Eventos nos Céus

21/09/2012 09:39

 

O Tribunal de Cristo

Tribunal de Cristo (Rm 14.10; 2 Co 5.10). Neste, haverão três seções distintas: diferentes quanto ao local, às pessoas que serão julgadas e o próprio julgamento em si.

A primeira seção será nos céus, depois do Arrebatamento da Igreja , e trata do julgamento dos crentes propriamente ditos. A segunda será na terra, logo após a Vinda de Cristo em Glória, nesta serão julgadas as nações quanto as atitudes tomadas com respeito aos irmãos do Rei, isto é, os judeus crentes durante a Grande Tribulação. As ovelhas entrarão no Reino, e os bodes, no tormento eterno. A terceira seção será para os incrédulos, então ressuscitados. E realizar-se-á mil anos após a implantação do Reino. Serão julgados conforme seus atos.

Muitos crêem que os crentes não serão julgados, todavia, é necessária que a vida seja revelada. Os crentes reinarão com Cristo, brevemente, sobre a terra, devem, pois aprender a pensar, sentir e conhecer como Cristo e isso principia com o conhecimento próprio (1 Co 13.12; 3.13; 4.3-5).

Aqui não se trata de julgamento pelos pecados, pois estes já foram perdoados, e nem para a condenação, pois esta é impossível (Rm 8.1). Aqui a pergunta não é se há remissão de pecados, e sim quais foram os meus pecados! Tudo na minha vida, até aquilo que eu achei que não foi tão ruim assim, ou até mesmo aquelas ações que eu pensei serem boas, serão colocadas diante de Deus. Só ali saberei realmente quantos pecados eu cometi, e conseqüentemente, quantos me foram perdoados, saberei quão grande foi o sofrimento de Cristo por causa dos meus pecados e quão grande foi o amor de Deus por mim. Não só pela remissão, mas também pela sua paciência ao conduzir-me até ali. Só então louvaremos e amaremos ao Pai e ao Filho com adoração plena, muito mais do que aqui na terra (Lc 7.47). Tenhamos a certeza que nenhum crente que comparecer ao Tribunal de Cristo perecerá (Sl 34.22; Rm 8.1; Hb 7.25; Jo 3.36; 10.27-29; Ef 2.5-8). Quem creu nunca entrará em condenação (Jo 5.24). Lá nossos corpos já estarão glorificados (Falso Profeta 3.21) semelhantes ao de Cristo, o Juiz não será outro, senão o Filho de Deus que se entregou a Si mesmo por nós (Gl 2.20). Como poderemos nos perder ainda? Por mais lamentável que seja vermos as nossas obras, uma a uma, queimadas pelo fogo, porém seremos salvos (1 Co 3.15).

Isto não significa que se a obra de alguém ficar, receberão bênçãos maiores. Todos serão abençoados com as bênçãos celestiais, as quais nos estão preparadas desde a eternidade. Como haveria uma classificação segundo as obras? (veja Is 64.6; Lc 17.10). Nosso galardão está relacionado com nosso governo sobre a terra durante o reinado da Paz (Lc 19).

O Julgamento do Crente

2Co 5.10 “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal.”

A Bíblia ensina que os crentes terão, um dia, de prestar contas “ante o tribunal de Cristo”, de todos os seus At praticados por meio do corpo, sejam bons ou maus. No tocante a esse julgamento do crente, segue-se o estudo de alguns de seus pontos.

Todos os crentes serão julgados; não haverá exceção (Rm 14.10,12; 1Co 3.12-15; 2Co 5.10; ver Ec 12.14).

Esse julgamento ocorrerá quando Cristo vier buscar a sua igreja (ver Jo 14.3  cf. 1Ts 4.14-17).

O juiz desse julgamento é Cristo (Jo 5.22, cf. “todo o juízo”; 2Tm 4.8, cf. “Juiz”).

A Bíblia fala do julgamento do crente como algo sério e solene, mormente porque inclui para este a possibilidade de dano ou perda (1Co 3.15; cf. 2 Jo 8); de ficar envergonhado diante dEle “na sua vinda” (1Jo 2.28), e de queimar-se o trabalho de toda sua vida 1Co 3.13-15). Esse julgamento, não é para sua salvação, ou condenação. É um julgamento de obras.

Tudo será conhecido. A palavra “comparecer” (gr. phaneroo, 5.10) significa “tornar conhecido aberta ou publicamente”. Deus examinará e revelará abertamente, na sua exata realidade, (a) nossos At secretos (Mc 4.22; Rm 2.16),  (b) nosso caráter (Rm 2.5-11), (c) nossas palavras (Mt 12.36,37), (d) nossas boas obras (Ef 6.8), (e) nossas atitudes (Mt 5.22), (f) nossos motivos (1Co 4.5), (g) nossa falta de amor (Cl 3.23—4.1) e (h) nosso trabalho e ministério (1Co 3.13).

Em suma, o crente terá que prestar contas da sua fidelidade ou infidelidade a Deus (Mt 25.21-23; 1Co 4.2-5) e das suas práticas e ações, tendo em vista a graça, a oportunidade e o conhecimento que recebeu (Lc 12.48; Jo 5.24; Rm 8.1).

As más ações do crente, quando ele se arrepende, são perdoadas no que diz respeito ao castigo eterno (Rm 8.1), mas são levadas em conta quanto à sua recompensa: “Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer” (Cl 3.25; cf. Ec 12.14; 1Co 3.15; 2Co 5.10). As boas ações e o amor do crente são lembrados por Deus e por Ele recompensados (Hb 6.10): “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer” (Ef 6.8).

Os resultados específicos do julgamento do crente serão vários, como obtenção ou a perda de alegria (1Jo 2.28), aprovação divina (Mt 25.21), tarefas e autoridade (Mt 25.14-30), posição (Mt 5.19; 19.30), recompensa (1Co 3.12-14; Fp 3.14; 2Tm 4.8) e honra (Rm 2.10; cf. 1Pe 1.7).

A perspectiva de um iminente julgamento do crente deve aperfeiçoar neste o temor do Senhor (5.11; Fp 2.12; 1Pe 1.17), e levá-lo a ser sóbrio, a vigiar e a orar (1Pe 4.5, 7), a viver em santa conduta e piedade (2Pe 3.11) e a demonstrar misericórdia e bondade a todos (Mt 5.7; cf. 2Tm 1.16-18).

As Bodas do Cordeiro

Estes acontecimentos se darão antes das Bodas, é que haverá por esse tempo uma igreja nominal e que afirma ser a noiva do Cordeiro (Ap 17 e 18). Esta Igreja, antes de tudo, possui as características da Igreja Romana (Ap 17.4-6,9; 18.3,9-10). Esta igreja afirma ser mãe, mas é prostituta por causa das suas ligações com o mundo e a idolatria. Só após Deus a ter desmascarado e julgado haverão as Bodas do Cordeiro.

Nesta Igreja falsa, não haverá nenhum fiel, pois a totalidade dos fiéis já foi arrebatada. Aqui não haverá arrependimento pois de um lado Satanás os induzirá com enganos e mentiras, e por outro lado, Deus lhes enviará a operação do erro, para darem crédito à mentira e serem julgados (2 Ts 2.9-12). Pode ser que a eficácia do erro seja o desaparecimento dos “perturbadores” (Ap 11.8-12).

Imagine o terror que deles se apossará quando ver a Igreja descendo com Cristo manifestada em glória (Cl 3.4). Neste dia verão que somos semelhantes a Ele (1 Jo 3.2). Aí o mundo conhecerá que o pai nos amou como o Filho. Agora a igreja nominal ajoelhar-se-á aos pés da Igreja e inclinar-se-á reconhecendo a Cristo que a amou (Ap 3.9; 2 Ts 1.10).

Em muitos trechos do Novo Testamento a relação entre Cristo e a Igreja é revelada pelo uso de figuras do noivo e da noiva (Jo 3.29; Rm 7.4; 2 Co 11.2; Ef 5.25-33; Ap 19.7,8; 21.1-22) Na translação da Igreja, Cristo aparece como o noivo que leva a noiva consigo, para que o relacionamento que foi prometido seja consumado e os dois se tornem um.

A hora das bodas

É revelada nas Escrituras como algo que ocorre entre a translação da Igreja e a segunda vinda de Cristo. Antes do arrebatamento, a Igreja ainda aguarda essa união. Conforme Ap 19.7, as bodas já terão ocorrido na segunda vinda, pois a declaração é: “são chegadas as Bodas do Cordeiro”. O tempo aoristo, élthen, traduzido por “chegadas”, significa ato concluído, mostrando que as bodas já foram consumadas. Esse casamento parece seguir os acontecimentos do bema de Cristo, visto que, quando surge, a igreja aparece adornada com “os atos de justiça dos santos”, Ap 19.8, que só podem referir-se às coisas que foram aceitas no Tribunal de Cristo e a segunda vinda.

O local das bodas

Só pode ser o céu. Visto que se segue ao tribunal de Cristo, demonstrando como acontecimento celestial, e visto que, quando o Senhor retornar, a Igreja virá nos ares; Ap 19.14, as bodas devem ocorrer no céu. Nenhum outro local seria adequado a um povo celestial (Fp 3.20).

Os participantes das bodas

As bodas do Crodeiro constituem um acontecimento que, evidentemente, inclui Cristo e a Igreja. Dn 12.1-3 e Is 26.19-21, que a ressurreição de Israel e dos santos do Antigo testamento não ocorrerá até a segunda vinda de Cristo. Ap 20.4-6 esclarece que os santos da tribulação também não ressuscitarão até aquele dia. Embora fosse impossível eliminar esses grupos da posição de observadores, eles não ocupam a posição de participantes do acontecimento em si.

A esse respeito parece necessário distinguir as Bodas do Cordeiro da ceia de casamento. As Bodas do Cordeiro referem-se particularmente à Igreja e ocorrem no céu. A ceia de casamento inclui Israel e ocorre na terra. Em Mt 22.1-14, em Lc 14.16-24; e em Mt 25.1-13, trechos em que israel aguarda o retorno do noivo e da noiva, a festa ou a ceia de casamento é localizada na terra e tem referência especial a Israel. A ceia de casamento torna-se então uma parábola de todo o período tribulacional, convite que muitos rejeitarão, sendo por isso lançados fora, e muitos aceitarão e serão recebidos. Por causa da rejeição, o convite será estendido aos gentios, de sorte que muitos dele serão incluídos. Israel, na segunda vinda, estará esperando que o Noivo venha para a cerimônia de casamento e o convite para aquela ceia, na qual o Noivo apresentará Sua noiva poara os amigos; Mt 25.1-13.

Referindo-se à declaração de Ap 19.9. “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”, duas interpretações são possíveis. Chafer diz: “É preciso distinguir entre as bodas, que ocorrem no céu e são celebradas antes do retorno de Cristo, e a ceia das bodas (Mt 25.10; Lc 12.37), que ocorre na terra depois de seu retorno”[1]. Essa visão prevê duas celebrações, uma no céu, antes da segunda vinda e exclusiva para a Igreja, e outra após a segunda vinda, na terra, com Israel e os gentios que entrarão no Milênio. Uma segunda interpretação vê o anúncio de Ap 19.9 como uma previsão da ceia de casamento que ocorrerá na terra após as bodas e a segunda vinda, a respeito das quais está sendo feito um anúncio no céu antes do retorno à terra. Visto que o texto grego não diferencia a ceia de casamento da ceia das bodas (ou as núpcias das bodas), mas usa a mesma palavra para ambas e visto que a ceia de casamento é usada sistematicamente em relação a Israel na terra, seria melhor adotar essa visão e ver as bodas do Cordeiro como o acontecimento celestial no qual a Igreja é eternamente unida a Cristo, e a festa ou ceia das bodas como o milênio para o qual judeus e gentios serão convidados, que ocorrerá na terra e onde o Noivo será honrado pela apresentação da noiva a toso os seus amigos que estão reunidos ali.

A Igreja, que foi o plano de Deus para a época presente, é agora vista transformada, ressuscitada, apresentada ao Filho pelo Pai e transformada no objeto por meio do qual a glória eterna de Deus se manifesta para sempre. A presente era testemunhará o início,, o desenvolvimento e a conclusão do propósito de Deus, a fim de “constituir dentre eles um povo para o seu nome” At 15.14).



[1] CHAFER, Lewis Sperry. Systematic Theology. IV, P. 396.

 

 

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