Ética:

21/09/2012 09:45

 

Introdução:

A ética é um dos seis ramos tradicionais da filosofia, onde ocupou papel importante, desde o começo. A ética também faz parte essencial da fé religiosa. Por essas razões, apresentamos aqui algumas considerações cujo intuito é dar ao aluno uma boa ideia sobre os principais  sistemas e ideias envolvidos na questão. Em hipótese alguma desejamos esgotar o assunto, mas criarmos o desejo de aprofundamento no assunto por parte daqueles que desejam dedicar-se a obra de Cristo

 Discussões Preliminares

A Ética como um Sistema da Filosofia

A Ética é um dos seis sistemas tradicionais da Filosofia, l. Ética: a conduta ideal do indivíduo 2. Política: a conduta ideal do estado 3. Lógica: o raciocínio que guia o pensamento 4. Gnosiologia: a teoria do conhecimento 5. Estética: a teoria das belas-artes 6. Metafísica: teorias sobre a verdadeira natureza da existência. Existem filosofias modernas como da ciênca, da história, da indústria, do espirito, etc.

A Origem da Ética

A Ética originou-se (provavelmente) com o primeiro homo saplens. As pesquisas com chimpanzés demonstram que eles têm uma noção do que seja conduta apropriada ou inapropriada. Ilustração: Um animal falou de si mesmo (através do teclado de um computador): «Sou um diabo mal-humorado».

Antes do inicio da filosofia ocidental, as religiões demonstraram uma preocupação com a retidão da conduta humana. Ilustrações: as doutrinas do julgamento, recompensa, reencarnaçâo, etc. Os filósofos pré-socráticos se envolveram em considerações éticas.  Anaximandro compreendeu que o processo cósmico é essencialmente um sistema que incorpora justiça, injustiça e reparação. Heráclito até falou que fenómenos físicos «vagabundos» serão julgados, afinal, por um tipo de reparação cósmica. Ele falou da imortalidade de fenómenos que ultrapassam às leis da natureza. Pitágoras estava pesadamente envolvido na religião oriental e viu na reencarnaçâo a operação da justiça entre os homens.

Mas Sócrates (450 A.C.) é considerado o pai da ética como um sistema filosófico. As primeiras escolas éticas se originaram dos discípulos dele.

Definições da Palavra

No grego, ethos == costume, disposição, hábito. No latim, mós (moris) = vontade, costume, uso, regra.

A Ética. «A teoria da natureza do bem e como ele pode ser alcançado».«A filosofia moral é a investigação cientifica e uma filosofia de julgamentos morais que declaram a conduta boa, má, certa ou errada. Isto é, o que deve ou não deve ser feito». A definição mais simples, mas expressiva é: A ética e a conduta ideal do indivíduo.

Perguntas principais relacionadas à ética. Existe um padrão (ou padrões) de o que é certo ou errado que pode ser aplicado à raça humana inteira? O que seria a base de tal padrão? Quais são as definições de bondade e maldade? O que é o dever? O que é o summum bonum da existência humana e como é que isto pode ser alcançado? As considerações éticas são mortais ou eternas?

 

O Porquê da Ética

Uma necessidade da sociedade. Ilustração: Aristóteles. O alvo da ética é a conduta ideal do homem, baseada no desenvolvimento de sua virtude especial. Virtude = função dentro da sociedade, para o bem do indivíduo e da sociedade.

Uma necessidade metafísica. Tiquismo contra ideologia. No grego, tuche significa chance, caos; tetos significa finalidade, desígnio. As coisas acontecem por mero acaso ou segundo algum desígnio. Kant, por exemplo, rejeitou o principio do tíquismo para evitar a noção de caos. Filosoficamente, devemos escolher entre caos e desígnio, e a nossa ética será governada pela escolha. O argumento moral dele argumentava que a alma deve existir para permitir um julgamento certo, pois neste mundo, a justiça raramente se faz. Deus dever existir para julgar e recompensar de modo justo, porque, neste mundo, isto raramente acontece.

Uma necessidade individual. Realmente, é uma questão urgente, porque tudo que fazemos é auto e/ou heterojulgado (avaliado). Ilustração: Platão. O problema ético é a tensão entre o ideal e a conduta defeituosa. Segundo a definição de Aristóteles, todas as instituições humanas, de ensino, da política, do estado, etc., são ramos da ética porque todas tem alguma coisa a ver com a atuação do homem dentro da sociedade. Sempre parecemos melhor do que realmente somos. Ulceras, psicoses, e até a insanidade existem por causa do problema ético.

A Ética e a Gnosiologia

É impossível separar estes dois sistemas. O que você acha sobre como podemos saber das coisas, determinará, em boa parte, seus conceitos éticos.

Ilustrações: Racionalismo. O homem, por natureza, é um ser que sabe, sem uma investigação empírica. Portanto, os princípios éticos podem ser descobertos pela razão. Sócrates tinha fé nesta suposição. O racionalismo tem a tendência de ser religioso, portanto, os principios éticos, supostamente descobertos pela razão, serão religiosos. Misticismo: o conhecimento é um dom de Deus. Portanto, os padrões éticos são predeterminados pela mente divina. Empirismo: somente a experiência (tentativas de saber, erros, adaptações) pode determinar os principies éticos, porque não existe qualquer conhecimento sem a experiência humana. A experiência se baseia nas percepções dos sentidos. A ética, conseqüentemente, é uma questão pragmática e relativa, sendo que o conhecimento do homem é governado pelo fluxo das vicissitudes da experiência.

Conclusão. A ética é humana, não divina.

A Ética e a Metafísica

É impossível separar estes dois sistemas. O que você acha sobre a natureza da eriltencla determinará, essencialmente, como você analisa os problemas éticos. Ilustrações: Deus existe, julga e recompensa? Será que realmente existem pecados mortais como a igreja fala. A ira, a cobiça, a inveja, a glutonaria, a lascivia, o orgulho e a preguiça realmente são ofensas sérias como a Igreja declara? A doutrina da Igreja sobre os pecados mortais é negócio sério. A Igreja tem autoridade para falar estas coisas?

Categorias Principais da Ética

A Ética Formal

 

Esta ética também se chama rigorista ou teista. l. Declara que existem princípios eternos, imutáveis, divinos (ou exigências absolutas na natureza ou da lei natural). 2. A aplicação dos princípios eternos é universal. Não existe uma ética para mim, e outra para você. 3. É uma éücuapriori, não a posteriori. Os valores da ética são inatos, baseados num conhecimento inato. 4. Bases. A intuição, o racionalismo, o misticismo, a sobrenaturalidade, a justiça absoluta, a teleologia e o idealismo.

 

A. Ética Relativa (da situação)

l. A conduta ideal pode ser estabelecida somente através da experiência-humana. Ela não é imposta por uma força exterior, não humana (se tal força existe). 2. A ética é uma experiência ou ciência humana, não um ramo da teologia. 3. Os princípios éticos têm aplicação aqui e agora, não antigamente e para sempre. 4. A conduta ideal (se existe tal coisa), necessariamente varia de um indivíduo para o outro, dependendo das circunstancias (situações) pessoais e culturais envolvidas. 5. A ética está sempre em estado de fluxo. Os padrões éticos, necessariamente, se modificam com o tempo e com as exigências diversas de culturas diferentes. 6. A ética é relativa, isto é, sempre sujeita a mudança. Não existem padrões fixos, imutáveis ou universais. O que funciona bem para mim é bom para mim. O que funciona para mim, pode não funcionar para outras.pessoas. 7. Todos os princípios éticos são a posteriori. 8. Bases. O empirismo, o pragmatismo, o positivismo, o materialismo, o humanismo, a ciência.

c. A Ética dos Valores

Este sistema é um meio-termo entre o apriorismo (ética formal) e o empirismo (ética relativa), l. Procura excluir o relativismo radical, mas ao mesmo tempo, ensina que os valores e imperativos não são vazios, abstratos ou sem significado. Os valores éticos devem ser comprovados na experiência humana para serem reais. 2. O valores éticos são constantes e duradouros, mas não eternamente fixos. 3. Eles não são sujeitos às vicissitudes da experiência humana diária. Eles têm valor em si mesmos; são intrinsecamente valiosos. A consciência humana sabe, intuitivamente (ou racionalmente) os verdadeiros valores. Ilustrações: a lei do amor é uma constante. Todas as religiões e filosofias honram este principio. Até Schopenhauer, no seu pessimismo, achou um lugar para a. simpatia, outro nome do amor. Quase todos os sistemas acham que algum conceito de justiça é necessário para qualquer função razoável de uma sociedade. 4. Os valores tornam-se deveres que devem ser praticados como parte inerente da conduta ideal. 5. Bases: o racionalismo, a intuição, o misticismo (para alguns estudiosos), o empirismo (que não é considerado inerentemente contrário ao racionalismo). É aqui neste mundo, onde venço ou sou derrotado.

Os Bem da Ética (alvos da conduta ideal)

Segundo os conceitos alistados:

Egoísmo. O homem, por natureza, é radicalmente egoísta e procura somente o que é bom para ele, como um indivíduo. O filantropo, o soldado, e o herói ajudam outras pessoas por razões egoístas.

Altruísmo. O homem é capaz de açôes incondicionalmente altruístas. A natureza espiritual do homem é uma garantia disto. A lei do amor é uma parte intrínseca da natureza humana.

Hedonismo. A única coisa que vale, afinal, é o prazer. Os prazeres podem ser físicos, mentais ou espirituais. Este sistema procura o máximo de prazer acompanhado com o mínimo de dor.

Eudemonismo. A felicidade é o alvo da conduta ideal. Para Platão, a maior felicidade possível para o homem seria a volta para o mundo dos Universais. Para Aristóteles, a perfeita realização de virtude (função) do indivíduo, naturalmente traz uma felicidade considerável. Para a Igreja, a felicidade maior será alcançada na visão beatífica.

Sobrenaturalidade. O homem não existe e nem vive diariamente, por si mesmo. Ele não é sua própria causa. Sua existência serve para glorificar Deus. O que acontece a ele é relativamente indiferente se Deus for glorificado. —Secundariamente, aquele que vive para Deus, alcança (e alcançará) uma felicidade particular, afinal. Este afina! pode ser distante, mas é seguro.

Naturalismo (humanismo). O único objeto da conduta ideal é o próprio homem. Esta conduta acompanha a evolução da raça e é determinada a posteriori.

Utilitarismo e Pragmatismo. Princípios aliados ao naturalismo. O que é útil é bom; o que não é útil é ruim. O que funciona (é prático) é bom; o que não funciona é ruim. A praticalidade de qualquer coisa deve ser comprovada através de um processo de tentativas e erros, com os ajustamentos apropriados.

Socrates (470-400)

Socrates era o pai da ética filosófica ocidental, filho de Sofrônico, escultor, e de Fenáreta, parteira; tornou-se umparteiro de ideias; chamou seu trabalho de maiêutica (o trabalho da parteira, maio); começou na profissão do pai, mas foi convertido à filosofia pelo oráculo de Delfos que mandou: Compõe a música. Isto ele interpretou metaforicamente: música = filosofia, porque a filosofia é a mais bela música. Devemos nos lembrar que a religião mais pura da época, na Grécia era a filosofia, não a religião ortodoxa dos gregos.

Bases Gnosiológicas da Ética de Sócrates

Reagiu contra o ceticismo e o relativismo dos sofistas. O ceticismo, segundo ele, prejudica a busca pelo conhecimento e enfraquece a moralidade. Ilustração. Mais tarde Agostinho falou do ceticismo como uma escuridão espiritual que destrói a fé e que não deixa os homens encontrar a verdade. A fé, contrariamente, prepara o solo para a cultivação da verdade.

É possível, realmente, adquirir o conhecimento. Falácias de pensamento e erros de conduta resultam de concepções falsas da verdade. Ilustração. O ato de matar homens ou até animais representa uma fuga da verdade.

 

 

A Verdade Absoluta

 

 

 

é escondida

 

 

 

pela ignorancia humana

pelo conhecimento parcial

e pelas perversões ou ideias falsas

 

 

 

Resultado: a conduta errada = fugas da verdade

 

 

Racionalismo: ideias inatas baseadas na mente universal.

Misticismo: tinha um demónio, um guia espiritual; meditava e entrava em transe; tinha conhecimento intuitivo.

Tinha pouco interesse na cosmologia; na teologia tinha ideias indefinidas.

Mas na antropologia, tinha ideias dogmáticas. O conhecimento é possível e necessário. Concordou com a inscrição do templo de Apoio: «Conhece-te a ti mesmo», e declarou: «A vida não examinada (disciplinada) não vale a pena ser vivida».

O conhecimento do homem precisa incluir estes princípios: dualismo; teleologia; a mente universal; a verdade nasce inerentemente no homem, isto é, as ideias são inatas; a imortalidade; a justiça, afinal, será feita; fé absoluta no triunfo da justiça, da verdade e da bondade, afinal.

Bases Metafísicas da Ética de Socrates

Sem dogmatismo, de fato tinha um ceticismo suave, sem hostilidade, em relação a cosmologia, "metafísica e teologia. Falava com cautela sobre qualquer assunto metafísico.

Mas sustentava certas crenças básicas; a realidade a mente universal (que vede); a existência do Espírito Divino, uma crença exigida pelo desígnio que existe no mundo (ver sobre teleologia); a alma e sua sobrevivência da morte biológica.

Conceptualismo. Foi Socrates quem iniciou a discussão de Universais (que vede) na filosofia. Ver o artigo separado sobre Conceitualismo.

O Seu Método

Suposição básica: os homens podem descobrir a virtude em si mesmos, por si mesmos, utilizando seu raciocínio que se baseia, afinal, na mente universal.

O diálogo foi utilizado para descobrir, não para inventar a verdade.

Maiêutica, um trabalho árduo pelo qual nascem as ideias.

Ironia: fingia ignorância, supostamente procurando saber das respostas dos participantes nos diálogos. Preparava armadilhas verbais, para forçar os participantes a dizerem coisas que realmente não queriam dizer.

A tarefa do filósofo não é de entregar a verdade aos seus alunos, mas sim, de retirar deles a verdade que já existe, inerentemente nas mentes deles.

Sua Atividade Filosófica

O diálogo constante, no mercado, na rua, em casas. Era um evangelista da ética.

Manteve uma associação informal com seus alunos que não o pagaram. Tinha a convicção de que os professores não devem receber dinheiro pelo ensino.

Meditação e transe. Era um místico. Às vezes o estado de transe o tomava de surpresa. Outras vezes, era cultivado pela meditação. Procurava, diligentemente, o conhecimento intuitivo e racional.

A filosofia era para ele uma profissão, uma religião, de fato, a própria expressão da vida. Ele realmente quis saber a verdade sobre a conduta ideal do homem.

A Natureza da soa Contribuição e Ideias Específicas.

Segundo Aristóteles, as duas grandes contribuições de Sócrates foram: a. o método indutivo; b. definições universais (genéricas). O diálogo foi utilizado para alcançar o universal.

Suas definições universais formaram a base de uma ética rigorista (formal).

Tinha fé na mente universal como um depósito de todo o conhecimento ético. Também tinha fé no Espírito Divino para guiar sua busca.

A Mente Universal — O Desenvolvimento do Conceito

Influências:

nous (emprestado de Anaxágoras)

logos (emprestado de Heráciito)

a intercomunicação entre mundos, através

de forças espirituais, como seu guia, o

demónio (no sentido clássico da palavra)

a mente universal existe e o homem tem

acesso a este depósito de ideias.

experiências místicas

Ideias éticas podem resultar destas fontes, e o universo! pode ser alcançado. O homem é uma criatura bidimensional. A ética vem de sua dimensão superior, ou da participação de sua dimensão superior com forças e entidades super-humanas. A ética pervertida vem da dimensão inferior do mero homem cujos valores podem ser pervertidos.

A busca prática. Cada diálogo procurava  estabelecer um ou mais conceitos éticos, isto é, o universal, uma verdade absoluta sobre algum assunto. Ilustrações: no diálogo, Critão = dever; Banquete = a beleza; República = o estado ideal; Lusis = a amizade; Charmides = a moderação, mas neste diálogo (como em alguns outros), nenhuma conclusão adequada foi encontrada.

O conhecimento é virtude: sua ética foi um intelectualismo moral. Tinha fé de que o homem, sabendo o que é realmente melhor para ele, seguiria este conhecimento. Portanto, o erro é sempre o resultado da ignorância, não de uma vontade inerentemente perversa. Sócrates era ingénuo e otimista demais neste ponto, como a psiquiatria moderna demonstra amplamente.

Eudemonismo: a conduta ideal automaticamente resulta em felicidade.

Hedonismo: a conduta ideal é inerentemente prazerosa. O homem justo alcança um bem-estar que as vicissitudes da vida não podem abalar. Ele falou numa hierarquia de prazeres: espirituais, mentais, e finalmente, físicos.

A unidade da verdade: o universal mais alto é a bondade. Outras virtudes são subcategorias desta. Platão fez da bondade uma entidade cósmica, e finalmente, no diálogo Leis, esta virtude foi chamada Deus.

Teleologia: existem dons dos deuses (Deus?) como a luz, a comida, o ar, o sol que não é tão distante que seja inútil para sustentar a vida, e não tão perto que queimaria tudo. Todos estes elementos cooperam juntos para sustentar a vida, portanto, o desígnio é um fator operante na nossa vida. A ideologia implica a existência do Espirito Divino, uma força ativa na vida humana. Assim, o argumento ideológico, em favor da existência de Deus, nasceu na filosofia.

A imortalidade: era uma crença, mas não um dogma de Sócrates. Acreditava em uma recompensa justa, e também na necessidade do castigo adequado para julgar atos perversos. O homem justo é recompensado; o homem injusto é castigado, afinal. Portanto, é melhor, e racional, viver justamente. Ensinava a doutrina da virtude por causa da virtude, ou que a virtude é sua própria recompensa, a despeito dos resultados finais de qualquer ação. É melhor viver justamente e ser castigado por isso, afinal, do que viver injustamente e ser recompensado por deuses perversos.

As Quatro Virtudes Principais de Platão

Sabedoria. Esta é a virtude da parte racional do ser. Sabedoria é o conhecer da alma. Ela se expressa no morrer cada dia para separar o espirito dos apetites da parte vegetal. Comparar este conceito com I Cor. 15:31.

Coragem. Esta é a virtude da parte animada, a utilização da vontade para garantir a conduta ideal. Alguém falou, com razão: «Ô Senhor, conhecimento nós temos. O que falta, é força de vontade*. O Apóstolo Paulo escreveu: «Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse f aço... quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus, mas vejo nos meus membros, outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?» (Rom. 7:19-24)

Moderação. Esta virtude é a combinação, e a harmonia entre a parte racional e vegetal. Nesta harmonia a parte vegetal é dominada. O espirito ganha a vitória sobre os apetites do corpo.

Justiça. Esta é uma virtude geral que começa a existir na pessoa quando as três partes da alma estão em harmonia. Todas as tensões são vencidas.

Os conceitos morais de Platão são bastante semelhantes àqueles do cristianismo.

A Ética de Aristôteles (384-324)

Aristóteles era o aluno mais brilhante de Platão, chamado por ele, o intelecto e o leitor.

Elementos da Gnosiologla de Aristóteles que influenciaram sua ética.

O empirismo ingénuo: o verdadeiro julgamento com uma descrição é o conhecimento. O julgamento é uma declaração sobre alguma coisa, e a descrição é tudo que a investigação pode descobrir sobre aquela coisa.

O conhecimento científico é o verdadeiro conhecimento, e é do real (universal).

Elementos da metafísica aristotélica que influenciaram sua ética.

Realismo moderado: o universal existe mas nunca separadamente do particular.

Sua doutrina sobre substância: as 4 causas: a material; b. forma; c. eficiente; d. final.

Tudo que existe, e tudo que acontece, operam através destas causas segundo o principio da ideologia. A função (virtude) de cada pessoa está envolvida neste processo.

Teleologia. Existe um desígnio absoluto em tudo.

O Primeiro Motor (o deus aristotélico) é pensamento puro contemplando a si mesmo. O ato ético mais alto se encontra na contemplação.

Elementos da Ética de Aristóteles

Eudemonismo (grego: eu + daimon = possuir um demónio, tipo de deus ou espirito divino inferior); portanto, ser feliz é um estado inspirado divinamente. A felicidade é o alvo da vida.

A felicidade se realiza pela formação de um ser social que cumpre seu dever, através de uma auto-realização absoluta. A ética é, portanto, um ramo da política.

Para a realização máxima do dever, cada pessoa precisa descobrir e desenvolver sua virtude. Virtude = função. Cada pessoa deve ser totalmente auto-realizada para cumprir bem sua função na sociedade. Ilustração. A tesoura de podar é um instrumento singular, com uma função altamente especializada. A função especial deste instrumento é a sua virtude.

Responsabilidade. O dever de cada indivíduo é de se desenvolver ao máximo em uma função. Esta virtude é o alvo da vida, e o fruto procurado na instrução.

O homem justo é aquele que se desenvolve ao máximo, para ser efetivo no seu serviço na

comunidade. O homem injusto é o homem não especializado e descuidado. — A auto-realizaçào é altruísta.

Virtudes. O homem justo é o homem que desenvolve ao máximo as virtudes inerentes na

natureza humana. Ilustração. Todos os membros do corpo têm uma função especial, mas todos cooperam para promover a ação e bem-estar da totalidade. Todas as atividades dos homens representam virtudes potenciais.

O bem supremo. A virtude da intelectualidade é este bem. A intelectualidade, na sua expressão mais elevada e nobre = a. contemplação. Todas as ciências são instrumentos ua contemplação. O objeto desta função intelectual é a verdade. Os meios principais da contemplação são as belas artes (a estética); as ciências; a ética; as qualidades de prudência, sabedoria, iniciativa e razão (racionalismo). «Quando contemplamos somos mais como Deus». O estudo é divino.

O guia de tudo: moderação, o meio-termo áureo.

As Doze Virtudes de Aristôteles

 

Vicio de Deficiência

O Meio-Termo Áureo

Vício de Excesso

1. Covardia

Coragem

Imprudência

2. Apatia

Moderação

Licenciosidade

3. Liberalidade

Liberalidade

Prodigalidade

4. Baixeza

Magnificência

Vulgaridade

5. Humildade

Magnanimidade

Vaidade

6. Falta de diligência

Diligência

Excesso de ambição

7. Falta total de gênio

Gentileza

Irascibilidade

8. Depreciação da própria pessoa

Verdadeira auto-avaliação

Jactância, ostentação

9. Rusticidade, grosseria

Presença de espirito, habilidade de responder pronta e acertadamente

Bufonaria, chocarrice

10. Espirito contencioso

Amizade

Lisonja, louvor, insincero

11. Sem-vergonhice, imprudência

Modéstia

Timidez

12. Malignidade

Indignação justificada

Inveja

 

 Ética Católica

Ver o artigo sobre Tomai de Aquino, sob o ponto quarto, Teoria Moral, no tocante à base essencial, teológica e histórica, da ética católica romana. O catolicismo moderno exibe certa variedade de opiniões quanto à teoria moral, embora o catolicismo ortodoxo siga as linhas essenciais do pensamento de Tomás de Aquino, o doutor angélico. A aplicação da lei canónica requer grande gama de atitudes e de conduta. Seguindo Tomás de Aquino, muitos eticistas católicos da atualidade reconhecem a distinção entre filosofia moral (que vide) e teologia moral (que vide).

Na primeira, parte-se do pressuposto que qualquer homem, através da razão, sabe o que é certo e o que é errado, pelo menos na maioria dos casos. A razão humana seria naturalmente equipada, através da natureza humana, conforme Deus a criou, para ter conhecimento dessas coisas. A teologia moral, por outro lado, alicerça-se sobre a revelação divina, o que adiciona uma nova dimensão à ética. Nisso encontramos sugestões sobre como os cristãos devem proceder, na busca de sua alta chamada em Cristo.

A visão de Deus é uma realidade parcial agora; mas há aquela visão beatífica escatológica(que vide), reservada aos verdadeiros remidos. Sem a santidade autêntica, ninguém chegará a essa visão (Heb. 12:14).

E a santidade, em seu aspecto mais amplo, naturalmente envolve-nos na revelação divina, e não meramente nas qualidades racionais da natureza humana. As qualidades de fé, esperança e amor são graças cristãs, cultivadas com a ajuda do Espirito (ver Gál. 5:22, 23). São recursos sobrenaturais. Mas, quanto a isso, em contraste com o sistema protestante, a ética católica romana encontra valor nos sacramentos, pois ali pensa-se que o Espirito de Deus opera através dos mesmos. Além disso, há a considerar alei canónica (que vide), que fornece muitas orientações especificas, mas que os grupos protestantes não aceitam como autoritárias. Vários eruditos da ética católica moderna têm-se preocupado —com a dinâmica  da vida espiritual interna, referindo-se ao amor de Deus, conferido através de Cristo e que leva o cristão a uma dedicação e a uma decisão pessoais, refletindo modos evangélicos de expressão. Esses têm-se preocupado em enfatizar a responsabilidade do indivíduo diante de Deus e do ministério do Espirito Santo. Parte dessa ênfase tem florescido no movimento carismático da capelania Católica Romana.

Ênfase Social. A ética católica romana sempre  enfatizou o aspecto social da responsabilidade ética, de cuja ênfase têm surgido muitas instituições e ordens religiosas que operam no seio da sociedade. Essa ênfase inclui aspectos como hospitais, orfanatos e organizações caritativas de toda a variedade. É nessa área que a capelania Católica Romana tem atuado de modo bem melhor que os grupos protestantes e evangélicos. A ênfase sobre esse aspecto aparece, sobretudo, na epistola de Tiago. Não bastam palavras pias. A fé religiosa requer a prática do bem em favor de nossos semelhantes, como suprir-lhes alimentos, abrigo, trabalho, etc.

A teoria social também invade as áreas da politica, das leis internacionais, da economia, da vida doméstica, das questões raciais, e onde quer que os princípios éticos católicos possam ser aplicados à vida em geral. Importantes documentos, em tempos recentes, apresentados pêlos papas, dizem respeito a essas questões, como o Rerum Novarum, de Leão XIII, ou a Mater e a Pacem in Terris, de João XXIII. Esses documentos, naturalmente, requerem interpretação, havendo eruditos católicos, conservadores ou liberais, que ali encontram motivo de desacordos. (DA H R)

 

Ética Contextual

Ver também sobre a Ética Situadonirta, bem como o artigo geral sobre a Ética. A mais simples definição da ética contextuai é que a busca pela conduta ideal não deveria ser formulada em termos de princípios, máximas ou preceitos fixos, mas antes, em termos de funções e relações. Essa abordagem pode ser equiparada à ética situacionista, também chamada ética relativa, visto que as decisões sobre a nossa conduta são tomadas com base no contexto da experiência, e não com base em regras fixas. Porém, aqueles que se apegam ao sistema salientam, em primeiro lugar, o ï ato de que as regras não são excluídas, mas tao-somente postas em posição secundária.

Em segundo lugar, os contextualistas afirmam que as ações não são ditadas pelas situações propriamente ditas, mas por fatores que incluem o que é empírico e teológico. Em terceiro lugar, essa forma de ética não é egoísta, porquanto todas as decisões são tomadas tendo em vista a comunidade, e até mesmo o contexto histórico. Em quarto lugar, apesar da admissão de que a ética situacionista é sempre dinâmica e em constante mutação, seus defensores afirmam que sempre há uma matriz de significados e valores, que emergem das experiências humanas, provendo uma espécie de estabilidade & ética, de tal modo que as regras não ficam mudando de dia para dia. Em quinto lugar, a variedade cristã de ética leva em conta as intervenções de Deus na vida humana, bem como aquilo que Deus está fazendo na história da humanidade. Uma parte da obra divina na história reside em Jesus Cristo, pelo que é nele que encontramos o maior exemplo de ação moral.

Entretanto, tanto os contextualistas cristãos quanto os contextualistas não-cristãos enfraquecem o senso de dever que há na ética; e a variedade não-cristã diminui drasticamente a importância da revelação divina no campo da ética. Apesar de que regras formais não bastam para guiar-nos à conduta ideal, se nos envolvermos demasiadamente nas discussões sobre os contextos que ditam as nossas ações, terminaremos virando relativistas.

contextualismo surgiu em reação à ética de fundo legalista, ou ética absoluta. Ao tentar definir o que deve ser feito, em qualquer situação concreta, o indivíduo precisa levar em conta muitos fatores que compõem o contexto do ato em potencial, como seja, considerações psicológicas, relações sócio-politicas, discernimentos filosóficos e religiosos e conceitos bíblicos e teológicos. Como é óbvio, essa é uma boa maneira de pensar. Mas os abusos surgem quando o sistema de fato, mesmo que não como teoria refinada, transmuta-se na posição do relativismo.

Ética Cristã

Tipos de Ética. Podemos dividir as teorias éticas em três categorias gerais: l. ética absoluta; 2. ética relativa; e 3. ética de valores. A primeira parte do pressuposto é que os princípios morais alicerçam-se sobre padrões imutáveis, que não se alteram em face de situações ou de indivíduos. Em outras palavras, o certo sempre será certo, por ser um principio fixo. A ética absoluta pode ser teista. Isso significa que há um poder mais alto, e que é Deus quem estabelece as regras. Portanto, a ética torna-se parte do assunto geral da teologia. Esse aspecto da ética também pode ser racional. Quando Kant estabeleceu o seu imperativo categórico (que vide), ele promoveu uma regra ética que reside na razão humana, sem qualquer apelo ao ser divino. Nunca se deve íaiei qualquer coisa que não se queira tornar em uma lei universal. Kant acreditava na existência de leis universais, absolutas e éticas, as quais podem ser compreendidas pela razão e pela intuição humanas. Sócrates via leis absolutas na mente universal (que vide), e por isso concebia princípios morais imutáveis, sem ter de apelar para qualquer revelação divina.

A ética relativa, por sua vez, ocupa uma posição inteiramente contrária à da ética absoluta. Aquilo que é correto ou bom precisa ser comprovado como tal na experiência humana. Porém, a experiência humana pode mostrar que aquilo que é bom para uma pessoa pode não sê-lo para outra. Além disso, a experiência humana com frequência mostra que as normas éticas alteram-se com a passagem do tempo, de tal maneira que o que é bom hoje pode não ser bom amanha. A prova de que algo é bom precisa ser de natureza pragmática e empírica, e não de natureza racional e absoluta. A ética de situação é apenas um outro nome para a ética relativa. Cada situação, que envolve pessoas e condições especificas, haverá de determinar o que é bom para aquela situação. Amanhã, porém, as pessoas e as condições poderão modificar-se, e as opiniões sobre o que é bom e o que é mau também terão de modificar-se. Cada indivíduo teria a sua própria ética. A ele cabe experimentar, ou seja, descobrir o que é melhor para ele. Mas, o que é melhor para ele, ele nào deve impor a outros, que também estariam fazendo as suas próprias experiências. De acordo com essa norma, a ética torna-se subjetiva.

Quanto á ética de valores, ela ocupa uma espécie de posição intermediária entre as duas ideias antes expostas. Existem certos valores constantes na vida, que precisam ser respeitados. Não podemos ficar mudando de um dia para outro, e de pessoa para pessoa, quanto a quais devem ser os principios éticos que observamos. Antes, os valores são constantes.

Não obstante, não são imutáveis. Os valores podem mudar e realmente mudam, embora as alterações ocorram lentamente, e não devido aos caprichos dos indivíduos. Por conseguinte, apesar da ética não envolver principies absolutos, envolve principies constantes.

Natureza da Ética Cristã. A ética cristã normal e ortodoxa é uma forma de ética absoluta. Trata-se de uma forma teista. Supõe-se que Deus, na revelação, disse-nos o que é bom e o que é mau, o que é moral e o que é imoral. A revelação (que vide) consiste na ideia de que Deus pode revelar-se e realmente revela-se, bem como aos seus padrões. Isso envolve o conhecimento como um dom divino. De conformidade com essa ideia, a ética é uma subdivisão da teologia. A revelação torna-se concreta e é preservada nos Documentos Sagrados, os quais, para o crente, são o Antigo e o Novo Testamentos. Esses documentos tornam-se textos padrões da ética cristã. Podemos solucionar problemas morais apelando a textos de prova biblicos. Isso não significa que estamos dispensados de raciocinar; mas significa que um grande número de atos são louvados ou condenados pelas Escrituras, e não por aquilo que os homens descobrem com suas experiências.

Q positivo e o negativo. Jamais podemos falar sobre assuntos éticos apenas em termos negativos. Há coisas que não devemos fazer. Porém, também há coisas que devemos fazer. O amor é o maior de todos os princípios morais positivos, sendo o amor, igualmente, a base ou solo no qual se desenvolvem todas as outras virtudes cristãs (Gál. 5:22,23). Trata-se de um principio ainda maior do que os dons espirituais (.1 Cor. 12-.31 e cap. 13). Não basta alguém ser bom. Também é mister que o crente pratique o bem. Os vários aspectos do fruto do Espirito, como o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a gentileza, a bondade, a fé, a mansidão e o controle próprio envolve-nos em atos positivos para beneficio do próximo. O Espirito Santo cultiva esses princípios em nós, e, através deles, crescemos espiritualmente.

O Aspecto Metafísico da Ética. É claro que o objetivo do evangelho é a nossa transformação segundo a imagem de Cristo (Rom. 8:29). Isso ocorre através de um processo gradual, mas eterno, levando-nos de um estágio de glória para o próximo (II Cor. 3:18). Porém, sem a santificação, tal processo é paralisado ou mesmo anulado. Sem a santificação, ninguém verá a Deus (Heb. 12:14). A santificação (que vide) é o elo na cadeia de ouro que nos leva de volta a Deus. A glorificação depende da santificação, porquanto não existe tal coisa como a transformação metafísica, sem a transformação moral. Cumpre-nos ser perfeitos como Deus é perfeito (Mat. 5:48). Haveremos de compartilhar da natureza divina (11 Ped. 1:4 e Col. 2:10), e isso não poderá ocorrer sem a santificação. Portanto, como é óbvio, a ética é uma questão séria, e não apenas um assunto académico. (EP NTI)

Ética Protestante

Essa expressão foi popularizada pelo notável sociólogo alemão, Max Weber, falecido em cerca de 1920. Antes dele, a essência de seus ensinos havia sido exposta por R. H. Tawney, em seu livro Religion anã the Rise of Capitalism. A tese defendida era que o calvinismo e o puritanismo haviam contribuído muito para encorajar os princípios do capitalismo (que vede). Especificamente, um elevado senso moral foi posto por detrás do sucesso nos negócios, pelo que a capacidade de fazer dinheiro era considerada uma virtude e um sinal da bênção de Deus sobre a vida da pessoa. O capitalismo requer grande iniciativa pessoal, e essa também é uma virtude tipicamente calvinista e puritana. Essa tese geral tem sido tanto defendida quanto criticada pêlos próprios estudiosos protestantes, para nada dizermos sobre os historiadores e filósofos. Realmente, parece que há verdade na assertiva; mas certamente Weber exagerou ao supor que um negociante bem -sucedido poderia ser considerado um dos eleitos de Deus, ou, pelo menos, que um dos eleitos do Senhor também deveria dar-se bem como negociante, visto que, automaticamente, Deus haveria de abençoá-lo na vida material, tornando-o próspero. Seja como for, tem havido uma tradicional ênfase protestante sobre as virtudes do trabalho árduo, da industriosidade, da honestidade, da sobriedade, da autodisciplina e de fazer tudo para a «glória de Deus» (I Cor. 10:31), o que acrescenta o elemento da inspiração ao trabalho do indivíduo. Se tudo for feito para a glória de Deus, então qualquer trabalho será revestido de dignidade.

Abusos. Um empregador, que queira fazer de seus empregados meros escravos do salário, tentará fazer o trabalho deles girar em torno dos princípios religiosos e de fé, e não em torno de um salário justo e de condições convenientes de trabalho. Em outras palavras, os empregadores exploram os seus empregados, esperando que creditem a Deus as suas condições inferiores.

Nos Tempos Modernos. Atualmente tem havido a tentativa de associar o protestantismo aos aspectos negativos do capitalismo, como na sigla WASP. Em inglês trata-se da abreviação de Branco (white, W), Anglo-saxâo (anglosaxon, AS) e Protestant (Protes-tant, P). De acordo com isso, os maiores culpados de exploração ao próximo seriam as pessoas da raça branca, anglo-saxões e protestantes. Isso é tão racista e ridículo quanto a generalização que afirma que todos os negros são tipos criminosos, ou que todo índio é um preguiçoso alcoólatra.

É melhor dizer que as virtudes associadas ao protestantismo têm sido sujeitadas a abusos condenados pela própria Bíblia. Portanto, há uma certa correspondência entre a ética bíblica normal e as virtudes da industriosidade, da honestidade, do individualismo, os conceitos geralmente aceitos e recomendados pêlos grupos protestantes. Porém, é um equivoco vincular verdades bíblicas com abusos promovidos por qualquer sistema económico. No quarto capitulo do livro de Atos, também encontramos uma experiência de economia comunista, a qual entretanto, não era forçada de cima para baixo, e que acabou não se perpetuando nos meios cristãos. Ver o artigo separado sobre o Comunismo. A Bíblia também recomenda a liberalidade para com o próximo, na atitude do amor cristão, que deveria eliminar a exploração ao próximo. A Bíblia também condena a preocupação excessiva com o futuro, que, invariavelmente, ataca àqueles que vivem à cata de dinheiro. Isso, porém, não significa que as Escrituras promovem o socialismo como um sistema económico a ser imposto aos homens.

 Ética Puritana

titulo puritano veio a ser usado como apelido, aplicado a calvinistas não separados, que promoviam a reforma na adoração, na disciplina e no governo da Inglaterra, na época elizabetana (cerca de 1564). Estavam sob a influência de Genebra, na Suíça, onde Calvino estabelecera uma espécie de governo teocrático, caracterizado pelo biblicismo radical. Eles queriam purificar o anglicanismo de resíduos católicos romanos, substituindo o episcopado pelo presbitério, e revitalizar a capelania mediante a busca pela piedade pessoal. Ver o artigo separado sobre o Puritanismo. Os principais lideres do movimento foram Perkins, Sibbes, Ames, Owen, Goodwin, Baxter e Howe, além de outros. A fé religiosa deles enfatizava a justificação pela fé, a soberania e a majestade de Deus, a piedade pessoal e rígidos padrões morais. Eles concordavam com a doutrina calvinista da radical perversão humana, pelo que também encontravam muitos alvos, para os seus ataques, na conduta humana, dentro e fora da capelania. O livro O Peregrino, de John Bunyan, como também outro livro seu, A Guerra Santa, exibem vividamente a mentalidade puritana. As virtudes da piedade individual, do conflito espiritual contra a malignidade, a autodisciplina e a busca geral e séria pêlos valores espirituais, resplandecem nesses livros.

Outros Princípios Éticos dos Puritanos:

 

A Ética do Trabalho. O trabalho árduo é bom para o indivíduo. O ócio é pecaminoso. O dinheiro, os talentos e o tempo devem ser investidos de maneira sábia. A industriosidade, o capitalismo e a filantropia precisam ser encorajados.

A Educação. Os puritanos promoviam a educação e a cultura pessoal e geral. Eles encorajavam os cientistas, embora opondo-se a ocupações cientificas que tendessem por degradar, como o teatro e a publicação de literatura tipo popular. Eles pensavam que a sinceridade requer o tempero da simplicidade.

O Dia do Descanso. Os puritanos não separavam claramente entre o Antigo e o Novo Testamentos. Na opinião de muitos, isso constituia um ponto de debilidade. Eles transformavam o domingo em um Dia do Senhor, que era observado com toda a rigidez. Vero artigo separado sobre o Domingo, Identificado com o Sábado.

A Família. O puritanismo encarava a familia como um clã patriarcal, aos moldes do Antigo Testamento. A familia seria uma capelania em miniatura, e a piedade doméstica, para eles, revestia-se da máxima importância. O Pai celeste era considerado por eles como o chefe de todas as famílias. A combinação do Domingo-Sábado e o estilo de vida patriarcal, em familia, tiveram efeitos duradouros sobre os valores das sociedades inglesa e norte-americana, depois que o puritanismo foi transferido para as colônias inglesas da América do Norte.

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