DEUS NÃO COMPACTUA COM LÍDERES MUNDANOS

24/09/2013 11:40

Esta semana, lendo uma passagem bíblica eu fiquei intrigado. A passagem era 1 Samuel capítulo 16. Chamou-me a atenção os três primeiros versículos, que diz: “Então disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei. Porém disse Samuel: Como irei eu? pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então disse o Senhor: Toma uma bezerra das vacas em tuas mãos, e dize: Vim para sacrificar ao Senhor. E convidarás a Jessé ao sacrifício; e eu te farei saber o que hás de fazer, e ungir-me-ás a quem eu te disser.”

 

Salta-me a vista como Deus instrui a Samuel como ludibriar a Saul. Ele literalmente ensinou a Samuel como contar apenas uma “meia verdade”, não vou dizer mentir, pois a última vez que eu disse isso tive problemas, mas seja como for, vemos o Senhor mandando Samuel levar um bezerro e dizer que iria fazer algo que nada tinha a ver com o real propósito da ida deste à cidade de Belém.

 

Muitas vezes não conseguimos ver que muitas vezes os processos de insurreição, mas do que apoiados por Deus, são até mesmo por Ele iniciados e nenhum outro personagem mostra mais isso para nós do que Saul.

 

Apesar de muitos dizerem que Saul fora escolhido pelo povo, basta olharmos o capítulo nove, versos quinze a dezessete, que Deus mesmo quem o escolhera, mudando-o em um outro homem, (1 Sm 10.6). A própria unção, ministrada no capítulo dez versículo, um foi longe da multidão. Assim entendemos que Saul fora um escolhido e um ungido de Deus, sim, um rei que foi escolhido por Deus. Era tão humilde que inicialmente recusou-se a aceitar tal função e até mesmo chegou a esconder-se no meio da bagagem para fugir da posse. Ele mesmo não se ofendeu pelos que não levaram presentes em sua posse, e nem mesmo deixou que aqueles que lhe foram contrários fossem mortos. Ele fora um rei por meio do qual Deus dera grandes vitórias à Israel, tanto contra os amonitas quanto contra os filisteus. Resumindo, Saul fora um rei que tivera um início brilhante, grandioso, digno de um homem de Deus.

 

Mas com o tempo as coisas foram mudando. O coração simples se ensoberbeceu, a ponto de achar-se como autoridade suprema e que o título de rei, dava-lhe direito de agir por conta própria e que as leis divinas não eram para ele.

 

Logo vemos Ele ultrapassando os limites postos por Samuel, colocando a mão naquilo que não lhe era pertinente, sendo rebelde à voz do Senhor. Vemos inclusive fazendo votos tolos, inclusive num rompante de arrogância sendo tentado a praticar um crime terrível contra seu próprio filho, herói de guerra contra os filisteus. É triste quando vemos Saul perdendo a essência do que Deus lhe deu e tentando viver de aparência.

 

A Deus, não resta-lhe outra alternativa senão rejeitá-lo. Salta-nos a expressão usada por Samuel: “... deu ao teu próximo, que é melhor do que tu...” (1 Sm 15.28), e depois dizem que Deus não faz acepção de pessoas....

 

Como vemos aquele Saul, valente, agora encolhido diante do gigante filisteu! Como era difícil para Samuel entender que o mesmo Deus que ungira a Saul agora o rejeitava! Como aquele homem que servia a Deus agora faz com que o próprio Samuel o tema a ponto de dizer que Saul o mataria!

 

Nesse momento vemos o Senhor instruindo a Samuel como ludibriaria a Saul. Diferente da posição de Miriam e Arão que lutavam contra Deus, agora era o próprio Deus que tramava contra Saul!

 

O final desta história, todos conhecemos. Saul tentando matar o “novo ungido” de Deus, criando meios no mínimo duvidosos para tentar manter o poder. Ressalta-nos a sensibilidade do próprio Jônatas que enxergou a “transferência de unção” de Saul para Davi, abrindo mão inclusive da sucessão do trono, tendo de lutar não apenas contra o “ungido do Senhor”, mas também contra o seu próprio pai.

 

Como é triste enxergarmos a degradação da unção na vida de Saul: Louco, atormentado por demônios, tentando a todo custo manter-se no poder, achando que poderia lutar contra Deus! Como é triste vermos aquele que no silêncio de Deus busca orientação nos demônios! Como é triste vermos aquele que fora ungido rei, pedindo que alguém o matasse para que não caísse nas mãos de seus inimigos! Como é triste vermos o corpo do grande Jônatas no chão! Como é triste vermos Rispá enxontado as aves dos corpos dos da casa de Saul!

 

Assim, vemos que muitas vezes Deus levanta para funções de honra homens que logo se esquecem da sua dependência divina e acreditam que estes locais lhes foram dados para serem servidos e deles desfrutarem! Iludem-se a ponto de acharem-se páreos para frustrarem a vontade divina. Ledo engano! O mesmo Deus que levanta é o mesmo Deus que derruba! O mesmo Deus que cria, desfaz.

 

É preciso que nós, líderes, pastores, venhamos a perceber que precisamos de Deus não apenas para chegarmos lá, mas também para permanecermos lá. E que se para o bem da Sua obra ele precisar nos tirar, Ele mesmo o fará. Ele mesmo levantará um novo ungido, melhor do que nós, para que a obra dEle cresça sempre. Ele não permitirá que, nem mesmo aqueles que Ele mesmo escolheu, sejamos postos como pedra de tropeço para a Sua Igreja.

 

 

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