Fraudes Espirituais - A Igreja em Células e o Movimento G12

21/09/2012 09:50

 

A Igreja em Células é apresentada como uma revivescência da igreja primitiva. Seus proponentes criticam a igreja organizada, do mesmo modo como nós o fazemos. Eles falam da igreja primitiva e afirmam estar de volta às suas raízes. Será que isso é verdade ou se trata apenas de uma sutil e fraudulenta imitação? Como é possível saber qual a diferença que existe entre as duas?

Os co-pais do moderno Movimento da Igreja em Células são Juan Carlos Ortiz e David Yong Cho, da Argentina e Coréia do Sul, respectivamente. [Nota da tradutora: Há quem diga que o atual "David", que antes se chamava "Paul", mudou o seu nome porque "Paul" significava apenas o nome do maior apóstolo de Cristo, enquanto "David" representa o Rei a quem de direito pertence, eternamente, o trono de Israel]. O movimento foi popularizado nos EUA por Ralph Neighbors, Carl George e outros. Conforme veremos mais tarde, ele está estreitamente ligado ao Movimento dos Apóstolos e Profetas. Discutiremos cada um destes, logo mais, para termos uma visão mais aproximada da estrutura da Igreja em Células.

Raízes do Apascentamento/Discipulado e do Pensamento Positivo

Juan Carlos Ortiz deu início às igrejas em células nos passados anos 1960/70. A ele dá-se o crédito de ter deslanchado o movimento de apascentamento e discipulado nos EUA, quando introduziu os seus ensinos de discipulado aos proponentes, mais tarde conhecidos como Fort Luderdale "Five". Ele declara que cada pessoa precisa estar sob a autoridade de alguém. Sua primeira lei no discipulado é: "Não existe formação sem submissão" e a segunda: "Não existe submissão sem submissão" ("Disciple", Juan Carlos Ortiz, ps. 111,113). Ele esclarece isto, dizendo: "Somente quando estou na linha é que a autoridade pode passar de mim para os outros... Quem quiser ter o direito de controlar os outros, precisa estar, ele mesmo, sob o controle de outros" (Ibid, os. 113,114). Ele ressalta uma estrutura, na qual os comandos para o corpo fluem "do alto, através do meio, para a extremidade inferior" (Ibid, p. 125). Não seria essa uma errônea analogia da nossa anatomia? Os comandos não fluem da nossa cabeça, através do pescoço, do coração, do estômago, das pernas e dos pés para movimentar os artelhos. Existe uma conexão direta entre a cabeça e os artelhos. Não existe hierarquia no corpo. Cada membro é conectado, através do sistema nervoso, à "cabeça". Eis aqui a exata diferença entre a Antiga e a Nova Aliança. A Antiga era exterior, organizacional e hierárquica, enquanto a Nova é orgânica, embasada no relacionamento de cada um de nós com Deus.

Outra doutrina fundamental de Juan Carlos Ortiz é o ofício de "apóstolos", na igreja moderna. "O Novo Testamento não fala constantemente da doutrina de Jesus, mas da doutrina dos apóstolos. Eles eram infalíveis." Esta pode ser uma doutrina católica e tenho dúvidas de que os apóstolos iriam concordar com a mesma. Lembre-se deste conceito, quando chegarmos ao capítulo 10, sobre "Apóstolos, Profetas e Submissão". Ele conclui com a idéia de "uma igreja, uma cidade", na qual todos os pastores da cidade são co-pastores de uma igreja (Ibid, os. 128,129). É a tentativa de manter os cristãos de uma cidade sob o comando de um grupo de "super-anciãos", consistindo de apóstolos auto-nomeados sobre os pastores e o laicato dessa cidade. A base do Movimento da Igreja em Células é uma interpretação não bíblica da submissão, na qual cada pessoa deve estar sob ou sobre o comando de outra. Discutiremos isso com mais profundidade no próximo capítulo. Ora, o pastor hispânico, atualmente, na Catedral de Cristal de Robert Schüller, trabalhando de mãos dadas com este, é Juan Carlos Ortiz. Para quem é iniciante e achar que Schüller é apenas um apóstata, vejamos: "O falso ensino de Schüller é um assunto extremamente sério, à luz de sua ampla influência. Ele é o mais popular em sua difusão pela TV na América. Seus livros são vendidos aos milhões. Ele aparece ao lado de presidentes. O seu 'Cristianismo da auto-estima' tem sido adotado por multidões. Elas acham que são cristãs e freqüentam igrejas; porém, na realidade, adoram um falso cristo e seguem um falso evangelho. Roberto Schüller e o seu mentor, o falecido Norman Vincent Peale, são dois entre os mais danosos promotores do erro". (https://rapidnet.com/~jbeard/bdm/expose/schuller/). Acesse este website, para ler uma exposição mais completa do assunto supra.

A Igreja em Células de maior sucesso e, sem comparação, reputada como a maior do mundo, fica em Seul, Coréia do Sul, a qual lidera um milhão de membros. David Yon Cho também está estreitamente vinculado ao Movimento Positivo de Robert Schüller, englobando curas miraculosas, profecia, visualização, teologia da prosperidade e outras práticas pentecostais. "O ensino de Cho é um sistema da mente dominando a matéria (ou então da imaginação dominando a matéria). Ele admite francamente ser essa uma versão cristianizada dos métodos praticados pelos budistas, expoentes da Yoga e seguidores de outros sistemas pagãos, místicos e ocultistas... Sobre o pensamento positivo (confissão), Cho declara: 'Você pode criar a presença de Jesus com a sua boca... Ele pode ser aprisionado pelos seus lábios e pelas suas palavras...'" Quanto à visualização, a técnica, mais poderosa do ocultismo, Cho escreve: "Através da visualização e do sonho, você pode incubar o seu futuro e conseguir os resultados" (Para obter mais detalhes, acesse o site:

https://www.rapidnet.com/jbeard/bdm/exposes /cho/general/htm).

Cho ensina que a chave do sucesso se encontra no pensamento positivo, na visualização e no falar, para que se dê origem à realidade física. Isso não é Cristianismo. É pura bruxaria!

Cho declara: "Nossa Igreja tornou-se um organismo vivo, no qual as células são vivas, funcionando identicamente às células do corpo humano. Em um organismo vivo as células crescem e se dividem. Onde antes existiu uma célula, agora existem duas. Depois haverá quatro, oito, dezesseis e assim por diante. Elas são simplesmente acrescentadas ao corpo numa progressão geométrica". ("Successful Home Cell Groups", David Yong Cho, p. 65).

A Igreja de Cho não é uma rede de igrejas domésticas, porém uma igreja dividida em células, com uma rígida liderança hierárquica e compulsórios serviços semanais. Ela se encaixa mais no modelo da Meta-Igreja de Rick Warren, a Igreja de Saddleback.

Uma estrutura em pirâmide - Controle e mais controle

Conforme veremos, as igrejas em células são todas elas estruturas piramidais, onde os líderes aprendizes são cuidadosamente reinados e monitorados apenas sob a liderança de outro líder e do "staff" da igreja. Embora afirmem seguir os métodos do "Novo Testamento", elas são mais rígidas e autoritárias do que as estruturas tradicionais que temos hoje. O famoso consultor de "Crescimento da Igreja" Carl F. George, descreve os sistemas "Jetro I e Jetro II", cujos nomes derivam do sistema instituído por Moisés com os "juízes da lei". Ele começa com o indivíduo, seguido pelos líderes aprendizes, o líder do grupo de células, o líder de dez, o líder de cinco grupos de dez, o líder de 100 e o de 500. A falha neste caso é que a forma organizacional do Antigo Testamento, incluindo o Templo e o sacerdócio, foram descartados pela Nova Aliança. [Nota da Tradutora: Todo criador de novidades no Cristianismo atual tende a se embasar no Antigo Testamento e no Gnosticismo, pois o NT não dá margem a esses engodos].

Os pastores desenvolvem uma hierarquia clerical e líderes leigos, numa organização que pode ser desenhada num mapa chamado "Meta-Mapa". "O hábil uso do 'Meta-Mapa' permite que o "staff" e os escritórios entendam como são configuradas as suas igrejas, de modo a que possam movimentar fatores críticos importantes, como, por exemplo, onde se encontram os líderes e líderes em potencial, as novas pessoas, como os visitantes estão sendo tratados e onde os membros antigos são aparentados com os membros mais novos. Um 'Meta-Mapa' possibilita que os líderes vejam o que acontece depois que cada pessoa se reuniu em adoração corporativa: aonde elas vão? Qual a tarefa que estão levando com elas? Qual o estágio de vida que estão ocupando? ... Cada símbolo visual no 'Meta-Mapa' representa um líder a ser supervisionado, um sítio de treinamento para a produção de um aprendiz..." (Carl F. George - "The Coming Church Revolution", p. 246). Longe de serem liberalmente organizados e estarem sob a direção do Espírito Santo, os grupos de células são fortemente controlados dentro da hierarquia da igreja.

Seus proponentes sentem que "a igreja embasada no programa tradicional não pode conter o futuro reavivamento" (Larry Stocksill - "The Cell Church", p. 17). As linhas seguintes descrevem uma reunião ideal de células:

 

"Às vezes, no estabelecimento de um lar, cada pessoa se move numa área de vida, começando com um 'quebrador o gelo', como, naturalmente, em qualquer outro tópico de conversa. O líder do grupo coloca uma simples pergunta (escrita em cada lição), à qual cada pessoa deve dar uma resposta rápida ou engraçada. Um "quebrador de gelo" é indispensável, pois ele promove a comunidade de grupo e ainda abre uma possibilidade dos membros compartilharem. O próximo componente é uma discussão de quatro perguntas embasadas numa passagem da Escritura. Nossos grupos geralmente discutem o tópico do sermão do domingo passado... A lição termina com uma 'aplicação'... Após a lição, o grupo focaliza mais uma vez a oração e a 'visão'" (Ibid, ps. 135,136). Esta é dificilmente uma explanação de uma espontânea "igreja primitiva", onde cada pessoa seguia a direção do Espírito Santo. Compartilhar, segundo esse relato, o sermão do domingo passado? E onde fica o Espírito Santo nessa história?

Em sua excelente obra sobre o assunto, Tricia Tillin diz o seguinte:

"À primeira vista, parece existir pouca distinção entre as igrejas em células e as igrejas domésticas, pois a retórica parece idêntica. Ambas condenam as estruturas eclesiásticas das antigas denominações, ambas ressaltam a estrutura informal da igreja primitiva, apressando os cristãos a mudarem o pensamento sobre a maneira como a igreja deve ser organizada.

Contudo, os objetivos de cada uma são idênticos. Os cristãos poderiam ser desculpados por acreditarem que as igrejas em células constituem outro método - um método recomendável - de evitar o apascentamento austero, deixando claro que os anciãos não exigem tanta autoridade, resultando em nada a ser feito pelos membros da igreja, exceto o dever de se submeterem e obedecerem como ovelhas.

Infelizmente, porém, o contrário é que é verdade, pois, conforme veremos, o sistema da igreja em células se destina a reforçar a mais estrita obediência à nova ordem do governo apostólico, assegurando que essa obediência seja difundida pelos comandos locais e, eventualmente, pelo mundo inteiro (ênfase do autor).”

(Veja "Transforming Church, Tricia Tillin:

https://www.banner.org.uk/apostasy/cell-church7.htm.)

Conforme ressalta a escritora Tricia, o propósito desse movimento é apresentar a "nova ordem eclesiástica" da revelação do governo apostólico e profético (extra-bíblico). Tricia chega ao ponto de citar o escritor britânico Brian Mills, líder sênior do movimento de reconciliação cultural e autor do livro "Sins of the Father" (Pecados do Pai), cujos escritos estão no website DAWN International, o qual diz que:

"Deus está transacionando o seu povo. É tempo de se preparar... tempo de mudança. Ele está colocando a Igreja em seu devido lugar e compreensão, através dos quais ela possa cumprir o seu propósito na terra... Ele está querendo que a Igreja encha a terra com a Sua glória, a fim de que ela seja subjugada, para Ele ter domínio sobre a mesma. Ele está querendo que ela cumpra os seus propósitos no Cosmo. Ele quer que ela triunfe sobre os principados e potestades... Um movimento espiritual paradigma já se encontra em movimento, numa porção de frentes e de várias maneiras... Uma redefinição das compreensões geralmente mantidas e de conceitos familiares. Nesse sentido temos entendido que os aspectos de Sua vontade não têm sido suficientes para deslanchar a colheita final e expressar a Sua vontade, assim na terra, como no céu... Em vez disso, temos visto igrejas em termos de moldes denominacionais... Todas essas definições serão redefinidas - pois são delimitadoras e seccionais. Existe apenas uma igreja na terra - a de Jesus Cristo.

Falamos agora das Igrejas em Células, igrejas jovens, igrejas das crianças, igrejas domésticas. Precisamos permitir outra expressão de igrejas nos locais de trabalho, nas instituições e em comunidades, onde não seja apropriado existir um modelo denominacional... Elas devem ser também definidas em termos relacionados às necessidades... Serão redefinidas no emprego. O negócio modelará a igreja para os seus empregados e clientes. As pessoas que trabalham em diversão e nas artes deveriam compor a sua igreja conforme os seus próprios termos e premissas.

Os pastores não mais verão o seu ministério simplesmente em termos de apascentar um grupo específico de psoas chamado congregação. Eles serão convocados a cooperar através das nascentes e das fronteiras, de modo a serem pastores de cidades. Desse modo eles começarão a ter responsabilidade diante de Deus pela sua cidade e todas as suas expressões de vida. Eles vão pastorear o governo local, a polícia, os serviços de educação. Vão pastorear as áreas da cidade ainda não atingidas, procurando expressar, ali, a igreja de uma nova maneira.

A batalha cósmica pelo controle do mundo se aproxima. Não devemos ver isso apenas em termos humanos, nesta área da globalização - mas também em termos cósmicos... A igreja precisa aprender a combater os poderes cósmicos das trevas - em unidade de coração, mente, vontade e propósito, em completa harmonia com os propósitos divinos... É tempo da igreja, como entidade corporativa, descobrir como operar em uníssono" (Brian Mills, Outubro 2000).

Mills conclui: "O que significa substituir os sistemas de congregações locais por pastores autônomos? É a Igreja Universal organizada em pequenas células, facilmente monitoradas, todas elas dirigidas por monitores aprovados, anciãos e grupos apostólicos, por toda a cidade, especialmente treinados, os quais, por sua vez, darão contas e serão controlados pelo governo apostólico central, o qual estará nas mãos de figuras como Peter C. Wagner, o apóstolo principal" (Ibid, Ticia Tillin, Parte 7). Agora já conseguimos ver o poder dessa enganosa sedução. As citações acima dizem um bocado em poucas palavras. Elas vão desde as igrejas em células até o dominionismo dos apóstolos e profetas - querendo tomar conta da terra para estabelecerem Cristo e a Igreja:

Ralph Neighbors popularizou o Movimento da Igreja em Células em seu livro "Where Do We Go From Here?" (Para Onde Iremos a Partir Daqui?), no qual ele diz:

"As igrejas em células são o único meio pelo qual a comunhão pode ser experimentada por todos os cristãos... O grupo de células não é apenas uma porção da vida da igreja a ser apreendida com uma dúzia de outras organizações. É a vida da igreja e quando ela existe apropriadamente, todas as demais estruturas competitivas já não são necessárias, nem válidas" (livro supra citado, p. 86).

Ele acredita que este é o modelo do Novo Testamento e que uma célula é realmente uma pequena comunidade. Mas na prática uma célula sempre se divide e entre pessoas não é possível construir uma amizade duradoura em termos de relacionamentos.

Pensamento de Grupo

Quem desejar pesquisar detalhadamente os vários livros escritos sobre o assunto, poderá descobrir que o objetivo do Movimento da Igreja em Células é obstruir o pensamento dos indivíduos e levá-los a confiar no grupo - "pensamento de grupo". Vamos falar sobre o controle da mente e o engodo. O grupo de células é inteiramente controlado e coreografado através da construção de processos de consenso e de resolução de conflitos. Conforme diz Berit Kjos em sua obra "Brave New Schools", na qual ela fala do processo dialético que envolve os estudantes (o qual poderíamos substituir por membros de células): "Nada existe de inerentemente errado com uma livre troca de fatos e idéias. As discussões organizadas até podem ser boas, neutras ou manipuladas, dependendo do propósito, direção e controle. Porém, quando os professores (líderes de células) promovem as discussões em grupos embasadas em informações próprias, na direção de um consenso antecipadamente planejado, ou a conclusões que conflitam com valores prioritários, estão manipulando os estudantes (membros de células) (p. 70).

O objetivo do Movimento de Crescimento da Igreja é conseguir um movimento paradigma infiltrado em nosso pensamento, vendo os seus pastores como "agentes de mudança". Eles usam as reuniões de pequenos grupos para desafiar antigos paradigmas e meios de pensar, transformando-os gradualmente. Conforme cita Tracia Tillin:

"No website de Berit Kjos encontra-se uma excelente explanação deste processo:

'Quando a Palavra de Deus é dialogada (em vez de ser didaticamente interpretada) entre os crentes e descrentes, com múltiplas versões bíblicas utilizadas (desencorajando-se a leitura da BKJ) e o consenso é alcançado - acordo com o qual todos se sentem confortáveis - logo a Palavra de Deus é diluída de modo tão sutil que os participantes são condicionados a aceitar (e até mesmo a celebrar) o seu compromisso (síntese). A nova síntese torna-se o ponto de partida (tese) para a próxima reunião e o processo de mudança (inovação) continua. O temor da alienação do grupo é a pressão que impede o indivíduo de permanecer firme na verdade da Palavra de Deus, fazendo-o permanecer calado (auto-editado). O respeito humano (rejeição) supera o temor de Deus. O resultado final é um "movimento de paradigma" em como alguém processa a factual informação". ("What's Wrong With The 21st Century Church?'" (O Que Há de Errado com a Igreja do Século 21?), Dr. Robert Klenck).

"O que os líderes das igrejas em células desejam é o experimental conhecimento de Deus, uma intimidade espiritual, sinais miraculosos, grupos entrelaçados, mãos levantadas, canções e danças, diversão e emoção. O estudo, ensino e pregação da Palavra são deixados de lado, e em alguns casos abandonados, sendo a maior ênfase colocada em satisfazer as necessidades sentidas pelas pessoas, relacionando umas com as outras e "compartilhando" atividades sociais, psicologia, aconselhamento, e usando-se recursos espirituais para efetuar mudanças nas pessoas que freqüentam, ou sobre as que estão sendo trazidas ao grupo. Desenvolver a vida comunitária é considerado muito mais importante do que estabelecer a verdade objetiva no coração do indivíduo" (Ibid, Tracia Tillin, parte 7).

Análise

 

Existe algo sutilmente atraente sobre o movimento da "igreja em células", pois ele parece estar nos conduzindo de volta aos singelos encontros domésticos da igreja primitiva. Contudo, o clero ainda existe, mas para o propósito de treinamento, supervisão e desenvolvimento das células - elogiável, se fosse apenas isso que ali houvesse. Eles usam o exemplo da China e dizem que se a igreja institucional fosse fechada, suas células continuariam... e até pode ser.

Confio em que você vai pedir que o Senhor lhe dê uma revelação, à medida em que você for lendo estas simples palavras de Efésios 3:14-21:

"Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém".

"Nascemos de novo" em Sua família e o nosso homem interior é fortalecido através do Seu Santo Espírito. A passagem nada fala a respeito de ir à igreja, participar de programas, de estrutura hierárquica, ou mesmo de reuniões, mas de um relacionamento com Deus e com o próximo. Se cada membro tiver esse relacionamento com Cristo, Ele fará fluir vida de um para o outro. Somente quando um membro tem esse relacionamento com Cristo é que ele flui vida e amor entre os demais e, então, podemos compreender com todos os santos o amor de Cristo. Ela não diz que o pastor ou o líder do grupo de células faz tudo isso, nem ainda que apenas devemos segui-lo. Mas que o corpo exige que todos os membro funcionem e permitam que a vida de Deus flua através dele. Deus não é glorificado por um super-star pregando para grandes multidões, mas no funcionamento de cada membro do Seu corpo corporativo - a Igreja. Você recebe vida diretamente do Senhor, por estar diretamente conectado ao corpo de Cristo e aos demais membros vivos.

Isso agora pode parecer fantasioso e nada prático, uma vez que dificilmente você pode conseguir alguém envolvido nestes dias. Além disso, a média dos cristãos "freqüentadores da igreja", não tem muita experiência verdadeira com Cristo, na base do dia a dia. Eles não têm muito o que compartilhar ou dizer, porque estão por demais ocupados com seus empregos, servindo os seus patrões e se colocando diante da TV, à noite, simplesmente para vegetar, enquanto chega a hora de irem para a cama, e acordam na manhã seguinte,para repetir todo o processo, novamente. Se você diz que é para isso que levantamos pastores, então é porque está atado a uma vida de imaturidade, engano e morte. Jamais terá maturidade em Cristo, nem conseguirá sólidos relacionamentos com outros cristãos, para suportar este tempo mau.

Os grupos da igreja em células são muito semelhantes, historicamente, às células usadas nas sociedades comunistas e servem para reeducar as massas. Seu propósito é controlar e fazer lavagem cerebral. Eles o conectam a relacionamentos que, no final, comprovam ser mais fortes do que a verdade. No último capitulo nós frisamos que Rick Warren disse que, estatisticamente, se as pessoas têm pelo menos sete amigos, a igreja poderá segurá-las. Contudo, existe uma grande divisão a caminho. Ao falar dos tempos finais, Jesus disse em Lucas 21:16-17: "E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome". Você deve amar a verdade mais do que quaisquer relacionamentos:

"Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:26).

Existem fraudes pretendendo enganá-lo, apresentadas em vasos novos, um movimento paradigma pelos "pastores agentes de mudança", prometendo trazer de volta os modelos bíblicos, mas tenha cuidado! Tudo isso não passa de engodo. Ele parecerá bom e enganará a todos, exceto àqueles que tenham aprendido a escutar a Sua voz. Aqueles a quem você mais ama irão tentar e conseguirão fazê-lo apostatar. Mas você não precisa estar totalmente sozinho.

Existe alguma verdade no que os defensores da igreja em células dizem. Precisamos de outros cristãos. Não podemos resistir sozinhos; então peça que o Senhor o conduza àqueles que pensam do mesmo modo como você pensa. Como veremos no próximo capítulo, Jesus fala sobre nós sermos a videira, não uma árvore. Cada cristão está diretamente conectado à Videira. Os artelhos recebem ordens da cabeça, não do pé. Não existe hierarquia de autoridade sob a Nova Aliança. Cada membro do corpo precisa funcionar. Não são ofícios eletivos nem posições, mas funções de vida. Nenhum membro é maior nem melhor que o outro. Não estão conectados por pertencerem à mesma organização, mas por compartilharem uma vida comum e essa vida deve ser expressa de CADA membro para o outro.

Ao contrário das discussões guiadas pelos líderes do "grupo da célula", deveríamos aprender a seguir a liderança do Espírito Santo. Deveríamos olhar firmemente para Jesus, para Quem Ele é e o que está fazendo em nossas vidas. Pelo que você precisa agradecer? Em outras palavras, quais as experiências reais, atuais e novas que tem no seu relacionamento pessoal com Jesus Cristo? Se você não tem experiência alguma, seria melhor voltar ao comitê. O que será do Seu corpo, se as pessoas não estiverem compartilhando o que Ele tem feito em suas vidas, visto como Ele está vivo em seus santos? Seria preferível escutar o que o Senhor fez esta semana, na vida de dez "donas de casa" e como o Senhor está tratando com elas, do que escutar um eloqüente pastor treinado num Seminário. Deus está (ou deveria estar) tratando conosco, todo dia. Mas se Ele não for ativo em sua vida, é melhor que você corra a entreter-se em adoração, em algum grupo ou com algum pastor. Vá lá, sente-se e cole os ouvidos, junto com as massas, enquanto é alimentado com leite e mediocridade provindos do púlpito. Quando você começa a escutar a voz dEle, permitindo que Ele se revele e trate com você, então vai ter muito o que compartilhar numa reunião com outros cristãos, os quais também tenham idênticas experiências.

A verdadeira "vida da igreja" depende da união das várias partes vivas do corpo. Se cada membro foi "vivificado", experimentando o Senhor cada dia, algo maravilhoso acontece, quando os cristãos se reúnem. Quando, porém, o cristão está "morto", ele só pode mesmo esquentar um banco na igreja ou em outro lugar. Não se trata de encontrar um momento certo para se encontrar. Nem como isso é feito. Não se trata de ter-se "preparado para um ajuntamento", não se trata de forma ou método... Trata-se da vida em Cristo. Você está espiritualmente vivo ou morto? A igreja está repleta de cadáveres espirituais e de bons atores.

Quando temos um vibrante relacionamento com o Senhor, temos muito para compartilhar e nos edificar mutuamente. Quando não temos um novo relacionamento com Ele, sentimo-nos culpados e vazios, criticando os outros e nos aborrecendo. E quando não recebemos o alimento e os cuidados desejados, logo ficamos zangados. Não existe um projétil mágico, nenhum sistema ou organização, nem forma de reunião. A legítima "vida da igreja" deve ser espontânea e liderada pelo Espírito - não organizada num programa escrito para se seguir uma forma ou modelo de adoração.

Você pode cantar ou não. Pode simplesmente compartilhar experiências. Pode orar espontaneamente, ler a Palavra ou compartilhar o que o Senhor fez em sua vida ou lhe mostrou durante a semana. Então vai descobrir como tudo se encaixa, pois o Espírito Santo vai conduzi-lo e a maioria de suas reuniões seguirá usualmente um tema (por Ele selecionado). Você vai ficar maravilhado, quando notar que todos tiveram idênticas experiências.

Você não pode fingir. Se o Senhor trabalhou em sua vida durante a semana, vai ter algo para compartilhar, para O louvar, para agradecer-Lhe, compartilhando como Ele o tem usado, etc. Se você for hipócrita, vai sentir isso e os outros também sentirão. Saiba que Igreja do Senhor está exatamente onde dois ou três se reúnem em o Seu Nome. É agradável estar com vinte ou trinta pessoas, mas não se trata do número de pessoas, mas do fator "vida". Se você conta "estórias" de como o Senhor agiu com você há 20 anos, ou fala sobre o último livro que leu, isso não funciona. Esta é a revelação de outra pessoa. Você precisa do maná fresco, diariamente, senão ele mofa. Experimente o Senhor cada dia. Não confie no que Ele lhe fez há 10 anos, quando mal está se mantendo de pé, neste momento.

Reuniões não dependem de um líder orientando você através de um série de perguntas objetivadas a conduzi-lo a uma lavagem cerebral. Elas dependem de sua capacidade de sentir a liderança do Espírito Santo e segui-la. Uma vez, Ele poderá conduzi-lo a louvar e agradecer, ou apenas a orar. Outra vez, a um aberto compartilhamento sobre o que o Senhor fez em sua vida. Focalize o que é novo, vivo e real, não algo que tenha lido ou escutado de outras pessoas. Se houver uma pessoa musical, então cante! Ótimo! Não existe uma forma escrita, que seja certa ou errada. Imagine estar apertado dentro de um cômodo, com um chão encardido e pouca luz, junto com outros cristãos primitivos, numa grande descrição de um encontro da igreja primitiva, conforme Efésios 5:18-20:

"E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo"

Os primeiros cristãos podem ter sido perseguidos, mas cantavam, compartilhavam e davam graças. Precisamos gastar menos tempo falando do que aprendemos com os outros, fofocando e nos queixando, e mais tempo dando graças e olhando à frente, para o Senhor e para o que Ele está realizando agora em nossas vidas. Então, nossas reuniões serão ricas e significativas.

Os versos acima nos ordenam a nos submetermos uns aos outros, não em termos de hierarquia ou de posição. A Bíblia fala de atitude, espírito e respeito mútuo e das necessidades de todos os membros do corpo. Paulo fala da Igreja, nos seguintes termos, em Romanos 12:3-8:

 

"Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria".

Ele não fala de opiniões nem de posições, mas de funções. Somos membros do mesmo corpo, mas com diferentes funções e para que haja um corpo saudável cada membro deveria ter a sua função. Você não precisa ingressar numa Escola Bíblica ou num Seminário. Não deveríamos pensar tanto em nós mesmos, porém reconhecer a medida de cada membro. Cada um deve funcionar conforme os seus dons e com a vida que Deus lhe deu. Não existe hierarquia, apenas funções diferentes. Nenhum membro é mais importante do que o outro e ninguém deve "governar" sobre os outros.

Tudo isso é apenas um eco distante das igrejas em células.

 

Movimento G12

Introdução

 Recebi o convite de nossa digníssima Ordem dos Pastores Batistas para tratar do tema “Uma análise do movimento G-12” com alegria e temor. Com alegria, pois é sempre uma honra servir à denominação. Com temor, pois julgo que eu não tenha todas as condições necessárias para trabalhar esse assunto tão discutido em nosso meio nesses últimos tempos. Não obstante, espero, com a ajuda do Senhor nosso Deus, atender às expectativas dos prezados colegas de ministério.

Este trabalho reúne as minhas reflexões sobre o tema à luz do meu conhecimento da prática pastoral batista. Não pretendo aqui ferir ninguém e nem menosprezar o direito e a liberdade que cada indivíduo goza no que diz respeito à sua consciência e à manifestação de sua fé. Até porque tal procedimento, além de ser deselegante, feriria o que está assegurado pela Constituição Brasileira que em seu artigo 6º declara:

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as liturgias.[2]

Creio ser desnecessário lembrar que esse artigo encontra eco em um de nossos princípios batistas: o da liberdade religiosa e de consciência do indivíduo. A esse, podemos acrescentar o princípio da igreja como comunidade local, democrática e autônoma, porque nós, batistas, sempre legitimamos as decisões tomadas por qualquer igreja local em suas assembléias legais.

Referi-me a esses princípios batistas nesta introdução para expor a minha preocupação e o meu cuidado nos meus comentários sobre o Movimento G-12, porque sei que há casos de pastores e igrejas de nossa Convenção Batista Brasileira que aderiram – no linguajar do G-12 – à “visão” de células. Pretendo apenas, com as minhas reflexões, fazer um apelo à razão através do apontamento das implicações desse movimento na teologia prática batista.

Para apresentar um trabalho mais aprofundado sobre o G-12, creio que o pesquisador mais capacitado para essa tarefa é o pastor PAULO ROMEIRO, [3] doutor em Ciências da Religião e um dos maiores apologistas cristãos da atualidade. Por isso, não investirei tempo na explanação dos detalhes do G-12, até porque ao longo destes últimos anos, esse movimento tem sofrido alterações na forma e na ideologia. Reconheço que ainda há muita desinformação, boatos e distorções sobre o G-12. No entanto, há também muitos dados bem conhecidos e documentados sobre esse movimento. Procurei, então, firmar minhas reflexões e considerações finais sobre aquilo que a maioria das minhas fontes de pesquisa concorda. Também busquei não valorizar as histórias não comprovadas que vieram ao meu conhecimento durante a minha pesquisa sobre o assunto.

Assim, este trabalho consiste principalmente da exposição resumida e comentada das principais características do G-12 e de algumas conclusões que tirei do meu trabalho “G-12 – Novo Discipulado ou Novo Movimento Religioso?”, [4] que apresentei em cumprimento às exigências da disciplina Novos Movimentos Religiosos do Curso de Mestrado em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, em Junho de 2001.

I – G-12

Quando estudamos os novos movimentos religiosos que surgem em nosso meio, observamos a profunda necessidade que o homem tem de lidar com o sobrenatural. Apesar da cultura secularizada transmitida pelas últimas gerações, é impressionante como cresce esse interesse da sociedade pelo divino, pelo transcendental.

Essa busca pelo sobrenatural pode ser o resultado da constante insatisfação espiritual do homem pós- moderno, geralmente inclinado a rejeitar as tradicionais formas de se lidar com o sagrado, cujo poder está nas mãos da religião oficial e por isso contra ela se rebela. E isso é percebido também no meio cristão, como bem observa um grupo de pastores presbiterianos que analisou o Movimento G-12:

Cremos que os movimentos religiosos, em pequena ou larga escala, ganham corpo como vozes de insatisfação contra o cristianismo vigente incluindo a fragilidade das convicções doutrinárias e a distância entre a proclamação da verdade teórica e da praticidade da mensagem.[5]

Segundo o coração de alguns, um novo universo simbólico e sagrado precisa ser construído, explorado e experimentado contra uma aparente esterilidade do cristianismo histórico, para dar um sentido diferente à vida. Mas até mesmo essa procura é marcada pela superficialidade, pois o interesse está focado na satisfação imediata de necessidades mais mundanas que espirituais. Não é à-toa que essa busca do “novo” em termos espirituais provoca uma tal agitação no mundo religioso, que poderia ser classificada entre as grandes forças sociais de nossa época.

Dentre as novas agitações espirituais no meio cristão, destacamos aquelas que vêm do movimento neopentecostal. No Brasil existem ramos do neopentecostalismo que, na ânsia de se buscar o sagrado de forma diferenciada e/ou de atrair uma multidão de fiéis, tentam dialogar tanto com o cristianismo histórico (catolicismo-romano, protestantismo) como com o misticismo e esoterismo (Nova Era, religiões afro- brasileiras). Além disso, esses ramos têm um forte discurso proselitista, quase manipulador, que atrai os sedentos por novidades místicas, o que explica o seu crescimento notável e seu avanço em todos os segmentos de nossa sociedade.[6] E foi dentro dos arraiais do neopentecostalismo que encontramos a origem do Movimento G-12.

Embora importado de outro país latino-americano, a Colômbia, o G-12 encontrou no Brasil, principalmente no meio neopentecostal, terra fértil para o seu crescimento. A versão brasileira caracteriza-se pelo tom fundamentalista em suas pregações, com ênfase na experiência pessoal, além de forte misticismo em suas práticas pastorais. Em pouco tempo, o G-12 das igrejas neopentecostais alcançou os fiéis de algumas igrejas cristãs históricas.

1. O Que É O G-12?

O G-12 é um “novo”movimento que se introduziu inicialmente no seio do neopentecostalismo, com o propósito de provocar o crescimento das igrejas evangélicas através de pequenos grupos conhecidos como células. Essas células atuam em reuniões nas casas dos fiéis e geralmente são compostas por doze pessoas. O número doze refere-se ao modelo do discipulado de Jesus Cristo, que separou para si doze homens para instrução, capacitação e testemunho das Boas Novas.

O G-12 nasceu de uma visão do pastor César Castellanos Dominguez, pastor-fundador da “Missão Carismática Internacional” da Colômbia. Castellanos afirma ter recebido essa “nova e direta” revelação de Deus a respeito da Igreja cristã do novo milênio, no ano de 1991. Segundo esse pastor, o G-12 é o novo e último modelo de crescimento para a Igreja. Castellanos afirma que:

“… o princípio dos doze é um revolucionário modelo de liderança que consiste em que a cabeça de um ministério seleciona doze pessoas para reproduzir seu caráter e autoridade neles para desenvolver a visão da igreja, facilitando assim a multiplicação; essas doze pessoas selecionam a outras doze, e estas a outras doze, para fazer com elas o mesmo que o líder fez em suas vidas”. [7]

O modelo dos 12 funciona como um processo de crescimento espiritual e ministerial, que é chamado de “Escada do Sucesso”. Ele compreende quatro degraus ou etapas:

Envio

Treinamento

Consolidação

Evangelização

A Evangelização ocorre nas células. O número base é de 12 participantes por célula. Quando a célula alcança o número de 24 pessoas em suas reuniões, ela precisa se subdividir para manter o número 12. A célula é responsável pelo ensino e formação dos discípulos. Os cultos no templo da igreja se transformam em celebrações.

A Consolidação é a etapa da confirmação da fé do indivíduo. Isso ocorre nos encontros. Lá, o novo convertido passa pela libertação e quebra de maldições. Nesses encontros, a pessoa também é doutrinada na visão dos 12. São três tipos de encontros: o pré-encontro, o encontro e o pós-encontro. Os líderes de células são formados nesses encontros.

O Treinamento é oferecido pela escola de líderes de cada igreja. Os novos discipuladores são capacitados para dirigir as células e difundir a visão dos 12. Cada seguidor do G-12 tem uma meta de 144 discípulos.

O Envio é a etapa final, quando os novos líderes assumem a liderança de grupos em células, com a missão de preparar outros discipuladores.

Além dos encontros, vários eventos também são realizados para promover o G-12. Por exemplo, em Junho de 2000, em Sumaré, no interior de São Paulo, foi realizado o “I Congresso Nacional do G-12”com mais de mil participantes. Esse congresso foi organizado pela Igreja do Evangelho Quadrangular, “a primeira grande denominação brasileira a aderir oficialmente ao movimento”. [8]Essa denominação neopentecostal possui 1,3 milhão de fiéis e está entre as cinco maiores igrejas evangélicas do Brasil, segundo a revista Superinteressante. [9] A “II Convenção Anual no Brasil de Igrejas em Células no Modelo dos 12” aconteceu no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, entre os dias 29 de junho e 2 de julho de 2000 e contou com mais de nove mil participantes. Nos dias 6 a 9 de julho de 2000 foi realizado o “I Congresso de Crescimento da Igreja na Visão Celular” em Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro. O preletor foi o pastor[10] Renê Terra Nova, de Manaus – AM, “… pastor que tem influenciado a igreja evangélica brasileira com divulgação da visão da Igreja Celular no Modelo dos 12”. [11] Esses eventos provam o quanto tem crescido o movimento em solo brasileiro.

Os maiores representantes do G-12 no Brasil são: Renê Terra Nova, Valnice Milhomens e Roberto Tavares[12]. Segundo a Revista Eclésia, esses três líderes brasileiros fazem parte do seleto “grupo de 12 diretamente ligado ao líder colombiano” [13] e são os divulgadores oficiais da visão G-12 no Brasil.

2. Referenciais Teológicos Do G-12.

O G-12 ampara suas práticas em ênfases teológicas que combinam liderança carismática, fundamentalismo cristão, doutrinas neopentecostais, manipulações psicológicas e misticismo. Essa abrangência facilita a cooptação de novos adeptos, a maioria proveniente de outras igrejas cristãs. Além disso,

O G-12 é um movimento que não propõe a filiação de seus participantes à igreja realizadora do evento. É possível ser um dos doze de algum discipulador e permanecer membro de uma igreja histórica que não tenha se enquadrado no modelo, por exemplo. Dessa forma, o movimento, através de seus Encontros, tem uma penetração mais eficiente no seio das igrejas, e permite aos líderes da região exercer controle sobre membros de outras igrejas sem que eles se desvinculem das mesmas. [14]

Se for assim, podemos entender como a visão dos 12 consegue encontrar, sutilmente, lugar em meio às nossas fileiras.

Segundo ROMEIRO, [15] o G-12 tem em Kenneth Hagin, um expoente da Teologia da Prosperidade, e em Peter Wagner, um “especialista” em guerra espiritual, os seus referenciais teológicos principais. Kenneth Hagin é também o referencial de R. R. Soares, cujos programas televisivos têm alcançado de maneira impressionante a atenção do povo evangélico. [16] Os ensinos de Soares encontram eco no movimento G- 12.

Quanto ao modelo de igrejas celulares, “o líder colombiano confessa que foi grandemente influenciado por David (Paul) Yonggi Cho, da Coréia”. [17]Castellanos “visitou a Coréia em 1986 e, por sete anos, trabalhou com o sistema de células de Cho. A partir das experiências com os pequenos grupos de Cho, Castellanos incrementou (em 1991) uma nova estratégia”.[18] Segundo a Revista Eclésia, a igreja de Cho, a “Full Gospel Church”na Coréia do Sul, era, em 2000, a “maior igreja evangélica do mundo, com mais de 600 mil membros”, [19] e tinha atingido essa marca usando o modelo de células ou grupos familiares. Nessa mesma época, Castellanos pastoreava uma igreja com “170 mil membros e 15 mil células, ou grupos familiares”. [20]

O G-12 estabelece a forma episcopal de governo da igreja e assim estimula a construção de uma pirâmide hierárquica e centralizadora de poder. Isso está bem distante do nosso modelo eclesial batista.

3. Principais Características Do G-12.

(A) Exclusivismo.

O G-12 é, para seus defensores, a última solução para a Igreja do novo milênio. Por isso, para eles, o movimento merece toda a atenção e exclusividade. O próprio Castellanos reforça essa idéia em seu depoimento:

Em várias oportunidades encontrei-me com alguns dos convertidos em diferentes lugares, que me diziam: “Pastor, eu conheci o senhor na missão, mas estou congregando em tal igreja”. Eu dizia: “Amém, glória a Deus, esta alma não se perdeu, está sendo edificada!” No entanto, chegou o dia em que Deus chamou minha atenção, dizendo-me: “Estás errado; essa alma eu a trouxe à tua igreja. Se tivesse querido mandá- la a outra igreja tê-lo-ia feito. Enviei-a para ti para que cuides dela e espero que me respondas. [21] [grifo meu]

Essa atitude tem implicações soteriológicas: para os gedozistas, a salvação de alguém só estará garantida se foi conquistada nos encontros através da regressão, quebra de maldição, cura interior, negando assim o sacrifício perfeito de Cristo no Calvário. [22]

Para o G-12, os demais modelos eclesiais são, de certa forma, desprezados como se pode verificar nas palavras entusiasmadas de Castellanos:

A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do século XXI. [23] [grifo meu]

O problema desse exclusivismo é a possível tendência à arrogância e àquilo que CAMPOS chama de “vedetismo pastoral”.[24] Provavelmente muitos líderes não estão percebendo que, quando saem em defesa do G-12, ficam reféns de suas próprias palavras que os lançam nas redes da vaidade e do orgulho. Por exemplo, um certo pastor Joel Pereira, em entrevista a um periódico evangélico, declarou:

O meu aproveitamento da Igreja era uma porcentagem de 33% de cada convertido, ou seja, cada 100 que eu convertia eu batizava 33, 34, era uma média muito ruim. Hoje eu tenho uma média de quase 100% de aproveitamento.[25] [grifo meu]

Seria ele o responsável direto pela conversão e batismo das pessoas? Talvez esse pastor nem tenha conscientemente pensado da maneira como interpretei suas palavras, mas é certo que seu testemunho pode gerar um certo constrangimento. A leitura que o povo simples pode fazer de sua declaração vai ao encontro de uma autoridade espiritual poderosa e inquestionável: o “ungido intocável”. Aliás, prega-se muito sobre a obediência à autoridade espiritual. O que é ser obediente segundo a visão do G-12?

É ter submissão à autoridade legítima; é se sujeitar e ter docilidade (dicionário Michaelis). Obedecer também não é concordar. Quantas vezes você não concordou com seu chefe, mas teve que obedecer?

A obediência tem um limite: até a morte (Fp 2:5). Não é para estabelecermos nossas próprias cláusulas, artigos, etc. Se procedermos em obediência sempre, teremos uma recompensa tremenda: seremos exaltados. [26]

Há um outro exemplo desse “vedetismo pastoral”: um pastor de nossa Associação Batista do ABC, ao defender sua adesão ao G-12, declarou do púlpito de sua igreja que não faria parte de nenhum ministério aquele membro que não concordasse com a mudança da sua igreja para a visão celular. Quando foi questionado no campo doutrinário, afirmou que ninguém naquela igreja conhecia mais teologia do que ele. [27] Sua igreja se dividiu. É comum encontrarmos igrejas divididas por causa da visão dos 12. Os exemplos mais recentes são os casos das igrejas batistas de Barretos e Rinópolis conforme o Jornal O Batista Paulistano. [28]

O próprio Castellanos também cai no mesmo vedetismo. Sendo, segundo ele mesmo, o “único” a receber de Deus a visão celular, ele entende que pode escolher e reunir ao redor de si doze discípulos “mundiais” [29] entre os quais estão os representantes brasileiros do G-12 que também são, do ponto de vista sociológico, líderes altamente carismáticos. Faria Castellanos o papel de Jesus, já que existem 12 subordinados a ele? Ele mesmo ensina que o G-12 é:

Um revolucionário modelo de liderança que consiste em que a cabeça de um ministério seleciona doze pessoas para reproduzir seu caráter e autoridade neles para desenvolver a visão da igreja… [30]

Se Castellanos é a cabeça do ministério, da visão do G-12, a quem ele se reporta? É muito tênue a fronteira entre tal disposição de liderança e aquilo que chamamos de messianismo. DESROCHE [31] ensina que há um tipo de fenômeno messiânico chamado “messias pretendido”, que é aquele em que o líder não reivindica diretamente para si o título de messias. Esse título lhe é atribuído pelos seus discípulos que podem chegar a mitificar sua pessoa, enquanto ainda personagem historicamente presente no cenário religioso. Uma das características de um messias, conforme DESROCHE, é a sua auto-deificação – no princípio negada, mas assumida de forma progressiva até alcançar uma consciência de messianidade. Exagero? Talvez. Mas não podemos deixar de imaginar que o modelo dos 12 oferece condições para esse risco.

Geralmente um fenômeno messiânico é precedido por um fato espiritual “explosivo”: uma profecia, uma visão, um sonho. A revelação de Deus a Castellanos foi assim descrita por ele:

Pedi a direção do Senhor, e Ele prometeu dar-me a capacidade de preparar a liderança em menos tempo. Pouco depois abriu um véu em minha mente, dando-me entendimento em algumas áreas das Escrituras, e perguntou-me: “quantas pessoas Jesus treinou?” Começou desta maneira a mostrar-me o revolucionário modelo de multiplicação através dos doze. Jesus não escolheu onze nem treze, mas sim doze. [32]

 

Castellanos diz ter recebido essa revelação especial de Deus e parece também ser capaz de oferecer as mensagens divinas aos seus discípulos mundiais, como podemos verificar em sua “profecia” dada ao pastor Terra Nova, em Porto Seguro, Brasil:

O Espírito do Senhor diz: porquanto tens tido sempre em teu coração o desejo de amar meu povo Israel, de abençoá-los e de mover as pessoas para que amem o meu povo, Eu te abençôo. E parte da bênção que tenho te dado é que entendas a visão. Filho, não temas nem as críticas, nem aos elogios, porque tenho te dado ouvidos, mas quero que sejam surdos a toda crítica.

Quero dizer-te que te levarei a outras nações. Tu estarás pregando na Europa, na África, na Itália; também te levarei a Austrália, também pregarás no Japão, na China, na Rússia, ó filho, porque tenho me agradado. Siga avançando com a visão; não te detenhas, corra com êxito, avança, porque tenho te escolhido, diz o Espírito de Deus. [1]

A visão de Castellanos foi “canonizada”por seus adeptos, graças a profecias como essa acima. “A visão cura feridas, sara o povo e restaura o sacerdócio” (Renê Terra Nova); “este modelo é para todas as igrejas e veio para ficar” (Valnice Milhomens). O G-12 é “a única tábua de salvação para a igreja, o último movimento de Deus na terra, a única solução para a salvação das almas”. [2]Por isso, quem não aceita a visão do G-12 é praticamente anatematizado. Para os defensores do G-12, quem rejeita a visão está sob o domínio de satanás. Leiamos a resposta de Valnice Milhomens a um leitor que lhe perguntou por que as igrejas Renascer e Universal do Reino de Deus são contra o G-12:

O motivo é falta de conhecimento do modelo. Satanás encarregou-se de entrar no meio para confundir, denegrir, afastar os pastores da visão. Ele anda extremamente nervoso porque ver todos os fins de semana milhares de vidas passando por uma profunda experiência de arrependimento, libertação, cura, enchimento do espírito … é dose elevada para ele. Estamos em guerra cerrada contra o inferno. Vamos abençoar nossos amados irmãos que combatem a visão, orando: “Pai, perdoa-os porque não sabem o que dizem”. [3]

DESROCHE ensina também que há diferentes tipos de reinados messiânicos. Quero destacar o que ele escreve sobre o reinado do tipo religioso ou eclesiológico:

É dominado por um projeto de reforma religiosa ou cultural. Mas esse projeto nunca deixa de ser acompanhado de uma greve sócio-religiosa mais ou menos radical contra o mundo existente. No mínimo, greve dos “cultos”dominantes. No extremo, venda de todos os bens e rejeição do trabalho, como no caso da expectativa adventista primitiva. Ocorre, com freqüência, o engajamento numa vida “fora do mundo” através da criação de conventículos. [4]

Observemos como o G-12 se afina com esse tipo de reino messiânico: em primeiro lugar, o G-12 se propõe ser a restauração da Igreja nos moldes da Igreja primitiva em Atos dos Apóstolos. Todos os demais modelos eclesiais são reputados como obsoletos ou ultrapassados. Os encontros tornam-se “conventículos”, em ambiente “fora do mundo”, onde os ensinos são cercados de mistérios e segredos.

Mesmo que essa relação com o messianismo seja negada por Castellanos e seus defensores, não se pode negar que existam traços característicos desse fenômeno na visão do G-12.

Passarei agora às práticas e ensinos do G-12 em seus encontros.

 

(B) A Prática Da Regressão Psicológica.

Embora seja de natureza psicoterapêutica, não há consenso entre os profissionais da saúde mental sobre a eficácia da regressão psicológica na cura das pessoas. LIMA ensina que a regressão “como terapia, nada mais é do que evocar sentimentos, traumas, tensões, que ficaram retidos no inconsciente”. [5] No G-12, a regressão psicológica é realizada nos encontros, onde o líder poderá manipular as lembranças, emoções e traumas do neófito de tal maneira que todo o passado da pessoa será “levantado” para as devidas “correções espirituais”. Um “mapa espiritual” é elaborado após as sessões de regressão psicológica. O líder, então, tem em suas mãos informações importantes a respeito de seu discípulo e pode usá-las para orientar sua vida. Cria-se, com essa prática, um forte vínculo de dependência do neófito com o líder do grupo.

O grande problema são as pessoas que lidam com isso. Geralmente não são profissionais da área da saúde e, portanto, não têm o preparo adequado para lidar com os imprevistos que certamente surgirão nas sessões de regressão psicológica. Os prejuízos em termos emocionais podem ser irreparáveis.

A regressão está associada à cura interior.

 

(C) Cura Interior.

A regressão psicológica prepara o campo para o que é chamado de “cura interior”. Nos encontros, procura-se explorar a experiência pré-natal, infância, adolescência e juventude da pessoa “para assim, com a ajuda do Espírito Santo e a Palavra de Deus, ministrar libertação e sanidade interior ao novo (convertido)”. [6]Assim, pretendem que problemas como a rejeição na gravidez, na infância ou na adolescência recebam tratamento espiritual durante as sessões de regressão e de cura interior nos encontros do G-12. O problema é o mesmo da regressão psicológica: não há garantias de que as pessoas sejam curadas por esse método, até porque os responsáveis pela “ministração” muitas vezes não são habilitados para isso.

 

(D) Deificação Do Homem.

LIMA trata do assunto da deificação do homem em sua obra no capítulo três sob o interessante título “A louca mania de querer mandar em Deus”.[7] Segundo esse autor, a palavra de ordem nos encontros é: “Eu determino…”, “Eu declaro…”, ou “Eu ordeno… em nome de Jesus Cristo”. Ele mesmo registra o seguinte (sem citar a fonte):

Toda a estrutura do animismo, feitiçaria e demonismo consiste exatamente na busca de controlar, manipular, domesticar forças sobrenaturais. [8]

Assim, conclui-se que essa atitude espiritual tem mais ligações com as religiões pagãs, onde os sacerdotes imaginavam poder controlar as suas divindades por meio de fórmulas mágicas ou encantamentos.

Essa relação entre o homem e o sagrado encontra luz na descrição que RUDOLF OTTO [9] faz sobre o numinoso. Para OTTO, o numinoso ou o sagrado é o mysterium tremendum et fascinans. Esses três elementos são presentes na religião, sendo que: (a) mysterium é o Outro que atrai e repele ao mesmo tempo. Ele é transcendente e imanente. Distante e presente. É totalmente desconhecido; (b) tremendum: o temor, a majestade, a energia e (c) fascinans: a atração pelo sagrado. Ou seja, ao mesmo tempo em que o homem teme o sobrenatural, ele é atraído pelo mesmo e vai ao seu encontro, procurando interagir com o sagrado.

O movimento G-12 oferece esse contato com o sobrenatural através da deificação do homem, que o coloca praticamente em pé de igualdade com Deus.

(E) Confissão Positiva.

Um dos exemplos mais destacados que contribuem para a afirmação que o G-12 abraça a doutrina da Confissão Positiva de Kenneth Hagin é o uso do termo grego rhema (palavra). Na língua grega há dois termos para o vocábulo “palavra”: logos e rhema. Os líderes do G-12 – bem como outros neopentecostais – fazem questão de distinguir os dois termos: rhema é a palavra que os crentes usam para decretar ou declarar e logos é a palavra da revelação de Deus (que pode incluir a Bíblia). É nesse termo que reside o poder de mudar as coisas. O crente pode abençoar ou amaldiçoar alguém se utilizar o rhema. ROMEIRO entende que o uso do “poder” do rhema pode ser comparado ao abracadabra dos meios mágicos.

Dentro desse item temos também a renúncia, que é a “rejeição aos conceitos, hábitos e costumes da vida cristã que até então se professava”. [10]Como os gedozistas dão muito valor ao poder da palavra proferida, a renúncia se torna uma forma de se “firmar” na visão, ao mesmo tempo em que se despreza todo o histórico de vida espiritual da pessoa. Assim, por vezes muitos invalidam sua experiência de conversão e a validade de seu batismo anteriores ao contato com a visão dos 12.

(F) Teologia Da Prosperidade.

A afirmação de que Deus é o “dono de todo ouro e de toda prata” torna seus filhos os herdeiros de toda a riqueza material que puderem alcançar em vida. Aliás, os discípulos não são chamados de “filhos de Deus”, mas de “filhos do Rei”. Uma exagerada confiança na prosperidade material é a característica dessa teologia. O “ter” é sinônimo de fé legítima e de aprovação divina.

A Teologia da Prosperidade não diz respeito apenas à riqueza material, mas também à saúde física perfeita. As enfermidades são sinais de pecado ou de domínio satânico. Por isso, o doente, seja convertido ou não, precisa passar por “libertação”, ou seja, precisa ser exorcizado para gozar a vida como filho do Rei.

(G) Triunfalismo.

O triunfalismo é o modo de pensar que está muito ligado à Confissão Positiva e à Teologia da Prosperidade. Lima ensina que “o triunfalismo, em geral, faz as pessoas pensarem de si mesmas além do que realmente são”. [11]Cria uma espécie de supercrentes. O texto bíblico predileto dos triunfalistas é aquele que fala sobre a promessa de Deus em permitir que seu povo seja “cabeça e não cauda” (Dt 28:13). A fragilidade da natureza humana é desprezada. Nenhuma derrota é admitida. Nenhum fracasso. Isso seria sinal de falta de fé. O perigo desse modo de pensar está nos possíveis prejuízos gravíssimos para a saúde espiritual, mental e física das pessoas envolvidas.

(H) Guerra Espiritual.

O homem quando passa por crises tem a tendência de responsabilizar alguém ou algo pelas adversidades da vida. No G-12, o diabo é o principal culpado pelo sofrimento humano. Daí a necessidade de guerrear contra ele e, para tanto, é necessário equipar-se militarmente contra as hostes infernais. Demônios são identificados (praticamente são invocados) e o exorcismo se processa mediante uma pantomima mística: punhos cerrados, gritos de guerra, etc. Assim, nessa “guerra”, o homem deixa de ser vítima do ataque demoníaco e passa a ser um “guerreiro espiritual”.

Há tanta preocupação com a pessoa e obra do diabo que o movimento praticamente o coloca em pé de igualdade com Deus. Essa perspectiva maniqueísta distorce o conceito da Onipotência de Deus.

A responsabilidade humana pelo pecado também é praticamente descartada. Assim, por exemplo, aquele que adulterou, na verdade não foi diretamente responsável pelo seu pecado, mas sim o “espírito maligno do adultério” que precisa ser exorcizado. E esse exorcismo, ou “libertação”, precisa ser realizado tantas vezes quantas forem necessárias até que a pessoa se torne livre da ação do maligno em sua vida.

Outras práticas na guerra espiritual travada nos encontros: queima de objetos, roupas, livros que possam estar de alguma maneira “ligados” aos demônios, utilização de óleo, fórmulas especiais para exorcizar certos demônios, por exemplo, a necessidade de se conhecer o nome do demônio que está possuindo a pessoa, etc. Aliás, essa “necessidade” de se identificar o demônio que atormenta a vida de alguém pelo nome, para então exorcizá-lo, cria uma certa neurose que LIMA chamou de neurose da sensibilidade extrasensorial. [12] Trata-se da tendência do indivíduo em demonizar tudo que está ao seu redor. Em outras palavras, ele “vê demônio em tudo”.

(I) Maldição Hereditária.

A maldição hereditária é aquela que acompanha uma família através das gerações, e que se originou com uma palavra (rhema?) contrária proferida por autoridade espiritual que “autorizou” o diabo a prejudicar alguém e sua descendência ao longo do tempo. Assim, se em uma família existe um alcoólatra, conclui-se que sempre houve e haverá um histórico de alcoolismo em suas gerações, porque um ancestral com autoridade espiritual amaldiçoou sua família, liberando o diabo para causar tais danos. Daí a necessidade de se “quebrar” essa maldição através dos rituais exorcistas. O espírito maligno familiar é invocado para declarar sua missão, quem o invocou e assim ser expulso da vida daquela família.

As pessoas também são obrigadas nos encontros a confessar seus pecados até mesmo cometidos no ventre materno para quebrar os vínculos do passado. Pode-se confessar pecados cometidos por antepassados para que haja a quebra da maldição.

Todas essas crenças contrariam a Palavra de Deus (veja 2 Co 5:17; Jr 31:29- 30; Ez 18:2-3, 20).

(J) Os Encontros.

Os encontros são assim classificados: (1) pré-encontro: palestras preparatórias para o encontro; (2) encontro: retiro espiritual de cerca de 3 dias e (3) pós-encontro: dura cerca de 3 meses onde são oferecidas palestras para consolidação do que foi aprendido no encontro.

Os encontros estão envoltos em mistério para quem nunca participou deles. É vedado ao adepto do G-12 revelar o que acontece nesses encontros. “O encontro foi tremendo!” é a única informação permitida para conhecimento público sobre o evento.

Tudo o que vimos anteriormente se pratica nos encontros promovidos pelos adeptos do G-12. Os encontros são:

Retiros de três dias, durante os quais o novo crente compreende a dimensão exata do significado do arrependimento, recebe cura interior e é liberto de qualquer maldição que tenha imperado em sua vida. Logo a seguir se capacita como guerreiro espiritual, com a ministração do enchimento do Espírito Santo. […] mediante conferências, palestras, vídeos e práticas de introspecção, se leva o novo convertido ao arrependimento, libertação de ataduras e sanidade interior.[13]

O pr. Valdir Stephanini, da PIB de Cidade da Serra –ES, em sua Análise crítica do Movimento G-12, percebeu que os encontros do G-12 têm sua inspiração nos antigos cursilhos da Igreja Católica. Ele escreve:

Falando sobre o Cursilho (que corresponde ao encontro do G12) o ex-padre Aníbal afirma: “consiste nos três dias, geralmente de Quinta a Domingo, de encontro pleno, atual e comunitário de cada pessoa com o fundamental católico num ambiente de intensa emoção visando cursilhizar os participantes para integrá-los no movimento. […] crises de choro provocadas com artifícios, clima próprio e nos moldes fascistas para condicionamento psicológico dos participantes aos objetivos clericais” (p. 22). “5 meditações, e há palestras de mais de 2 horas cada uma” (p. 23). (Citações do livro Os Cursilhos de Cristandade por Dentro do Dr. Aníbal Pereira dos Reis; São Paulo: 1973).[14]

O método dos encontros não é, portanto, nova revelação.

Mas segundo os gedozistas tradicionais, os encontros promovidos no Brasil sofreram alteração em comparação ao modelo de Castellanos. Na Colômbia, “os encontros visam o evangelismo e o discipulado (sic) de novos convertidos e a preparação para a vida em células. Entretanto, ao ser transplantado para o Brasil, parece que o Movimento perdeu sua originalidade e os objetivos passaram a ser outros, focalizando especialmente os crentes, independente de sua denominação”. [15]

Essa distorção tem sido motivo de críticas entre os próprios adeptos do movimento. Segundo os gedozistas conservadores, os encontros são apenas uma parte da visão dos 12 e não são o fim em si mesmos.

II – CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. 1 Ts 5:21 (NVI)

Nossa Convenção Batista Brasileira manifestou sua posição contrária ao movimento em declaração firmada em 23.10.2000, no Rio de Janeiro. [16] Está, portanto, muito claro para nós, batistas, que o G-12, com suas práticas e ensinos já considerados, não pode ser a “única solução para a salvação das almas” e nem a última resposta para a Igreja do século XXI.

No entanto, devemos respeitar e amar os irmãos que aderiram à visão dos 12. Nós nos opomos à visão dos 12 e não às pessoas. Não podemos levar a discussão para o campo pessoal. Apesar desse nosso amor, não podemos, porém, mudar nossa opinião contrária ao G-12 porque rejeitamos suas ênfases teológicas e práticas estranhas e antibíblicas.

Mas é preciso reconhecer que apenas rejeitar o Movimento por sua fragilidade doutrinária não é atitude inteligente. Como o próprio apóstolo Paulo nos ensina, devemos provar tudo e ficar com o que é bom. Assim, há, sem dúvida, assuntos importantes para nós, batistas, que foram e estão sendo tocados pelo Movimento G-12 e que precisam ser levados em conta em nossa reflexão pastoral.

Em primeiro lugar, creio que toda a controvérsia causada pela visão dos 12 nos leva a pensar sobre o significado do discipulado para a Igreja de Cristo. Não importa o método do discipulado, se individual ou em grupo de 5, 10, 12 ou 100 pessoas. O que precisamos é cumprir cabalmente a Grande Comissão que inclui não somente o evangelizar como também o fazer discípulos (Mt 28:19-20). O discipulado também envolve a construção de relacionamentos pessoais. Isso é de valor fundamental, pois vivemos numa cultura de natureza tão individualista que facilmente promove a solidão entre as pessoas. Com tanta carência de relacionamentos profundos, o discipulado na igreja poderia ser, por exemplo, a alternativa para o problema da solidão. Outros problemas receberiam tratamento nas reuniões de pequenos grupos de discípulos. Para CLINEBELL, [17] a renovação e o enriquecimento de relacionamentos íntimos pessoais constituem aspectos importantes para a cura das pessoas. E ainda mais: o discipulado contribuiria para o crescimento sadio da Igreja.

Podemos também considerar o valor positivo dos encontros. Obviamente, não aprovamos o que se faz nesses encontros. Mas seria interessante pensarmos sobre a promoção de verdadeiros encontros espirituais em nossas igrejas, que envolvam principalmente os novos convertidos. Neles, poderíamos oferecer os pontos fundamentais da sã doutrina (nada de quebra de maldições, libertação, regressão psicológica, cura interior), além de outras informações importantes sobre nossa denominação. E é claro, estabeleceríamos uma maior comunhão com os novos irmãos.

Em segundo lugar, a agitação espiritual promovida pelo G-12 nos faz refletir sobre a necessidade de um avivamento genuíno no meio da Igreja. Observemos a avaliação dos pastores presbiterianos que, quando estudaram o G-12, afirmaram o seguinte:

Reconhecemos a necessidade de um avivamento genuíno no meio de nossa denominação para reacender a chama vocacional de pastores e líderes desestimulados e decepcionados vivendo uma mesmice espiritual agonizante; um avivamento genuíno da Palavra que traga o poder da cruz sobre a vida de pecado dos crentes cuja ética cotidiana se mistura com a normalidade social; um avivamento que restaure a vida das famílias e dos casais; um avivamento que coloque a paixão por evangelização tão rarefeita em nossas comunidades; […] um avivamento que contradiga com a vida todas as doutrinas do evangelho de liquidação já presente no comércio da fé. [18]

Embora esses pastores tenham avaliado a sua própria denominação, creio que essa necessidade de avivamento deva também ser reconhecida por nós, batistas. As características do verdadeiro avivamento são, segundo o pastor RUSSELL SHEDD, [19]a adoração contínua, a comunicação sadia entre os discípulos, o serviço prestativo e humilde e um espírito grato, conforme Ef 5:19-21. Isso precisa ser buscado por nós, pastores, para que nossas igrejas experimentem um genuíno avivamento.

Em terceiro lugar, o movimento nos faz pensar sobre a inquietação que atinge o nosso povo por conta de tantas lutas que sofrem em sua vida diária. Será que muitos não estão se enveredando pelos caminhos do G-12 porque não estão encontrando respostas para os seus dramas em suas próprias igrejas? O que nós, pregadores, precisamos fazer para, sem abrir mão do sermão bíblico, apresentar tais respostas que venham ao encontro dos corações sedentos por consolo? A respeito disso, LIMA nos exorta:

Precisamos, portanto, e com muita urgência, fazer uma nova leitura das necessidades reais do nosso povo e da sociedade ao nosso redor e pensar num meio de tornar as Boas Novas do Evangelho mais convincentes para o homem atual. [20]

Por último, o G-12 nos faz refletir sobre a qualidade do ensino doutrinário em nossas igrejas. BATISTA considera o seguinte:

É importante lembrar que o movimento revela a fragilidade do ensino nas igrejas evangélicas. Um vento de doutrina, com ensinos tão destoantes da Escritura, sequer é notado por membros dessas igrejas. O problema se agrava ao considerarmos que novas ondas nos esperam. Que Deus nos conduza à fidelidade à sua Palavra e à responsabilidade de lutar pela fé evangélica (Jd 3-4). [21]

Que valor damos ao ensino doutrinário em nossas igrejas? Investimos nos professores e alunos da Escola Bíblica Dominical? Estamos realmente acompanhando os nossos vocacionados? Incentivamos o nosso povo a ler e estudar a Bíblia? Eles estão lendo bons livros? Que tipo de literatura “evangélica” está nas mãos dos membros de nossas igrejas? Nossa responsabilidade como pastores-mestres é muito grande e se negligenciarmos a nossa missão, o preço a ser pago será muito alto. Poderá custar o nosso ministério.

Bem, creio que o G-12, como qualquer outra novidade, vai passar logo e desaparecer, assim como tantas outras ondas no meio cristão. Outros novos movimentos surgirão. Resta saber se aprendemos o suficiente com as experiências que tivemos com o G-12 para proteger nossos rebanhos dos futuros ventos das heresias.

Que o Senhor da Seara nos ajude.

ENGANADOS DE PROPÓSITO

A Diferença Entre Alimentar Ovelhas E Entreter Cabritos[1]

1 Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

2 E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;

3 também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.

2 Pedro 3:1 - 3

Conforme vimos em outro trabalho[2] Rick Warren e César Castellanos Dominguez são dois pastores estrangeiros que disputam o coração e as mentes dos pastores brasileiros e, por extensão, dos rebanhos. O séqüito de seguidores tanto de um como de outro não para de crescer o que é mais uma prova da falência quase absoluta da cristandade[3] no Brasil. Hoje em dia, a grande maioria dos pastores em particular e dos crentes em geral, não são mais seguidores de Jesus e sim seguidores de homens como Warren e Castellanos. Mas quem são estes homens?

Quem São Rick Warren E César Castellanos

Rick Warren é pastor da Saddleback Valley Community Church (é uma igreja Batista, mas não leva este nome para não ofender eventuais “clientes”), na cidade de Lake Forest, no condado de Orange no estado da Califórnia nos Estados Unidos. Ele é o “criador” do conceito “com propósitos” e tem dois livros lançados usando este conceito. O primeiro é “Uma Igreja com Propósitos” e o segundo é “Uma Vida com Propósitos” ambos disponíveis em português publicados pela Editora Vida. Existe ainda um terceiro livro “Ministério com Jovens com Propósitos” escrito por um pastor associado à Rick Warren. Além disto, Rick Warren realiza conferências “com propósito” ao redor do mundo e juntamente com o pastor batista Jerry Falwell realizou uma Super Conferência “com propósitos” em outubro de 2003 na Liberty Uiniversity em Lynchburg no Estado da Virgínia com transmissão televisiva simultânea para mais de 4.000 igrejas espalhadas pelos Estados Unidos da América. O conceito “com propósitos” é lucrativo, muito lucrativo e por este motivo ele agora é marca registrada (trade mark - ®) por Rick Warren e qualquer pessoa que deseje utilizar o termo “purpose driven” em inglês precisa, de agora em diante, pagar royalties para nosso pastor estadunidense. O esquema “com propósitos” atrai especialmente pastores que trabalham com a classe média (classe B) e é sustentado por uma estrutura que além dos livros e dos seminários promovidos mundo afora, conta ainda com um site (www.pastors.com) onde os pastores “com propósitos” podem obter desde um esboço dos sermões a serem pregados nas igrejas “com propósitos”, até toda a programação (conteúdo e tudo) que deve ser servida aos “clientes”. A revista Christianity Today chamou Rick Warren de “o pastor mais influente nos Estados Unidos da América”. E mais, Rick Warren foi reconhecido pela revista TIME® (que representa o pensamento da elite do hemisfério norte), como uma pessoa muito relevante para o mundo em geral e para os Estados Unidos da América em particular. Este reconhecimento, da revista TIME® seria o equivalente aos Saduceus (a elite dos dias de Jesus) reconhecerem Jesus como alguém relevante para a sociedade judaica dos Seus dias. Tire o leitor suas próprias conclusões acerca de tão distinta homenagem.

César Castellanos Dominguez é colombiano é presidente da igreja conhecida como Missão Carismática Internacional. A igreja de Castellanos foi, em suas próprias palavras, iniciada em Março de 1983 na sala de sua própria casa, com apenas 8 pessoas. Juntamente com sua esposa Claudia são os “criadores” do que está sendo chamado da igreja em células segundo o “modelo dos 12”. Em 1999, conforme uma de suas publicações, sua igreja contava com mais de 100 mil membros espalhados pela capital da Colômbia, Santa Fé de Bogotá e outras cidades. De acordo com Castellanos ele se inspirou na própria pessoa de Deus para desenvolver sua metodologia. De acordo com ele “Deus sonhou, depois planejou, desenhou e executou”. Munido deste esquema Castellanos partiu para conquistar primeiro a Colômbia e depois o mundo. Passadas as bravatas iniciais de que a Colômbia seria completamente transformada pelo poder da revelação do “modelo dos 12”, Castellanos, ameaçado de morte que foi em sua terra natal, mudou-se para Miami nos Estados Unidos. Atualmente encontra-se em Brasília acompanhando sua esposa que foi nomeada Embaixadora da Colômbia no Brasil. César trata de mudar a matriz da sua igreja para Brasília e reconhece, agora, que o Brasil é que será completamente transformado pelo poder da revelação do “modelo dos 12”[4]. O esquema de castellanos apela tanto para igrejas de classe média (classe B) como para as igrejas que trabalham com as classes mais baixas (classes C e D), principalmente as igrejas pequenas e independentes que não possuem nenhum tipo de sustentação nem de supervisão como a grande maioria das igrejas da chamada “terceira onda pentecostal[5]”. O tipo de igreja em células segundo o “modelo dos 12” é também muito lucrativo. Castellanos considera como “suas” todas as igrejas que usam células segundo o “modelo dos 12”. Assim sendo ele orienta e espera que todas estas igrejas adquiram todos os materiais impressos produzidos em gráficas de sua propriedade. Que adquiram todo o material televisivo produzido em estúdios também de sua propriedade. Além do material para as células existe material adicional para os encontros de fim de semana bem como uma infinidade de pequenos livretos versando sobre os mais variados temas.

O Que Rick Warren E César Castellanos Ensinam Em Seus Livros

Conforme mencionamos no início deste artigo, estes dois homens disputam com suas “criações”, seja o esquema “com propósitos” ou então o esquema da “igreja em células segundo o modelo dos 12”, as mentes e os corações dos pastores brasileiros. Como veremos a seguir, estes senhores além de manterem a colonização[6] acrescentam um elemento de perversidade ímpar que é atribuir às suas “criações” a condição de “revelação divina”. Por não acreditar no que estes homens pretendem nos impor o autor fará menção ao “deus” de Rick Warren e César Castellanos Dominguez com letras minúsculas como é conveniente se referir às divindades de falsos e pretensiosos profetas.

A seguir e sempre quando possível agruparemos as reivindicações de ambos senhores sob um tema comum. Quando isto não for possível discutiremos as pretensões individualmente. Os textos retirados dos livros de Rick Warren “Uma Igreja com Propósitos” e os retirados do livro de César Castellanos “Sonha e Ganharás o Mundo” serão sempre apresentados em vermelho de tal maneira que fiquem bem evidentes.

1 – Acerca da superioridade das formas de ministério propostas por Rick Warren e César Castellanos lemos o seguinte em seus livros:

“... a igreja celular é o paradigma da congregação mais poderosa do mundo. Pode-se dizer que um pastor que não entra nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área.” (Castellanos, César. Sonha e Ganharás o Mundo. Palavra da Fé Produções, São Paulo, 1999). Doravante as citações referentes à César Castellanos serão indicadas apenas por (Castellanos).

“Igrejas com propósitos serão as mais bem equipadas para o ministério durante todas as mudanças que enfrentaremos no século 21.” (Warren, Rick. Uma Igreja Com Propósitos. Editora Vida, São Paulo, 1997). Doravante as citações referentes à Rick Warren serão indicadas apenas por (Warren).

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa, (nem a Igreja com Propósitos de Rick Warren), a igreja celular é a igreja do Século XXI”. (Castellanos).

Como podemos observar estes senhores são muito pretensiosos. De acordo com Warren, se um pastor tem uma “igreja com propósitos”, ele tem uma igreja que está “mais bem equipada para o ministério, mas estará ao mesmo tempo, de acordo com Castellanos “matando o progresso do evangelho em sua área”. Por outro lado, se um pastor adota o sistema celular de Castellanos, ele estará adotando “o paradigma da congregação mais poderosa do mundo”, mas não sendo uma igreja com propósitos ala Rick Warren a mesma não estará “bem equipada para o ministério”. Ora, tanto Rick Warren quanto César Castellanos alegam (mais adiante iremos discutir suas alegadas revelações), que seus sistemas são derivados diretamente da Bíblia e por revelação direta de deus. Ao que parece o deus destes senhores está meio confuso, pois revela e ensina coisas que são mutuamente excludentes. No mínimo um dos dois está mentindo ou os dois estão pretendendo algo que não é realmente verdadeiro. A história da igreja está cheia de homens e mulheres que tentaram usar a Bíblia para justificar suas tolices. Rick Warren e César Castellanos são apenas mais dois em uma longa lista que, sem precisar ir muito longe, inclui Joseph Smith, o fundador do Mormonismo, Ellen G. White, a (falsa) voz da profecia da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Charles T. Russel e Joseph F. Rutherford que inventaram as assim chamadas Testemunhas de Jeová e Mary Baker Eddy fundadora da Ciência Cristã ou Igreja do Cristo Cientista apenas para citar quatro movimentos heréticos surgidos nas terras do norte somente no século XIX.

2 – Acerca do uso do crescimento extraordinário de suas igrejas como justificativa da indubitável bênção de Deus sobre seus ministérios:

“Hoje, 15 anos depois, ela é conhecida com (sic) a igreja batista que mais cresce na história americana. A média de freqüência no fim de semana é superior a dez mil pessoas, numa bonita e espaçosa área de 300 mil metros quadrados.” (W. A. Criswell na apresentação do livro de Rick Warren).

“Se alguém de qualquer parte do mundo espera ter uma evidência correta do respaldo do Senhor ao nosso chamado como pastores (Castellanos se refere a ele mesmo e sua esposa Cláudia) e de Seu propósito de grandeza, crescimento, avivamento e multiplicação desta visão, basta que assista um sábado no Coliseu Coberto El Campin de Bogotá. Líderes de todos os rincões da Colômbia e de outras nações já o têm feito, e quando vêem entre doze e quinze mil jovens reunidos ali, seu assombro é tal que não encontram palavras para descreve-lo.” (César Castellanos)

A reunião de jovens de Castellanos aos sábados junta mais pessoas que o culto dominical de Warren. Se o critério de número de freqüentadores tiver valor absoluto, então Castellanos é bem mais abençoado por seu deus do que Warren é pelo seu. A tolice de tal argumento é evidente. O Deus verdadeiro abençoa Seu povo e não métodos ou formas.

3 – Acerca de deus estar preparando verdadeiras multidões para aceitar o Evangelho (revelações diretas aos autores, não existe base bíblica para estas afirmativas):

“Deus está criando hoje ondas de pessoas receptivas ao evangelho. Devido à abundância de problemas em nosso mundo contemporâneo, muita gente parece estar aberta para as boas novas de Cristo mais do que nunca em qualquer outra época deste século”. (Warren)

Temos recebido a Palavra no sentido de nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparado para isto, é a estrutura celular”. (Castellanos).

A Bíblia no Antigo Testamento ensina claramente e o Novo Testamento confirma que “como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer – Romanos 3:10 -12. Agora, este senhores nos vem com este papo furado de que “muita gente parece estar aberta para as boas novas de Cristo – Warren” e “temos recebido a Palavra no sentido de nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo" – Castellanos.

A palavra de Deus é bem clara quanto ao fato dos homens caídos e sem Deus serem descrito pelas Escrituras com adjetivos contundentes tais como: desviados, perdidos, fracos, ímpios, extraviados, inúteis, pecadores, incapazes de fazer o bem, mortos em delitos e pecados, transgressores, homens naturais incapazes de aceitar e de entender a revelação de Deus, néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-se uns aos outros. A Bíblia não descreve ninguém naturalmente aberto para as boas novas e muito menos pessoas correndo pelas ruas aos milhões demonstrando seu desejo de saber de Jesus. Somente quando o pecador se coloca sobre a influência do Espírito Santo mediante a pregação da Palavra de Deus é que ele pode se despertado para a vida com Deus. O mandamento do Senhor deve nos mover hoje. Jesus disse: Ide! Por este motivo não devemos esperar nem por milhões de pessoas correndo pelas ruas querendo saber acerca de Jesus como pretende Castellanos e certamente o Deus verdadeiro não está no negócio do “surf”, criando ondas de incrédulos sedentos pela salvação como pretende e ensina Rick Warren!

4 – Acerca das outras igrejas estarem perdendo as oportunidades que Deus está criando (somente a de Castellanos e a de Warren estão isentas assim como todas as que estejam usando seus métodos):

“Algo que temos entendido no plano espiritual, é que o Senhor tem um tempo de graça e de visitação de seu Espírito Santo para cada cidade ou nação, e se não aproveitarmos este tempo pregando, a oportunidade se perderá e as almas ficarão sem salvação”. (Castellanos).

“... nossas igrejas estão perdendo as ondas espirituais que podem trazer reavivamento, saúde espiritual e crescimento explosivo, devido à falta de ensinamento das habilidades básicas para compreender o movimento que elas têm”. (Warren).

As “almas ficarão sem salvação” e as “igrejas estão perdendo as ondas espirituais que podem trazer reavivamento, saúde espiritual e crescimento explosivo” indicam claramente um evangelho centrado no homem e não em Deus. Castellanos crê que somente a visão celular pode satisfazer a demanda da Grande Comissão nos nossos dias. Já Rick Warren acredita que ele pode ensinar qualquer igreja as habilidades básicas para satisfazer a grande comissão. Novamente fica claro que cada um deles quer pretender ser o autor com “a solução” definitiva para a Igreja do século XXI.

5 – Acerca do esforço envidado para alcançar a pretensa e distinta iluminação que eles querem agora compartilhar e transmitir a todos nós. Note a clara Intenção de tentar impressionar os leitores!

“...visitei centenas de igrejas ao redor do mundo. Conversei com milhares de pastores e entrevistei centenas de líderes e professores sobre o que eles observam na igrejas. Escrevi para as cem maiores igrejas dos Estados Unidos e passei um ano pesquisando o ministério de cada uma. Já li quase todos os livros publicados sobre o tema “crescimento da Igreja”. Passei muito tempo estudando o Novo Testamento.”(Warren)

“...ensinei para mais de vinte e dois mil pastores nos últimos quinze anos. Além disso, líderes de 42 países e 60 diferentes denominações encomendaram as fitas do seminário.” (Warren).

“Passei anos intercedendo por suas vidas e sonhando com sua salvação, em longas jornadas de jejum e oração.” (Castellanos).

”Definitivamente temos que ser criativos; o mundo é daqueles que inovam.” (Castellanos).

“...estando por horas no lugar secreto de oração.” (Castellanos).

“Passava dias inteiros em meu quarto de oração.” (Castellanos).

“Fui sensível à voz de Deus quando me disse para que fosse ao Jordão para ser batizada novamente. Quando saí das águas do Jordão, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava Seu Espírito, foi quando minha vida mudou”. (Castellanos).

“Deus me deu a capacidade de observar os corações de nosso povo para conhecer suas necessidades espirituais.” (Castellanos).

“Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo a direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze.” (Castellanos).

“Em uma das minhas tantas noites no lugar secreto, entrando em um período especial de oração...”. (Castellanos).

O que podemos fazer? Um falou com milhares de pastores, professores e líderes, visitou e estudou centenas de igrejas, leu quase tudo sobre o assunto, exageros à parte é claro, e estudou o Novo Testamento exaustivamente (Warren). O outro nos “descobre” suas muitas e muitas horas no lugar secreto onde deus lhe revela coisas diretamente (Castellanos). A mulher deste último (Cláudia) nos conta que sua experiência de batismo no Jordão foi uma espécie de “repeteco” do batismo do próprio Senhor com os céus se abrindo e tudo o mais! É de tirar o fôlego caro leitor. Ou seja, estas pessoas são imbatíveis. A pesquisa de um e as revelações do outro são a garantia definitiva de que eles estão certos e não podem, em nenhuma hipótese, estar errados. Todas as palavras em vermelho acima servem apenas para indicar o desprezo que estes senhores nutrem pela palavra revelada pelo Deus verdadeiro e o quanto eles valorizam, de forma narcisista, suas próprias atividades e experiências.

6 – Acerca do impacto que seus ministérios têm sobre outros:

“A Convenção Anual da igreja cumpre este propósito e, nela, líderes de todo o mundo encontram as portas da Colômbia e da Missão Carismática Internacional, abertas para entrar nessa dimensão na qual o Espírito Santo se encarrega de esclarecer-lhes a importância de romper os moldes do tradicionalismo e pô-los no caminho da igreja do presente e do futuro”. (Castellanos).

“Na estante de meu escritório, tenho mais de uma dúzia de livros escritos por pessoas que treinei e que colocaram minhas idéias em livros antes de mim”.

“Mais de cem teses de doutorado foram escritas sobre o crescimento da Saddleback. Temos sido dissecados, analisados, pesquisados e avaliados por mentes bem mais dotadas que a minha.” (Warren).

Note que para Castellanos é o Espírito Santo quem se encarrega de ajudar os líderes do mundo inteiro a entrar na dimensão da igreja do presente e do futuro que na opinião dele é segundo o modelo dos doze. Do outro lado, a igreja proposta por Warren, que é a igreja com propósitos, já foi dissecada, analisada, pesquisada e avaliada e já se escreveram mais de cem teses de doutorado sobre a mesma! Ou seja, eles realmente estão com a corda toda. De um lado ninguém menor do que o próprio Espírito Santo. Do outro mais de cem doutores! Qual é o propósito de escreve estas coisas? Todas estas coisas são ditas apenas para impressionar os leitores!

7 – Acerca da chamada e das revelações diretas. É aqui que o porco torce o rabo!

“A Missão Carismática Internacional é uma igreja eminentemente profética... seu início foi determinado por uma Palavra profética dada diretamente por Deus a este Seu servo.” (Castellanos).

“Acredito que W. A. Criswell é o maior pastor americano do século 21. Ele pastoreou a Primeira Igreja Batista de Dallas por 50 anos, escreveu mais de 50 livros e desenvolveu a igreja-modelo mais conhecida e imitada mundialmente destes tempos. Enquanto escutava aquele grande homem pregar, Deus falou claramente comigo e me chamou para ser um pastor. Depois do culto esperava na fila para apertar as mãos do Dr. Criswell. Quando finalmente chegou minha vez, algo inesperado aconteceu. Ele olhou para mim com os olhos cheios de bondade e disse, com firmeza: Rapaz sinto vontade de impor minhas mãos sobre sua cabeça e orar por você.” (Warren).

“Em mais de uma oportunidade tenho escutado claramente o Senhor, dizendo-me: tu és o canal através do qual flui meu espírito.” (Castellanos).

“Senti que Deus estava me guiando para que investisse o resto de minha vida descobrindo os princípios bíblicos, culturais e de liderança, que produzem igrejas crescentes e saudáveis.” (Warren).

“Dispus-me a contar - Lhe todos os meus pecados. Chorei – os, senti dor em meu coração por haver ofendido a Deus. Em seguida sucedeu o extraordinário: vi uma mão aberta que penetrou minha cabeça e começou a descer até a planta dos pés de forma carinhosa e, à medida que o fazia, o fardo do meu pecado desaparecia.” (Castellanos).

“Sentado ali no porão empoeirado e mal iluminado da biblioteca de Universidade, ouvi Deus falar comigo claramente.” (Warren).

“Entrei num nível de adoração muito mais intenso, diferente do que estava acostumado.” (Castellanos).

Como podemos notar tanto Castellanos quanto Warren têm ouvido deus falar “claramente”. Os dois usam esta mesma expressão “claramente”. O primeiro nos diz que “tenho escutado claramente o Senhor, dizendo-me: tu és o canal através do qual flui meu espírito”. O segundo afirma categoricamente que “ouvi Deus falar comigo claramente.” Para dar mais ênfase a este aspecto, de que Deus teria falado claramente com eles, note como os dois dizem que “algo inesperado aconteceu (Warren) e sucedeu o extraordinário (Castellanos). Atribuir a deus a origem dos seus métodos é um argumento bem conhecido entre aqueles que não suportam a sã doutrina e precisam alimentar suas fantasias e fábulas. Paulo, genuinamente inspirado por Deus, já advertia o jovem pastor Timóteo com estas palavras: Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas – 2 Timóteo 4:1 – 4. Nós faremos também muito bem se voltarmos nossas costas para estes mentirosos que usam Deus como desculpa para semear suas insidiosas mentiras.

8 - Acerca do deus minúsculo de Warren e Castellanos:

“Não podemos fazer nada sem Deus, mas Ele não faz nada sem nós. Igrejas crescem pela atuação do poder de Deus, por meio do esforço de pessoas habilidosas.” (Warren).

“A igreja do Século XXI é aquela em que o pastor terá uma responsabilidade que demandará a maior eficiência, o que o impulsionará a trabalhar com um conceito empresarial, pois a igreja é a empresa mais importante de uma nação...”. (Castellanos)

“Ao estudar as igrejas de hoje, fica óbvio que Deus usa todos os meios e que tem abençoado alguns mais que outros.” (Warren).

Certamente nem Castellanos nem Warren nunca ouviram nem leram, apesar de dizer explicitamente que investiram muito tempo estudando o Novo Testamento, as palavras de Jesus quando disse, referindo-se àqueles que o aclamavam como filho de Davi enquanto os fariseus protestavam para que o Senhor os fizesse calar: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão – Lucas 19:40”. Quanta pobreza, a destes dois senhores imaginarem que o Deus glorioso precise de algum homem por mais importante que este seja! Que o Deus verdadeiro não faz nada sem nós. Imaginar que Deus precisa implementar conceitos empresariais e de marketing para fazer a igreja funcionar como deve. Estas idéias só podem ser fruto da imaginação de homens que não conhecem o Deus verdadeiro.

9 - Acerca do guarda-chuva protetor “se você não entende, não critique”:

“Nunca devemos criticar o que Deus está abençoando, mesmo que seja um estilo de ministério que faça com que alguns de nós não nos sintamos muito à vontade”. (Warren).

Rick Warren demonstra ser é um manipulador profissional. Ele desenvolve um sistema completamente fechado que inclui o ato de desarmar seus críticos apelando da maneira mais baixa possível para que não se critique aquilo que, segundo Warren, Deus está abençoando. Ora como é que Deus pode abençoar tamanha pretensão e descaramento? Como poderia Deus abençoar tamanho desprezo por sua palavra que diz “não há quem busque a Deus” enquanto Rick Warren defende, de forma incansável, que existem pessoas que são sensíveis e que estão buscando a Deus (Warren chama tais pessoas de “sensitive seekers” termo este que ele adotou de um movimento do século XIX chamado de Teosofia cujos fundadores foram a renegada aristocrata russa Helena Petrovna Blavatsky e o Coronel estadunidense Henry Olcott) e procura desenvolver toda sua abordagem apostando na suposta existência de tais pessoas que a Bíblia diz claramente que não existem!

10 - Acerca de acompanhar os tempos e ser “moderno”:

”Definitivamente temos que ser criativos; o mundo é daqueles que inovam.” (Castellanos).

Seria de fato cômico se não fosse tão trágico. Não somos mais chamados para sermos fiéis como lemos em 1 Coríntios 4:2 que diz “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”. Agora somos chamados para sermos inovadores, criativos etc. Deus não nos chamou para sermos inovadores. Chamou-nos para sermos fiéis. De que lado realmente gostaríamos de ser encontrados pelo Senhor na Sua vinda? Do lado dos que foram fiéis ou do lado dos inovadores?

Você está sendo fiel à Palavra de Deus se insiste em comunicá-la de uma forma antiquada?” (Warren).

A questão real não é a forma como você comunica a Palavra de Deus e sim o conteúdo. Rick Warren pertence a um movimento que foi muito bem definido pelo pensador e teólogo Os Guinness[7] como um grupo que pretende “jantar com o Diabo”. Este grupo procura utilizar o que há de mais moderno na sociologia, na psicologia e no marketing para acertar em cheio no alvo e “vender” Jesus da melhor maneira (comercialmente falando) possível. Rick Warren não nega que tem recebido imensa influência do papa da administração moderna Peter Drucker. Nos sites de Rick Warren e de Peter Drucker existem declarações explícitas de que os dois (ele e Peter) são amigos e Warren reconhece seu enorme débito ao incrédulo Drucker. (Em outro artigo o autor pretende expor a massiva influência de Peter Drucker e da Teoria Geral dos Sistemas tanto no modelo “com propósitos de Rick Warren” como no modelo “celular dos 12 de César Castellanos”).

Dentro deste contexto note as frases seguintes e perceba a manipulação psicológica envolvida:

“Fazer com que as pessoas dedicadas sejam heróis em sua igreja faz com que elas se dediquem mais a ela” (Warren).

“Se usarmos um termo do mundo empresarial, podemos dizer que a nossa igreja está no ramo de “desenvolvimento de discípulos” e que nosso produto é mudança de vida.” (Warren).

“Me senti em casa com empresários, homens de negócios, gerentes e profissionais liberais”. (Warren).

Nas frases acima fica clara a intenção de Warren de utilizar não só a metodologia mercadológica, mas o fato de que ele se sente bem confortável usando a própria linguagem do mundo empresarial.

“Deus não nos chamou para sermos originais (para justificar a imitação de idéias cuja origem não pode ser justificada pela Bíblia) em todas as coisas. Ele nos chamou para sermos eficientes”. (Warren).

Não! Deus nos chamou para sermos fiéis. Deus não nos chamou para sermos eficientes.

Peter Drucker E Sua Influência Sobre O Movimento Moderno De Crescimento Da Igreja.

É impossível entendermos Rick Warren separado do seu mentor e guru administrativo Peter Drucker. Todo o conceito atrelado a “com propósitos” está irremediavelmente ligado a Peter Drucker e este por sua vez está ligado aos movimentos místicos do século XIX especialmente à Teosofia.

Nascido na Áustria Peter Drucker emigrou para a Inglaterra em 1933. Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial emigrou para os Estados Unidos da América. Como consultor da General Motors e outras grandes corporações ele lançou os fundamentos das técnicas modernas de gerenciamento.

Suas técnicas de gerenciamento estão por trás das maiores igrejas do século XXI entre as quais podemos citar: Willowcreek Church (Bill Hybels), The Connecting Church (Randy Frazee), The Church of Irresistible Influence (Robert Lewis), The Perimeter Church of Atlanta e a Missão Carismática Internacional de César Castellanos. Todas estas igrejas têm em comum o uso das idéias de reestruturação gerencial-administrativa que varreu o mundo empresarial a partir da década 80 e que agora atinge em cheio as igrejas chamadas cristãs.

Esta visão de reestruturação das igrejas produziu não somente o “modelo com propostos” e o “modelo dos 12”, mas uma grande infinidade de outros modelos como têm sido propostos por Peter Wagner, Lyle Schaller, Wayne Cordeiro e outros. Todos estes modelos encontram-se em um denominador comum que é a Teoria Geral dos Sistemas. De acordo com esta teoria as doutrinas tradicionais da fé cristã que dizem respeito à antropologia bíblica (estudo do homem como criado por Deus) precisam ceder lugar a uma nova visão evolucionária onde o próprio homem é o grande responsável pela sua própria transformação, da sua comunidade e da sociedade geral. A Teoria Geral dos Sistemas é derivada da Teosofia que por sua vez sorveu as idéias dos movimentos místicos dos séculos XVIII e XIX entre os quais podemos citar o Swedenborgianismo (Emmanuel Swedenborg 1688 – 1772), o Mesmerismo (Fraz Anton Mesmer 1735 – 1815) e o Espiritismo.

A igreja com propósitos de Rick Warren, a igreja em células, seja ela do tipo “apostólica ou pós-denominacional”, a igreja em células segundo o modelo dos 12 de César Castellanos e todos os modelos missiológicos surgidos a partir da segunda metade do século XX, procedem diretamente dos ensinos da Teoria Geral dos Sistemas e da Teosofia. Entre estas igrejas encontramos inúmeros elementos que são utilizados para justificar a reestruturação. Assim temos que dentro das igrejas em células e apostólicas vemos a introdução de novas doutrinas como a curiosa doutrina da “cobertura espiritual”. Os modelos missiológicos capitaneados pelo Fuller Theological Seminary e pelo U.S. Center for World Mission também têm introduzido novas doutrinas como a chamada “contextualização”. Os grupos carismáticos estão submetidos a uma torrente infindável de profecias e atitudes mistificadoras como o ato de “salgar” lugares ou àquilo que o autor chama de “voodoo evangélico” praticado pela pastora e agora apóstola Valnice Milhomens que foi enterrar nos quatro pontos cardeais do Brasil uma caixa contendo em suas próprias palavras “trigo, representando a palavra, azeite representando a unção do Espírito; e vinho representando a comunhão com o Senhor, além de uma Bíblia, é claro”, visando com isto reivindicar o Brasil para Deus. A igreja com propósitos não é tão espalhafatosa e procura se alinhar mais com uma linguagem empresarial conforme as palavras de Rick Warren acima.

Os aspectos evolucionários da Teoria Geral dos Sistemas derivados da Teosofia se encaixam como uma luva na noção de que a igreja, como uma noiva, precisa ela mesma se aperfeiçoar na terra tanto estruturalmente como espiritualmente para se encontrar com Jesus quando Ele voltar. As citações acima confirmam esta intenção já que ambos autores julgam seus métodos os mais apropriados para fazer frente a esta demanda de preparar a igreja para se encontrar com seu Senhor. Os livros de Rick Warren e César Castellanos estão cheios de mentiras de como as pessoas estão insatisfeitas com as igrejas tradicionais tanto no que diz respeito aos programas oferecidos quanto à estrutura organizacional. Mas eles não estão refletindo o sentimento atual das pessoas. Estão refletindo o sentimento das pessoas do século XIX quando a cristandade[8] desabou na Europa e nos Estados Unidos deixando um vácuo que foi completamente preenchido por místicos como Emmanuel Swedenborg, Fraz Anton Mesmer, e a Sociedade Teosófica de madame Blavatsky na Europa e nos Estados Unidos da América pelo Espiritismo das irmãs Fox e pelos quatro movimentos citados anteriormente (Mormonismo, Adventismo do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová e Ciência Cristã). Os Estados Unidos da América ainda sofreriam mais um ataque avassalador contra a cristandade institucional com o advento do movimento Pentecostal e seus desdobramentos posteriores no movimento carismático e terceira onda. Agora, a afronta continua com estes senhores que falando em nome de Deus propõe uma nova doutrina da igreja para o século XXI.

Na realidade, o que Rick Warren e César Castellanos propõem com suas idéias inovadoras e criativas, mas nem um pouco fiéis à palavra de Deus, é um esquema para entreter bodes o que não tem nada a ver com edificar as ovelhas que compõe o rebanho de Deus.

Em artigos futuros pretendemos discutir a história religiosa que nos conduziu até a presente situação em que nos encontramos com especial atenção ao movimento das mega-igrejas e dos profetas e apóstolos modernos.

Igrejas cheias - crentes vazios

Triste, lamentável, insuportável! É o que sinto em relação à situação da maioria das igrejas de hoje.

Grandes instituições que se envaidecem com o crescimento numérico, mas que não enxergam sua real situação. Nos púlpitos, líderes que se autodenominam "Apóstolos", "Bispos", "sacerdotes", daqui a pouco serão “demiurgos”. E na multidão, pessoas seduzidas pelas falsas promessas de prosperidade, grandeza e poder.

O véu do templo foi rasgado, porém, os camaradas insistem em recosturá-lo, pior ainda, constroem "Templos" e dizem: "Esta é a casa de Deus, fora dela não há salvação", esquecendo-se que Deus fez do homem Seu tabernáculo através de Jesus Cristo.

Não apascentam as ovelhas de Cristo, não pregam o Evangelho do Senhor, mas criam técnicas de manipulação, querem "crescer" em números, querem a glória para si, fama, ibope. "Aqui é a última porta", "ninguém faz mais milagres que EU!" Falam de si como se fossem deuses.

Poder é o que pregam. estão obcecados pelo tal "PODER". "Vocês pedir mais poder"! (Mas é exatamente o "poder" que está levando muitos à ruína).

A palavra chave é: "Sobrenatural".

"Hoje vamos trazer o céu até aqui"! (Ué, não é mais a "Igreja" que vai para o céu?). Loucos, lobos devoradores é o que são. E os analfabetos de bíblia dizem "amém" para tudo o que eles dizem, parecem até aquelas lagartixas que a cabeça balança à toa.

Os cultos são "alegres", "avivados", cheios de festa. Danças, palmas, gritos, gemidos.Há todo tipo de bizarrice e estupidez. Onde está o Evangelho? Onde está Jesus Cristo em suas músicas egocêntricas e chantagistas?

O "tal" Novo Testamento já não é mais lido. Aliás, pra quê? É tão sem graça, não tem atos proféticos, nem profecias ou promessas de triunfo e vida regalada. Como mitômanos vivem cegamente a sua historinha que só é verdade para eles. E, cheios de "poder", "profetizam" e "declaram" :"Somos, temos, podemos".

Se parassem por um instante para ler o Evangelho de Jesus Cristo, se calassem suas bocas tagarelas por um minuto ouviriam o Senhor falar, então perceberiam que são muitos, milhares de "crentes", porém vazios.

"E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Apocalipse 3;14-22

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Doutrinas Neo-Pentecostais - CONFISSÃO POSITIVA

Doutrinas Neo-Pentecostais

A partir dos anos 70, surgiu um movimento considerado como neo-pentecostalismo. Este movimento se originou a partir de denominações históricas, tais como: a Igreja Presbiteriana Renovada, em 1975; as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios, fundada em 1970, e Socorrista, em 1973; as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica, como a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977; e os Pentecostais Carismáticos, Renovação Carismática, originária da Igreja Católica Romana, fundadas em 1967. Outras mais têm aderido ao movimento, entretanto, depois de aferir seus conteúdos doutrinários, têm abandonado sua prática e apoio.

Ultimamente, com essas doutrinas Neo-Pentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas, como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade, Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração); pregada por avivalistas em acampamentos cristãos, em congressos, em escolas bíblicas de férias e na televisão; e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Tom, da Cura Diferencial e do Exorcismo. Todos estes, evangélicos ou não, sem nenhuma consulta à exegese bíblica ou alicerces e filtro teológico, ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai, Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes, Kenneth Hagin, Marilyn Hickey, Kenneth Copeland, Robert Schüller, Benny Hinn, Jorge Tadeu, Joyce Meyers e Valnice Milhomens.

Espero que todos que leiam este pequeno opúsculo, tenham a certeza que estamos procurando defender, com muita submissão, os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus, para a qual fomos chamados a cuidar. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples, como os abaixo abordados, pensando estar fazendo o melhor para Deus, quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja! E ainda lembremo-nos, um sinal sempre será também sinal para incrédulos! Em toda a história, homens e mulheres no decorrer de sua incansável procura por um toque religioso, sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. Jesus rotulou essa multidão que andava à vândalo de um lado para o outro, em busca de uma experiência, e algo novo e diferente, de multidão má e incrédula -- "Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: uma geração má e adúltera pede um sinal" (Mt 12:38,39). Concluindo, o homem vem a este mundo e passa por quatro diferentes fases: vida estética, vida ética, vida religiosa e vida de fé; se lograr chegar na última será um crente vitorioso, um homem de fé!

Logos e Rhema

Os apologistas da confissão positiva fazem um "cavalo de batalha" sobre os termos gregos Logos (Logos) e rhema (rema) que significam palavra, dizendo que há uma distinção teológica entre eles no sentido de que Logos é a Palavra escrita, revelada de Deus, e que rhema é a palavra dita, expressa de Deus, que faz com que as coisas sejam realizadas. Desta forma, eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico aquilo que desejamos, como se ela fosse uma varinha mágica.

Entretanto, na Palavra de Deus não há uma distinção fundamental teológica entre estes dois termos. Todo estudante da teologia sabe que os nomes sempre aparecem na Bíblia para designar uma função ou estado de um ser ou objeto. Por exemplo: o nome Jeová é o designativo da Divindade quando foi manifestada no tempo para a redenção de Israel; e El-Shadai para suprir a necessidade do povo a fim de que a promessa feita a Abraão fosse cumprida na sua plenitude (Êxodo 6:3). E quanto à ênfase dada por Jesus, "em meu nome expulsarão os demônios", nunca quis ele dizer que seria no poder do nome em si, mas na autoridade da pessoa que o nome se refere, Jesus Cristo! A ênfase de Pedro (apologia feita quanto à fórmula do batismo nas águas, na Teologia dos Três Batismos, da Paracletologia), no capítulo dois, e versículo 38 de Atos dos Apóstolos:"e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo", não contradiz o mandamento do Senhor, "batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". Na Bíblia Sagrada, nome é o símbolo de autoridade. A sentença grega epi to onomati Iesou Christou "em nome de Jesus Cristo", explicita que o batismo deve ser feito na autoridade do nome de Jesus. A preposição grega epi (epi) - em nome, de Atos 8:38; a en (en) - no nome, de Atos 10:48 e eis (eis) - pelo nome, implica autoridade proprietária e direta legada à uma pessoa! Portanto, acrescentar valores superbos aos nomes mais do que às pessoas que eles representam, seria fabricar uma doutrina panteísta!

Russel Shedd afirmou que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta, capítulo 1:23-25: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra (Logos) de Deus, viva que permanece para sempre. Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra (rhema) do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra (rhema) que entre vós foi evangelizada". Como podemos ver, na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos.

Doutrina da Prosperidade

Afirmam os pregadores da confissão positiva que a prosperidade financeira é uma prova de fidelidade do crente à Deus. Dizem, por exemplo, que o ministério de Jesus era muito rico, por isso é que tinha um tesoureiro. Dizem, ainda, que a pobreza é o ápice da maldição do homem. É claro que devemos evitar quaisquer extremos: a Doutrina da Prosperidade e a Doutrina da Miserabilidade. A prosperidade bíblica é verdadeira, e para Deus, ser próspero significa ter todas as necessidades supridas (Salmos 1:3), e não ser, especificamente, abastado. Jesus não era rico materialmente; vejamos o que ele disse de si mesmo quando um escriba intentou lhe seguir: "...as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" -- e esta não é uma metáfora, mas sim, uma linguagem cultural bíblica -- aqui raposa é raposa, e ave é ave (Mateus 8:20). Quando Jesus quis se referir ao Governo Romano ele utilizou uma linguagem política, quando disse: "Dai pois a César o que é de César..." (Mateus 22:21)!

Doutra feita, Pedro chegou perto de Jesus e disse que lhe estavam cobrando os impostos. Jesus, então, mandou Pedro pescar um peixe e tirar uma moeda de sua boca para pagar o tributo (Mateus 17:24-27). Vejam que Jesus não tinha em seu poder sequer uma moeda. Não podemos, porém, no sentido de contra-atacar a doutrina da prosperidade, pregar a comiseração — artéria veicular e histórica da indulgência católica romana, induzindo que o Senhor se apraz em que sejamos pobres, necessitados e dependentes. Afirmando, ainda, que ele veio unicamente para os pobres: “os cegos vêm, os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o Evangelho” (Mateus 11:5).

Paulo disse: "sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza enriquecêsseis"(2 Coríntios 8:9)."O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus"(Filipenses 4:19).

Pedro e João disseram: "E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou.” (Atos 3:6)

Davi disse: "Fui moço, e agora sou velho mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão"(Salmos 37:25).

Jesus disse: "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:31-33).

Onde houver necessidade Deus pode mudar dias, transplantar órgãos e fazer da água vinho! Ele é soberano. Porém, lembremo-nos, sempre onde houver necessidade, porque Deus não espolia os seus bens. Somente o ladrão é que veio para roubar, matar e destruir, oferecer e pôr no lixo aquilo que a ele não pertence, aquilo que foi usurpado: "e disse-lhe: tudo isto eu te darei, se prostrado me adorares" (Mt 4:9). Note bem este fato meu caro irmão: se algum abastado recebeu um dente de ouro, o qual livremente poderia obtê-lo num dentista, sem dúvida alguma, não foi Deus, foi o Usurpador! Esse dente logo vai apagar seu brilho; aquela prosperidade logo vai sair pela próxima abertura do saco furado do explorador de bens dos incautos; aquela sensação de levitação pela queda do poder logo vai transformar-se numa contínua dependência psíquica-espiritual e, se não liberto dela, imediatamente numa opressão diabólica; aquela paralisia vai voltar acompanhada de um agudo glaucoma! A velha serpente não tem nem para si, muito menos para os servos de Deus! Em nome de Jesus, acordemos enquanto é dia; vejamos as coisas com uma óptica genuinamente do Espírito!

Como já disse, os dois extremos devem ser rejeitados. A verdadeira doutrina da prosperidade é a bíblica que, em síntese, diz que temos todas as nossas necessidades supridas: “o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (Colossenses 4:19) -- José de Arimatéia, um abastado político, pôde sentar no mesmo banco de primeira fila da congregação de Betânia, com Pedro, um rude e pobre pescador!

Quebra de Maldições

Os pregadores da Confissão Positiva afirmam que um indivíduo que tenha problemas com adultério, álcool, pornografia, câncer e AIDS, os tem porque ele herdou de algum antepassado que teve problemas nestas áreas. Sendo assim, o antepassado passou aquela maldição, como que por “genes espirituais” para seus descendentes. Por isso, continuam eles, o descendente deve pedir ajuda ao Espírito Santo para lhe revelar em quem a maldição teve início, para pedir perdão pelo antepassado, e a maldição ser quebrada. Imagine só! Estão ou não estão, os avivalistas de colarinho clerical evangélico, à guisa de uma barata mercantilização, trazendo para o seio do cristianismo imáculo a prática hedionda do Budismo, do Xintoísmo, do Hinduísmo e do Espiritismo? Ou o espírito da diabólica doutrina do batismo pelos mortos, cerne da profissão de fé dos mórmons, não está sendo praticada nas reuniões carismáticas; e a evocação de espíritos estranhos nas de desmaio, de gritarias estéricas, de arrebatamentos, de levitação de muitos avivalistas?

Estamos embebendo o cristianismo num sincretismo religioso letal. As atitudes, as relíquias e as substâncias têm assumido um papel tão importante à fé cristã atual, que os cristãos quase não podem mais viver sem eles. Convivemos com amuletos e superstições infindáveis, braço direito da Maldição Hereditária! E, amuleto, é uma figura, medalha ou qualquer objeto portátil, qualquer coisa a que supersticiosamente se atribui, direta ou indiretamente, virtude sobrenatural para livrar seu portador de males materiais e espirituais, e para propiciar benefícios nessas áreas. Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (Atos 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); se somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); somos novas criaturas (2 Co 5.17); o diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1 Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); podemos usar o nome de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios (Mc 16.17-18); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.91 Ts 1.10). Em razão disso, somente o retorno voluntário ao pecado poderá alterar a nossa situação diante de Deus. O uso de qualquer objeto, seja no corpo, seja em nossa casa, não melhora em nada a nossa condição de filho, de herdeiro, de abençoado, de isento das investidas do diabo. Objetos não expulsam demônios, não quebram maldições, não substituem o poderoso nome de Jesus. O uso de amuletos evidencia não uma atitude de fé, mas de muita falta de fé. Deus não opera por esse meio, sejam cordões, pulseiras, pirâmides, cristais, velas, lenços, fotografias ou qualquer outro produto.

O texto bíblico mais utilizado pelos propagadores desta doutrina é o de Êxodo 20:4-6, onde Moisés escreveu sobre o mandamento que condena a prática da idolatria. Entretanto, numa simples análise hermenêutica, este texto fala de idolatria e não de adultério, câncer, AIDS, ou qualquer outra enfermidade, tão pouco oferece alguma base para a doutrina de transmissão hereditária de maldições. Se tivéssemos de aceitar o fenômeno transmigratório espírita, seria muito mais razoável endossar a transmissão e duplicação de caráter pela sócio-biogenética tão debatidos pelos humanistas seculares! Entretanto, e por outro lado, sabemos pela lei da semeadura estabelecida por Deus, que sempre quando quebramos os mandamentos do Senhor, somos amaldiçoados pelo pecado, mas sempre quando somos obedientes à Ele, somos agraciadamente livres de qualquer maldição! Estas verdades já foram preconizadas no Velho Testamento pelo Profeta Ezequiel quando afirmou: "...Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram... nunca mais direis este provérbio... Eis que todas as almas são minhas... a alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:2-4); "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus"(Rm 14:12).

Movimento Gê-Doze

 "Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.  Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo." (Efésios 4.14-15) O G-12 é um movimento de perfil neo-pentecostal que vem confundindo lideranças e membros de igrejas evangélicas, ao pregar e arrebanhar pessoas através de práticas esotéricas e para-psicológicas, tais como: cura interior, liberação de perdão divino, regressão psicológica, meditação transcendental e transmigração hereditária. O fundador do movimento foi César Castellanos Domínguez, pastor-fundador da Missão Carismática Internacional, cuja sede principal fica em Bogotá na Colômbia, e que segundo informações, possui 170 mil membros. A definição do termo G-12, vem das próprias palavras de Castellanos: “o princípio dos doze é um revolucionário modelo de liderança que consiste em que a cabeça de um ministério seleciona doze pessoas para reproduzir seu caráter e autoridade neles para desenvolver a visão da igreja, facilitando assim a multiplicação; essas doze pessoas selecionam a outras doze, e estas a outras doze, para fazer com elas o mesmo que o líder fez em suas vidas.”

O encontro que originalmente era uma Classe de Catecúmenos Intensiva, tornou-se, mais tarde, simplesmente numa estratégia de Castellanos para integrar novos convertidos à sua Missão, e, atualmente, uma ponte para a conquista migratória de adeptos para o seu movimento. Assim, o G-12 não é a alternativa final de Deus para a igreja, não é o mover do Espírito Santo nesses dias e nem os encontros um mero método originalmente bíblico discipulador. Com certeza, não! A síndrome presente nesse e em outros movimentos semelhantes é o desejo da construção de impérios pessoais ao invés de edificação do Reino de Deus. É a idolatria dos números; é a autolatria dos seus mentores; é a presunção egoísta incorporada em vez da paixão manifestada dos adeptos aos encontros! Jamais poderemos aceitar o princípio de que os fins justificam os meios, ou que o crescimento numérico, à revelia, e o alcance de todos os povos com o Evangelho da Graça, são prerrogativas para a Vinda de Cristo! Deus é soberano, e a Segunda Vinda de Cristo está sob seu eterno propósito!

Obviamente, olhando de relance e por uma óptica cosmológica, nada há de errado, pois este princípio já foi contemplado em 2 Tm 2:2 — "E o que de min, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros." O G-12 é apenas mais um modelo de discipulado, um programa de células a mais baseado no sucesso eclesial de Paul (David) Yonggi Cho, uma outra mania eclesiástica do século presente! Entretanto, o aspecto fundamental é o encontro em si, e a rutura da unidade da igreja. Aos encontros tem sido atribuído, por seus defensores, um caráter normativo, como se somente lá pudesse alguém se encontrar com Deus e ter a vida transformada. Em verdade a idéia mesmo é de um amadurecimento instantâneo, através do qual ocorrem a santificação, mudança e vocação instantânea do prosélito. Castellanos afirma: "O encontro é uma vivência genuína com Jesus Cristo, com a pessoa do Espírito Santo e com as Sagradas Escrituras, nos quais, mediante conferências, palestras, vídeos e práticas de introspecção se leva o novo convertido ao arrependimento, libertação de amarras e sanidade interior.

O propósito é fornecer orientação clara à luz das Sagradas Escrituras ao recém convertido acerca de seu passado, presente e futuro com Jesus Cristo, mediante ministrações a nível pessoal e em grupo, operando-se mudanças tão importantes durante os três dias, que assistir ao encontro, equivale a um ano de crescimento espiritual. Desta maneira, o novo é preparado para desenvolver uma relação íntima com o Senhor, facilitando-lhe a aprendizagem da oração, leitura da Palavra e o conhecimento da visão..." Essa afirmação revela que Castellanos e seus adéptos confundem o encontro com Cristo, na experiência da conversão, libertação, propiciação e imputação, com os retiros espirituais promovidos por eles. Como se vê, mais uma camuflagem para a substituição da obra vicária de Cristo na vida do crente. As técnicas adotadas são nazistas, na pratica da lavagem cerebral — repetição, confissão e afirmação escrita, aliados à similitude da transferência de espíritos de praxe nos tradicionais encontro de casais católicos romanos!

O movimento Gê-Doze contém erros teológicos aberrantes, tais como: que você deva examinar a sua vida para descobrir quais as orações que Deus deixou de responder. Então você tem que perdoar a Deus pelas vezes que falhou com as Suas promessas, senão Deus não pode perdoar você. Os conceitos teológicos postulados pelo G-12, tais como suas crenças quanto à revelação, o homem diante de Deus, pecado, igreja, santidade e a doutrina do Espírito Santo, não condizem com o ensinamento bíblico genuinamente pentecostal e reformado. As práticas evangelísticas que visam o mega crescimento da igreja, pautam por critérios mercadológicos antes que por critérios amorosamente bíblicos. A prática da "regressão mental" tem como objetivo de verificar a herança de maldições híbridas passadas, utilizada como uma arma letal para destruir a plena confiança do homem em Deus e no seu perdão, assim como, legando-o uma vida espiritualmente dependente e uma alma ferida, que só por um milagre e intervenção divina, poderá ser curada! Que o sangue de Cristo nos cubra a todos destes e outros semelhantes engenhos humanos, que depois tornam-se, inevitavelmente, em empresa à serviço do Reino das Trevas! Concluindo, assim vejo o movimento G-12:

Ele erra, porque pretende ser a revelação de Deus única e exclusiva.

Ele erra, porque confunde números simbólicos com numerologia, ao exigir o uso do número 3 ou 12 como se fossem números sobrenaturais, aproximando suas fronteiras litúrgicas com o esoterismo.

Ele erra, porque tem base em pretensas revelações e sonhos de um homem, cujas revelações não encontram respaldo bíblico, mas que pretendem ser aceitas como novas revelações.

Ele erra, porque, fundamentado em inovações, cria doutrinas anti-Bíblicas, como a de exigir dos adeptos dos encontros que liberem o perdão a Deus e reciclem seus pecados anteriores.

Ele erra, porque com sua confusão entre retiro para novos crentes e crentes antigos, anula a cruz e a obra vicária de Cristo, exigindo dos participantes dos encontros que confessem seus pecados anteriores.

Ele erra, porque confunde os seus retiros com o encontro pessoal com Cristo na conversão, em cujo momento tornam-se oráculos do Espírito Santo.

Ele erra, porque pretende que o encontro produza santificação absoluta (hagios) e instantânea (hagiasmos) a todo custo.

Ele erra, porque tenta pela manipulação psicológica massiva produzir a obra do Espírito, quando em realidade, o batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta da regeneração, não salvífica, e privilégio para todos os nascidos de novo.

Ele erra, porque confunde construção de um império pessoal com a construção do Reino de Deus.

 Finalmente, ele erra porque não crê na inerrância bíblica!

Teologia do Homem

O Homem foi criado à imagem e à semelhança do seu Criador. O corpo humano adulto normal, segundo a ciência, é composto dos seguintes elementos químicos: 40 litros de água, 20 quilos de carvão, 04 litros de amônia, 1 quilo e meio de cálcio, 800 gramas de fósforo, 250 gramas de sal, 100 gramas de enxofre, 80 gramas de salitre, 50 gramas de magnésio, 08 gramas de manganês, 02 gramas de alumínio, 20 centigramas de arsêmico. Contém ainda traços de chumbo, cobre, iodo, cario e bromo, mas se os cientistas misturarem tudo isso, resulta apenas em massa de mau cheiro, enquanto Deus no Éden, soprou esta mistura, resultando daí um gracioso ser humano. (Sl 139:15-18). Realmente a ciência ainda não construiu nada que se assemelhe ao ser humano. A engenharia genética se limita a repetir o que a natureza já faz a séculos. Para construir um computador que tivesse a velocidade do cérebro humano, com todas as suas perfeições, reflexos e memória, este computador teria um tamanho a ocupar dois edifícios mais altos do mundo, o Empire States, em Nova Iorque, e utilizar toda a energia eléctrica de uma cidade como Washington, Estados Unidos. A criação de Deus é perfeita!

Teologicamente é comprovado que somente Deus pode revelar a si mesmo! Destarte, o homem sempre foi o centro de toda atenção e história bíblica, posto que as doutrinas cardinais do pecado, salvação, vida futura e julgamento o tem como ponto focal!

Temos a natureza divina, então somos deuses! Claro que temos natureza divina , mas não somos pequenos deuses! E o que dizer de João 10:34? Foi uma simples defesa de Jesus à irracionalidade dos Judeus, evocando uma afirmação poética e lírica de Asafe, no livro dos Salmos - “eu disse: vós sois deuses, e vós outros sois filhos do Altíssimo.” Eles ainda usam textos como o de 2 Pedro 1:4 para firmarem esta heresia. Entretanto, esta passagem fala acerca da natureza moral de Deus. Isto é, diferente e diametralmente oposta aos ensinos do Hinduísmo, que afirma ser toda criatura um sublimado divino. Muito pelo contrário, quando o homem é regenerado, a imagem da Divindade é restituída à sua pessoa -- "e criou Deus o homem à sua imagem" -- "vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou"(Cl 3:10). Ele passa a ser participante dos Atributos Morais (natureza comunicável de Deus), tais como: amor, justiça, verdade, sabedoria e santidade; e não participantes dos Atributos Naturais ou ativos de Deus (natureza incomunicável), tais como: eternidade, imutabilidade, onipresença, onisciência e onipotência. É irracional, anti-ético e anti-bíblico o ensino de sermos deuses, pois só há um Deus (Dt 6:4; 1 Tm 2:5)!

Morte Espiritual de Cristo

Entre outras, dizem os agnósticos da Confissão Positiva que Jesus morreu duas vezes: física e espiritualmente. Agnósticos, porque esta escola ensina pontos contrários à Teologia Teísta:

A dicotomia do homem: “ele tem espírito e corpo. O espírito é divino e bom; o corpo é terreno e mal. Sendo assim, a salvação é o produto da pessoa adquirir o 'conhecimento' (gnoses) de sua natureza espiritual."

Jesus não encarnou: “Ele foi um homem que adquiriu um conhecimento espiritual supremo, e assim pôde oferecer salvação para outros, através de seu conhecimento, e não pelo seu sacrifício."

Deus não pode atuar diretamente sobre o mundo material: “pois o universo é mal; ele necessita de um mediador, inferior à deidade suprema, que possa comunicar entre Deus e o universo material."

Os adeptos da Confissão Positiva afirmam que somente pela morte espiritual de Jesus é que Ele pôde fazer a remissão dos nossos pecados. Mas o que dizer das próprias palavras de Jesus: "Pai na tua mão entrego o meu espírito" (Lucas 23:46)? Este ensino vai contra toda a Cristalologia bíblica, que diz: "Tendo, pois irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é pela sua carne" (Hebreus 10:19,20). O que dizer então de Efésios 2:13; 1 Pedro 4:1; 1 João 1:7; Apocalipse 1:5?

A Unidade de Teologia, no Capítulo da Soteriologia, do Seminário Sepoangol World Ministries nos prenda com a seguinte afirmação: "Nosso Senhor Jesus Cristo, pela sua morte vicária, adquiriu para o homem a sua plena salvação. Ser salvo, obviamente, implica da posição volitiva do recipiente em receber o 'salva-vidas a ele arremessado'. Deus conta com duas atitudes fundamentais e pessoais na aceitação da salvação por parte do homem: arrependimento e conversão". Arrependimento, porque pecamos contra Deus; conversão, porque não anelamos mais viver uma vida alienada do nosso Criador!

Palavra Sobre a Fé

Existem três aspectos da fé: para salvação (Efésios 2:8); para vida diária (Gálatas 5:22); e para operação ministerial (2 Coríntios 12:9). A fé é ministrada ao coração do homem que permite a Palavra de Deus penetrar no seu interior (Romanos 10:17). Portanto, a fé não é um sentimento, não é natural, nem uma energia diferencial ou um platonismo. Ela é espiritual e substancial, fecundada no coração do homem por meio da Palavra (Logos) de Deus (Mateus 13:3-9). Sim, diferencial, entretanto, é a “crença”, ou o que a teologia chama de Sede Universal (Sl 42:1), elemento que, junto com os atributos morais do homem, o faz diferente de todos os animais, direcionando-o sempre a um ser superior! Portanto, a fé é substancial: porque tem tamanho (Mateus 8:10); porque tem volume (Lucas 17:5); porque tem tenacidade (Ef 6:16); porque tem virtude (Judas 3); porque tem valor (1 Pedro 1:7).

A fé, ao contrário da suposta confissão positiva, é a sólida prova das coisas existentes e colocadas por Deus à disposição individual de cada crente. A fé é a ponte que nos leva ao alcance das coisas geograficamente longe e atuais; e a espera das coisas existentes no futuro (Hebreus 11:1). Portanto, não é a fé que produz o objeto, ou na linguagem carismática, a bênção; é o Deus da fé que o produz e o sustém (Lc 5:5)! Abraão foi um homem de fé porque creu no prometido que já existia; Isaque questionou acerca de um cordeiro que já estava amarrado no Monte Moriá; Noé foi salvo numa arca com sua família, a qual apontava para uma salvação já providenciada por Deus na sua onisciência e onipotência (Hebreus 11:1-36). Notemos o profundo pragmatismo da fé: Pedro tinha lançado a rede no lado errado, porém, Jesus o observou, pedindo que a lançasse no outro lado — "Sobre a tua Palavra" não existe fé fora da Palavra de Deus! Obviamente, lá já estavam os peixes que o Deus da fé tinha providenciado (Lucas 5:5)!

Verdades Bíblicas

 Deus: Cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Dt 6:24; Mt 28:19; Mc 12:29.

Jesus: Cremos no nascimento virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal de entre os mortos, e em sua ascensão gloriosa aos céus, Is 7:14; Lc 1:26-31; 24:4-7; At 1:9.

Espírito Santo: Cremos no Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade, como Consolador e o que convence o homem do pecado, justiça e do juízo vindouro. Cremos no batismo no Espírito Santo, que nos é ministrado por Jesus, com a evidência de falar em outras línguas, e na atualidade dos nove dons espirituais, Jl 2:28; At 2:4; 1:8; Mt 3:11; 1Co 12:1-12.

Homem: Cremos na criação do ser humano, iguais em méritos e opostos em sexo; perfeitos na sua natureza física, psíquica e espiritual; que responde ao mundo em que vive e ao seu criador através dos seus atributos fisiológicos, naturais e morais, inerentes à sua própria pessoa; e que o pecado o destituiu da posição primática diante de Deus, tornando-o depravado moralmente, morto espiritualmente e condenado à perdição eterna, Gn 1:27; 2:20,24; 3:6; Is 59:2; Rm 5:12; Ef 2:1-3.

Bíblia: Cremos na inspiração verbal e divina da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé para a vida e o caráter do cristão, 2Tm 3:14-17; 2Pe 1:21.

Pecado: Cremos na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus, e que somente através do arrependimento dos seus pecados e a fé na obra expiatória de Jesus o pode restaurar a Deus, Rm 3:23; At 3:19; Rm 10:9.

Céu e Inferno: Cremos no juízo vindouro, que condenará os infiéis e terminará a dispensação física do ser humano. Cremos no novo céu, na nova terra, na vida eterna de gozo para os fiéis e na condenação eterna para os infiéis, Mt 25:46; 2Pe 3:13; Ap 21:22; 19:20; Dn 12:2; Mc 9:43-48.

Salvação: Cremos no perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita, e na eterna justificação da alma, recebida gratuitamente, de Deus, através de Jesus, At 10:43; Rm 10:13; Hb 7:25; 5:9; Jo 3:16.

A Prosperidade como Promessa de Deus

O tema da prosperidade abre diversas frentes de debate e reflexão. Pelo menos nos últimos vinte anos, tem sido a mola de propulsão de variadas denominações evangélicas, que usam e abusam deste conceito, que por sinal é bíblico. É evidente que, em se tratando de igrejas evangélicas, espera-se que a mensagem tenha embasamento bíblico. Diariamente vemos e ouvimos mensagens sobre o referido tema anunciadas em variados canais de televisão; usando alguns recortes bíblicos, principalmente do Antigo Testamento, diversos pregadores elencam uma série de promessas divinas sobre prosperidade. Contudo, precisamos nos lembrar de que a mensagem central do Antigo Testamento é “aliança”. O texto base que apresenta os termos desta “aliança” é o de Êxodo 24.7: E tomou o Livro da Aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. No contexto anterior, temos a revelação de Deus a Moisés, sendo que no capítulo 23, há a descrição dos direitos e deveres estabelecidos nos termos da aliança entre o Deus das promessas e o povo, alvo das promessas. O eixo central desta aliança é “fidelidade” de ambas as partes. Deus prometeu ser fiel no cumprimento de todas as promessas; e como resposta, o povo disse: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Entretanto, ao longo desta história da aliança, a Bíblia descreve que Israel não conseguiu cumprir os termos previamente estabelecidos. Vale dizer que o conceito de prosperidade conforme descrito no Antigo Testamento é bem diferente do que entendemos hoje. A prosperidade material no A.T é descrita como bênção de Deus para as tribos de Israel. para tanto, sempre houve exortação divina para que não houvesse ganância, usura e principalmente egoísmo. Em Dt 15.7-9 temos: Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas cidades, na tua terra que o SENHOR, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás as mãos a teu irmão pobre; antes, lhe abrirás de todo a mão e lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade. Guarda-te não haja pensamento vil no teu coração, nem digas: Está próximo o sétimo ano, o ano da remissão, de sorte que os teus olhos sejam malignos para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada, e ele clame contra ti ao SENHOR, e haja em ti pecado.

Em nosso tempo, prosperidade material está incluída num contexto de individualidade e, sobretudo, equivale ao poder desenfreado do consumismo. Em nosso tempo, há ricos que desejam mais riqueza ainda; e há pobres cada vez mais pobres. Contudo, algo muito comum entre ricos e pobres, é que na maioria, ambos procuram e lotam as igrejas que prometem prosperidade, não em busca de Deus, mas em busca da prosperidade.

À semelhança do Antigo Testamento, a mensagem central do Novo Testamento também é “aliança”. Se no Antigo Testamento, Moisés é o portador da Boa Nova, que prenunciava uma terra boa e farta; no Novo Testamento, Jesus é o portador também da Boa Nova, que prenunciou um novo tempo, e nova forma de relacionamento com Deus. Mantém-se o conceito de “aliança”, contudo, numa perspectiva completamente diferente. Esta nova aliança é firmada em Cristo, e significa mudança de vida, novo nascimento, santidade, vida eterna e, sobretudo, a caminhada em busca da pátria celestial. Desta forma, a promessa de prosperidade material no Antigo Testamento é transformada em prosperidade espiritual no Novo Testamento. Foi o próprio Jesus quem nos ensinou: Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo, Jo 6:27. Disse também: Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, Lc 12:33.

Portanto, a última Boa Nova nos foi trazida por Cristo e é sobre ela que firmamos nossos passos. A marca fundamental na vida dos verdadeiros convertidos é a de que estes buscam primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, pois, confiam de todo coração que as “demais coisas” serão acrescentadas pelo próprio Deus, que cumpre a todas as suas promessas. Nesse sentido, a prosperidade material na vida do crente verdadeiramente convertido, acontece como bênção decorrente dos propósitos de Deus; ou seja, nem todo crente terá prosperidade material, mas, certamente todos terão o suficiente para viverem com dignidade, pois esta é a promessa de Deus para todos os seus escolhidos. Desta forma, a prosperidade material no Novo Testamento não é o alvo central; mas ela ocorre, e quando assim se dá, não ofusca o centro da fé cristã, que é a vida eterna. Então, prosperidade material é dom de Deus, e vem de seu propósito soberano de escolher a quem Ele decide distribuir os talentos. E não cabe a nós questionar o porquê recebemos cinco, ou dois ou um talento. Antes, nós adoramos a Deus pela salvação conquistada gratuitamente em Cristo, e não pela prosperidade material; esta é a mensagem que encontramos já no Antigo Testamento, nas palavras do profeta Habacuque 3.17-18: Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. Assim, nos alegramos no Deus da nossa salvação. De posse dessa certeza, nós devemos honrar a Deus com tudo o que somos e com tudo o que temos, pois, tudo vem de Deus; Dele vem a nossa santidade e Dele vem o nosso suprimento necessário.

 

 

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