Honra e Responsabilidade

14/09/2017 15:46

“O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. Totalmente desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo; porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer.”
Êxodo 18:17,18

“E disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo? Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais? De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer;
Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim. E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal.”

Números 11:11-15

Em Êxodo, vemos uma atitude tomada por Moisés, seguindo a sugestão de seu sogro Jetro, que “temia que Moisés desfalecesse totalmente por causa do seu encargo. A nomeação dos setenta é contada em Números com mais detalhes.

Em Números, Moisés está esmagado com o peso da responsabilidade que pesava sobre “os seus ombros”, e dá vazão à angústia do seu coração. Assim, Moisés sai de um lugar de  honra.

Se Deus achou por bem fazer de  Moisés o único instrumento para administrar o seu povo, isso era alta honra e sagrado privilégio. Sim, existia também uma responsabilidade imensa; porém com fé teria visto a suficiência de Deus para suprir todas as suas necessidades. Porém, Moisés desfalece e afirma que “Eu só não posso levar a todo este povo”. Mas Moisés não levava o povo sozinho! Deus estava com Ele! O povo não era pesado para Deus, sendo ele mesmo quem os carregava. Moisés nada mais era do que o instrumento. Seria a vara quem libertara o povo do Egito?  O que a vara era nas mãos de Arão, assim era Moisés nas mãos de Deus!

É aqui que os servos de Deus falham constantemente, e a falha é ainda maior quando está revestida de falsa humildade. Fugir de uma grande responsabilidade pode parecer falta de confiança na sua capacidade pessoal e demonstrar humildade, porém o que precisamos ver é “quem colocou essa responsabilidade?”. Se foi Deus, é ele quem estará conosco e nos dará força e capacidade para desempenhá-la. Essa é a capacidade que precisamos para suportar qualquer peso. Com Ele, o peso de uma montanha não será nada. Sem Ele, uma pena terá peso esmagador.

Uma coisa é quando o homem apressa-se e toma um fardo pela sua própria vaidade ou pela indicação humana. Fardo esse que Deus nunca intentou de lhe dar. Esse, logo estará esmagado sob o peso que a si mesmo encarregou de levar.

Porém, quando Deus é quem dá essa responsabilidade, dá também a aptidão e a capacidade para carregá-la. É ele quem dá as forças necessárias.

Abandonar o lugar dado por Deus, nunca é fruto da humildade. Pelo contrário! A humildade é manifesta na permanência nesta posição na mais profunda dependência. Quando recuamos ante um serviço sob a desculpa da incapacidade estamos preocupados é com o ego, com nós próprios. Deus nunca chama ninguém baseado na nossa capacidade e sim na Sua. Assim, caso a minha preocupação não seja o “eu”, ou desconfie dEle, não preciso sair do lugar em que ele me colocou em virtude da responsabilidade que ele exige. Todo poder pertence a Deus, e é ele quem escolhe o instrumento para manifestação desse poder. Tanto faz se é um ou setenta. O poder é o mesmo! Se um instrumento recusa a responsabilidade, é ele mesmo quem perde. Deus não obriga ninguém a assumir um local de honra se a confiança não for totalmente posta nEle para a manutenção deste lugar. A porta de saída estará sempre aberta para que saia da função e se ponha no lugar que é próprio da incredulidade.

Foi isso que ocorreu com Moisés. Ao queixar-se do fardo, este foi imediatamente removido e junto com ele, a honra de conduzi-lo. “E disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali estejam contigo. Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho.” Números 11:16,17.

Veja que nenhum outro poder, nenhuma nova capacidade foi acrescentada, nenhuma virtude a mais surgiu. Era o mesmo Espirito, que em um ou em setenta, operaria. Não havia mais capacidade em setenta homens do que em um só. “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita.” João 6:63. Nada se ganhou quanto ao poder ou a capacidade. Apenas Moisés perdeu!

Moisés segue em sua incredulidade: “E disse Moisés: Seiscentos mil homens de pé é este povo, no meio do qual estou; e tu tens dito: Dar-lhes-ei carne, e comerão um mês inteiro. Degolar-se-ão para eles ovelhas e vacas que lhes bastem? Ou ajuntar-se-ão para eles todos os peixes do mar, que lhes bastem?”. Números 11:21,22.  O que resulta em forte reprimenda da parte de Deus: “Porém, o Senhor disse a Moisés: Teria sido encurtada a mão do Senhor? Agora verás se a minha palavra se há de cumprir ou não.” Números 11:23.

É clara a relação entre os versos 11 a 15 e 21 a 22. Ao recusar a responsabilidade fundamentando-se em sua fraqueza coloca-se em dúvida a suficiência e a plenitude de Deus.

Essa é uma lição para todo servo de Cristo que sente-se só ou sobrecarregado com seu trabalho. Lembre-se que o Espírito Santo está operando. Para ele, um instrumento é tão eficaz quanto setenta, e onde ele não opera, setenta não terá mais valor que um. Tudo depende de Deus. Com Ele podemos fazer tudo, sofrer tudo e suportar tudo. Sem Ele, uma multidão não terá valor algum. Que o servo solitário se recorde, para conforto e ânimo, que contando que a presença e o poder do Espirito Santo esteja consigo não há motivos para queixas e nem pedir para que o trabalho diminua.

Se Deus honra o homem dando-lhe muita responsabilidade a cumprir, alegre-se e não murmure. Se murmurar, perderá a honra rapidamente. Deus não tem dificuldade para substituir instrumentos. “Até das pedras ele levanta filhos a Abraão” e das mesmas pedras pode levantar os instrumentos necessários para o cumprimento de Sua obra.

Que haja sempre um coração disposto a servi-lO! Coração paciente, humilde, consagrado e despido de si. Coração pronto para servir tanto com outros quanto só, que encontra no amor divino a sua alegria e dEle retira forças. Que entenda o prazer de servir a Deus, em que serviço for. Essa será a necessidade no dia de nossa ventura. Que o Espírito Santo desperte em nós um sentimento profundo de prontidão para em qualquer situação termos sempre a resposta da jovem de Belém: “cumpra-se em mim segundo a tua palavra” Lucas 1.38

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