O erro de Roboão.

28/09/2016 09:46

“A morte de Salomão marcou outro importante ponto decisivo na história de Israel. A linha-dura administrativa, as leis de recrutamento obrigatório para o trabalho e as experiências sobre pluralismo religioso levaram a grande tensão no princípio do reinado de Roboão, filho de Salomão.”

“Foi Roboão a Siquém, porque todo o Israel se reuniu lá, para o fazer rei. Tendo Jeroboão, filho de Nebate, ouvido isso (pois estava ainda no Egito, para onde fugira da presença do rei Salomão, onde habitava e donde o mandaram chamar), veio com toda a congregação de Israel a Roboão, e lhe falaram: Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos. Ele lhes respondeu: Ide-vos e, após três dias, voltai a mim. E o povo se foi. Tomou o rei Roboão conselho com os homens idosos que estiveram na presença de Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, dizendo: Como aconselhais que se responda a este povo? Eles lhe disseram: Se, hoje, te tornares servo deste povo, e o servires, e, atendendo, falares boas palavras, eles se farão teus servos para sempre. Porém ele desprezou o conselho que os anciãos lhe tinham dado e tomou conselho com os jovens que haviam crescido com ele e o serviam. E disse-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo que me falou, dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs? E os jovens que haviam crescido com ele lhe disseram: Assim falarás a este povo que disse: Teu pai fez pesado o nosso jugo, mas tu alivia-o de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. Assim que, se meu pai vos impôs jugo pesado, eu ainda vo-lo aumentarei; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões. Veio, pois, Jeroboão e todo o povo, ao terceiro dia, a Roboão, como o rei lhes ordenara, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia. Dura resposta deu o rei ao povo, porque desprezara o conselho que os anciãos lhe haviam dado; e lhe falou segundo o conselho dos jovens, dizendo: Meu pai fez pesado o vosso jugo, porém eu ainda o agravarei; meu pai vos castigou com açoites; eu, porém, vos castigarei com escorpiões. O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque este acontecimento vinha do SENHOR, para confirmar a palavra que o SENHOR tinha dito por intermédio de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate. Vendo, pois, todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, reagiu, dizendo: Que parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de Jessé! Às vossas tendas, ó Israel! Cuida, agora, da tua casa, ó Davi! Então, Israel se foi às suas tendas.” (1 Reis 12:1-16)

“Depois da divisão entre Judá e Israel, o povo de Deus, antes unido, começou a seguir caminhos diferentes. Vendo que o centro de adoração e sacrifício estava localizado em Judá, o rei de Israel, Jeroboão I, mandou fundir dois bezerros de ouro (1Rs 12:26-29) e erguer dois lugares de adoração com altares – um em Betel e o outro em Dã. As coisas não pareciam boas para Israel e, nos duzentos anos seguintes, os israelitas tiveram a experiência de uma montanha-russa. Alguns reis seguiram (ao menos com um coração dividido) o chamado de Deus ao arrependimento; outros recusaram obstinadamente ouvir os profetas. As dinastias mudaram, e houve muitos assassinatos políticos. Desde Jeroboão I até o último rei de Israel em Samaria, Oseias, reinaram vinte reis, sinalizando a instabilidade do reino. Finalmente, em 722 a.C., Samaria foi capturada pelos assírios, e Israel foi levado em cativeiro. [...] Em 586 a.C., Jerusalém caiu diante dos babilônios. A liderança e boa parte da população da cidade foram levadas a Babilônia. O templo foi destruído. A “experiência” real terminou.”

 

Sobre reis e príncipes.

 

“Disse o SENHOR a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele. Segundo todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do Egito até hoje, pois a mim me deixou, e a outros deuses serviu, assim também o faz a ti. Agora, pois, atende à sua voz, porém adverte-o solenemente e explica-lhe qual será o direito do rei que houver de reinar sobre ele. Referiu Samuel todas as palavras do SENHOR ao povo, que lhe pedia um rei, e disse: Este será o direito do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos e os empregará no serviço dos seus carros e como seus cavaleiros, para que corram adiante deles; e os porá uns por capitães de mil e capitães de cinquenta; outros para lavrarem os seus campos e ceifarem as suas messes; e outros para fabricarem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores. As vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais e aos seus servidores. Também tomará os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos. Então, naquele dia, clamareis por causa do vosso rei que houverdes escolhido; mas o SENHOR não vos ouvirá naquele dia. Porém o povo não atendeu à voz de Samuel e disse: Não! Mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras.” (1 Sam. 8:7-20).

“Embora tenha recebido tanto de Deus, e tanto mais lhe tenha sido prometido caso obedecesse, o povo de Israel foi influenciado negativamente pela cultura circundante. Por exemplo, os israelitas viam nos reinos vizinhos uma estrutura política muito diferente. Todas aquelas nações tinham um rei. Agravada pelo fato de que os filhos de Samuel não imitavam o comportamento e a liderança de seu pai, mas ‘aceitavam suborno e pervertiam a justiça’ (1Sm 8:3, NVI), a liderança tribal de Israel sentia que estava na hora de escolher um rei sobre Israel (1Sm 8:4, 5). Samuel não ficou nada satisfeito com aquela decisão, mas foi orientado pelo Senhor a aceitar (1Sm 8:7).”

 

Da vitória à “idade das trevas”

 

“Depois dos poderosos atos de Deus durante o Êxodo e a jornada no deserto, o povo de Israel havia chegado pela segunda vez à fronteira da Terra Prometida. Sob seu novo líder, Josué, o povo estava a ponto de cruzar em seco o Jordão (Js 3:16, 17), um milagre que reproduziu a travessia do Mar Vermelho durante o tempo do Êxodo (Êx 14).”

“A travessia do Jordão tinha um propósito – "Então, disse Josué aos filhos de Israel: Chegai-vos para cá e ouvi as palavras do SENHOR, vosso Deus. Disse mais Josué: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós e que de todo lançará de diante de vós os cananeus, os heteus, os heveus, os ferezeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus. Eis que a arca da Aliança do Senhor de toda a terra passa o Jordão diante de vós. Tomai, pois, agora, doze homens das tribos de Israel, um de cada tribo; porque há de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do SENHOR, o Senhor de toda a terra, pousem nas águas do Jordão, serão elas cortadas, a saber, as que vêm de cima, e se amontoarão. Tendo partido o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levando os sacerdotes a arca da Aliança diante do povo; e, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os seus pés se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega), pararam-se as águas que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adã, que fica ao lado de Sartã; e as que desciam ao mar da Arabá, que é o mar Salgado, foram de todo cortadas; então, passou o povo defronte de Jericó. Porém os sacerdotes que levavam a arca da Aliança do SENHOR pararam firmes no meio do Jordão, e todo o Israel passou a pé enxuto, atravessando o Jordão.” (Jos. 3:9-17).

“Canaã não foi tomada por Israel devido ao gênio militar de Josué nem dos esforços valorosos de Israel. A vitória sobre os habitantes das cidades-estados cananeias só foi alcançada pela intervenção poderosa de Deus. Quando Israel foi obediente, Deus lhe deu a vitória; porém, quando os israelitas confiaram nas próprias forças, eles falharam desesperadamente. Depois da morte de Josué e dos anciãos, algumas partes da Terra Prometida ainda eram dominadas pelos cananeus (Jz 1:27, 28). Parece que, com a diminuição da visão dos israelitas, também diminuiu sua fé. [...] Muitos estudiosos chamam os séculos seguintes de a ‘idade das trevas” de Israel.’”

No tempo dos juízes, "[...] não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto." (Juí. 17:6).

“Israel perdeu a perspectiva como nação; o tribalismo assumiu o comando. Ao longo do livro de Juízes, os vários clãs e tribos estavam prontos e dispostos a combater entre si. As práticas religiosas eram misturadas conforme a conveniência pessoal, e muitas crenças das culturas circundantes foram adotadas. De acordo com o autor do livro de Juízes, esse foi o resultado dos casamentos mistos com os cananeus que ainda viviam na terra (Jz 3:3-7). Como consequência desse declínio espiritual, Israel entrou em um ciclo de dominação pelas forças estrangeiras, libertação, idolatria e, novamente, dominação.”

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