansidão

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” 5

Leia Mateus 11:29.

A terceira qualidade mencionada por Jesus é a mansidão. Segundo o Dicionário Aurélio, mansidão significa Índole ou procedimento pacífico de quem é manso; brandura; Serenidade, tranqüilidade, calma.

O Manso é aquele que abre mão do seu direito a favor do próximo. É aquele que não se vinga quando é prejudicado; é gentil, humilde, sensível e paciente com todos.

Aquele que é manso também aceita com paz as adversidades e as provas da vida. Jesus no Jardim do Getsêmani demonstra esta mansidão submetendo-Se à vontade soberana do Pai.

O adversário deste traço de caráter é chamado de rebeldia. Esta rebeldia pode ser violenta, com gritos, pelejas, discussões, ou pode também ser uma rebeldia amável ou silenciosa mas que no final faz sua própria vontade.

Manso é aquele que vive submisso a Deus, sua Palavra, seus irmãos e às autoridades.

4. A Justiça

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” 6

Leia também Mateus 6:33. Esta bem-aventurança é, muitas vezes, mal interpretada. Fome e sede falam de necessidades individuais, essenciais para a vida. Ter este traço de caráter significa ter um desejo íntimo em ser considerado justo diante de Deus – assim como Jesus.

É outra forma de dizer que tem fome de Deus. Só Deus é justo.

A Justiça das nações do ocidente está baseada no direito romano. A Justiça de Deus é superior a qualquer sistema humano de juízo. A Verdadeira Justiça de Deus está inseparavelmente ligada ao amor e à misericórdia. 7

Os que se opõem a este traço de caráter, freqüentemente querem parecer justos diante de Deus e da sociedade baseando-se nos seus próprios méritos e virtudes pessoais. 8

5. A Misericórdia

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” 1

Misericórdia é uma palavra com dupla origem. Sua primeira parte vem da raiz da palavra miséria e da outra parte deriva a palavra coração.

Acompanhe as definições do Aurélio: “Misericórdia: Compaixão suscitada pela miséria alheia”; “Compaixão: Pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem; piedade, pena, dó, condolência”.

Misericórdia é a capacidade de experimentar ou até mesmo sofrer com o próximo. Também pode ser entendida como um castigo merecido, porém não aplicado. Ex. Dívida perdoada.

O que pode resistir a este traço de caráter?

6. Pureza de Coração

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” 2

O que é ter um coração puro? De forma bem simplista, é ter um coração que não contém impurezas. Sob o aspecto espiritual, impureza traz a idéia de pecado. Portanto, um coração puro é um coração que não está maculado pelo pecado.

Este traço de caráter não é algo que se estabelece instantaneamente. Trata-se de um processo que ocorre continuamente no coração sincero que se relaciona com Deus de forma honesta.

“Os limpos de coração são os inteiramente sinceros. Toda a sua vida, pública e privada é transparente diante de Deus e dos homens. Os seus pensamentos e motivações são puros, sem mistura de nada que seja desonesto, dissimulado e malicioso”. John Stott

Muitos acham que podem ser puros de coração para o vizinho. São excelentes investigadores da vida alheia. Na verdade, este traço de caráter trata nosso próprio pecado diante de Deus.

Qual é a dica para aqueles que querem desenvolver este traço de caráter? 3

7. A Paz

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” 4

Este verso também pode ser traduzido como: “felizes aqueles que criam harmonia”. Pacificadores são os que promovem a paz. Não é nem aquele que mantém a paz existente, mas aquele que se envolve numa situação em que a paz foi quebrada e a restaura. A bem-aventurança não fala de um pacifista, mas de um reconciliador. É bom amar a paz. Promover a paz é melhor.

Como agentes da paz, os discípulos de Jesus procuram construir a paz em todo e qualquer lugar em que se encontram. Do seu relacionamento com Deus a paz deve jorrar para a vida pessoal e individual, para o universo da família, da vizinhança, da escola, da fábrica, do escritório.

Isto, de maneira alguma, indica que o cristão não pode se envolver em algum conflito. Fica mais do que explícito, através dos ensinamentos de Jesus a seus apóstolos, que jamais deveríamos nós mesmos procurar o conflito ou ser responsáveis por ele – este é o traço de caráter do pacificador.

Os indivíduos com temperamento explosivo freqüentemente não conseguem desenvolver bem este traço de caráter, e vez por outra são gatilhos de conflitos. Lembre-se que o vínculo da paz é o que mantém a unidade da Igreja. 5

8. Alegria na perseguição

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” 6

Finalmente, o último traço de caráter mencionado por Jesus no início do Sermão da Montanha trata da alegria. No entanto, não é uma alegria comum, como a que temos ao estar com uma pessoa querida ou receber um presente. Jesus não está nos chamando aqui para participar de uma alegria ordinária, mas algo extraordinário. Somos chamados a nos alegrar quando submetidos a circunstâncias desfavoráveis.

É certo que só poderão exercitar este traço de caráter aqueles que se dispuserem a assumir um compromisso sério com Deus de fazer a Sua Vontade. Ninguém será perseguido se não se envolver. Lembre-se que um traço de caráter para ser incorporado pelo nosso, precisa ser vivenciado!

Outros “traços de caráter” ensinados nas Escrituras 

Pv 6.6-11 / 2 Ts. 3.7-12

Pv 10.4/13.4

2 Tm 3.14

1 Co 9.25-27

1 Tm 3.4 /1 Ts. 4.11

Ef 4.14

Ef 6.11

Js 1.6-9

Hb10.22

1 Ts 4.6

Sl 15.2

1 Tm 5.21/ Lv. 19.15

1 Pd 2.17

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