CUIDADO: DEUS CUIDA DOS SEUS UNGIDOS.

10/10/2013 08:36

“E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cusita, com quem casara; porquanto tinha casado com uma mulher cusita. E disseram: Porventura falou o SENHOR somente por Moisés? Não falou também por nós? E o SENHOR o ouviu. E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. E logo o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Vós três saí à tenda da congregação. E saíram eles três.

 

Então o SENHOR desceu na coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã e ambos saíram. E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele.

 

Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?

 

Assim a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se. E a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã ficou leprosa como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa. Por isso Arão disse a Moisés: Ai, senhor meu, não ponhas sobre nós este pecado, pois agimos loucamente, e temos pecado. Ora, não seja ela como um morto, que saindo do ventre de sua mãe, a metade da sua carne já esteja consumida. Clamou, pois, Moisés ao SENHOR, dizendo: O Deus, rogo-te que a cures. E disse o SENHOR a Moisés: Se seu pai cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? Esteja fechada sete dias fora do arraial, e depois a recolham. Assim Miriã esteve fechada fora do arraial sete dias, e o povo não partiu, até que recolheram a Miriã. Porém, depois o povo partiu de Hazerote; e acampou-se no deserto de Parã.”

 

Este texto tem uma alerta para a ovelha e um alento para o pastor. O alento está na certeza de que “Aquele que começou a boa obra a irá terminar”. E o alerta está para o fato de que não existe distância para os olhos e ouvidos divinos.

 

Enquanto que ouvimos algumas pessoas dizerem que não desejam ser pastor, muitas vezes em uma falsa modéstia, vemos que o Apóstolo Paulo diz que “Aquele que deseja o ebiscopado, excelente coisa deseja”. Ou seja, não existe nenhum problema em desejarmos sermos pastores. Aliás, é um sentimento que Paulo incentiva ao chamá-lo de “excelente”. Porém desejar é o máximo que podemos fazer, uma vez que quem escolhe os pastores é o próprio Cristo pois o mesmo Paulo diz: “Ele deu uns para … pastores ...”. Desta forma podemos desejar, porém nenhuma interferência humana, minha ou de quem quer que seja, irá influenciar nesse processo, pois ele é da alçada do próprio Cristo.

 

Sendo assim, pastores escolhidos por Cristo, recebemos dEle a autoridade para levarmos a cabo a tarefa que Ele nos deu. Logo não precisamos, como Saul, tentar defender nossa chamada, uma vez que Aquele que nos empossou, Ele mesmo irá conduzir-nos e guardar-nos. A luta para a manutenção de uma posição é sinal, como visto em Saul, de uma posição que já foi retirada por Deus e demonstra uma tentativa inútil de lutarmos contra a decisão divina, uma vez que o mesmo Deus que coloca é ele mesmo quem nos tira, uma vez que não guardamos de forma digna o nosso principado.

 

Porém, ao mantermos nossa posição e nosso foco na vontade de Deus, é mostrado neste texto que Ele mesmo zela por nós.

 

“E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cusita, com quem casara; porquanto tinha casado com uma mulher cusita. E disseram: Porventura falou o SENHOR somente por Moisés? Não falou também por nós? E o SENHOR o ouviu. E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. E logo o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Vós três saí à tenda da congregação. E saíram eles três.”

 

Neste momento, vemos um Moisés posto como mero expectador. Ele não tinha a menor ideia da conversa entre seus irmãos que, como muitos, acham que o fato de estarmos longe de nossos pastores, e de terceiros, podemos falar o que quisermos e darmos vazão aos desejos da carne e ao pecado. Não temeram, protegidos pela distância e o anonimato, em levantar a voz contra seu pastor. Porém, como diz o ditado popular, as paredes têm ouvidos. Neste caso, não as paredes, mas diz o texto que “o Senhor ouviu”. Deus ele sempre está com seus olhos e ouvidos sobre nós. Não é porque nossos pastores estão longe que não nos tornamos culpados por lhes atacarmos. E desta forma Deus ouve julga e age. Não foi Moisés quem procurou ao Senhor e sim o Senhor quem procurou a Moisés e convocou a reunião. Daí Moisés ficará calado e o próprio Deus irá dialogar com os motinados.

 

“Então o SENHOR desceu na coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã e ambos saíram. E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele.

Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?”

 

Aqui vemos que apesar de que “Deus não faz acepção de pessoas” porém isto é quanto à Salvação. Porém existem pessoas para quem Deus oferece distinções e honras, e uma delas é o pastor. Sim, Deus pode falar com todos os seus servos, porém com seus pastores Deus fala de forma diferente. Ele fala “cara a cara”. Enquanto muitas vezes para que a ovelha entenda, é necessário que Deus use de formas e artifícios para que ela o entenda, com o pastor, estes artifícios são deixados de lado e a didática muda pois Deus sabe quem Ele chamou a liderar. Com o pastor Deus não precisa de enigmas, antes ele fala claramente. Desta forma o entendimento da ovelha é completamente diferente do entendimento pastoral. O horizonte do pastor é mais amplo e isto faz com que suas atitudes sejam muitas vezes inteligíveis para a ovelha que não sendo mansa, não obedece e murmura. Numa falta de temor, não para com o pastor, mas para com Deus que guia o pastor.

 

“Assim a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se. E a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã ficou leprosa como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa.”

 

Ainda aqui, Moisés é expectador. A ira não foi de Moisés e sim de Deus. Fico imaginando o olhar estupefato de Moisés acompanhando a cena, sem que ele mesmo não sabia o porque, além daquilo que Deus revelava. Apenas via Deus julgando e pesando a mão sobre a ovelha rebelde. Mesmo assim imagino a dor no coração de Moisés ao ver a cena e a crise estabelecida entre o Deus que ele amava e as ovelhas que ele, igualmente, amava também. Vede que aqui existe um complicador pois a relação pastor ovelha estava estabelecida dentro da relação familiar. Isto com certeza aumentou ainda mais a dor de Moisés. Como é difícil enxergarmos o pastor no meu pai, no meu filho, no meu esposo, no meu irmão. Como é difícil separarmos as relações. Mas Deus não confunde. Se fosse Moisés, talvez ele conduziria a história de outra forma, porém Deus não estava ali como família e sim como Senhor. Ele não protegia o irmão Moisés e sim o pastor Moisés. Por isso ele pesou a mão sobre a ovelha rebelde.

 

“Por isso Arão disse a Moisés: Ai, senhor meu, não ponhas sobre nós este pecado, pois agimos loucamente, e temos pecado. Ora, não seja ela como um morto, que saindo do ventre de sua mãe, a metade da sua carne já esteja consumida. Clamou, pois, Moisés ao SENHOR, dizendo: O Deus, rogo-te que a cures. E disse o SENHOR a Moisés: Se seu pai cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? Esteja fechada sete dias fora do arraial, e depois a recolham.”

 

Precisamente aqui, Moisés deixa de ser expectador e passa a ocupar um lugar de importância na narrativa, quando a ovelha debaixo do juízo de Deus, ferida, desgarrada, vai até o pastor buscando nesse o entendimento, a compreensão, a misericórdia para que ele interceda por ela perante Deus.

 

Mas não foi contra esse mesmo Moisés que a pouco blasfemavam? Não era ele que não possuía qualificações para a posição que ocupava? Porque na crise, na dor correm agora para ele?

 

Por sua vez e Moisés? Como deveria tratar aqueles que se amotinaram e que se não fora a intervenção divina, talvez até minariam o seu ministério? Como resolver esse problema?

 

Mas como líder, a nossa obrigação para com a ovelha é separar, sarar, ligar, buscar, mesmo que ela esteja colhendo os frutos pelos seus próprios atos, atos estes que muitas vezes se dirigiam contra este que agora vai interceder a Deus pelo favor.

 

Sem medo de errar, Moisés, como todo pastor chamado por Deus estaria pronto para perdoar, para restaurar. Por isso que prontamente ele intercede a Deus. É o pastor que perde noites de sono clamando pela ovelha ferida esmagada pelo peso do juízo divino.

 

Mas quem pesara a mão não fora Moisés e sim o Senhor. O Senhor misericordioso precisaria então manifestar graça mas sem passar a ideia de impunidade. Desta forma Miriã ficaria ainda sete dias fora do arraial.

 

Veja que aquilo que ela fizera ás ocultas, Deus trouxe a luz perante todos. Perante Moisés e perante o povo que agora espera a restauração de Miriã para só então continuar a jornada.

 

Pra terminar, como é bom termos pastores, que mesmo imperfeitos aos nossos olhos, foram postos por Deus para cuidar-nos. Você já agradeceu a Deus pelo Moisés posto sobre a sua vida, ou como Miriã está às escondidas a murmurar contra o seu pastor? Cuidado!

 

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