As sete trombetas

21/09/2012 09:35

 

Este é um estudo sobre as sete trombetas do Apocalipse.

O Sétimo selo, 8.1-6

Do sétimo selo surgiram as sete trombetas. A reduplicação do número sete enfatiza a idéia de totalidade, segundo se pensa. Nos capítulos 6 até 11, dentro dos dois grupos de sete, há um esboço da luta e da vitória completa, final e eterna de Cristo sobre os reinos deste mundo, 11.15.

“As orações dos santos”, vv. 3 e 4. Deus vai atender aos clamores dos mártires, descritos em 6.9,10. A resposta vem na forma dos terríveis julgamentos das sete trombetas. Parece haver aqui uma indicação que a oração tem alguma influência perante Deus no moldar as diretrizes da história do mundo.

A meia hora de silêncio e os trovões, relâmpagos e terremoto, 8.1,5, podem indicar simbolicamente que acontecimentos momentosos estavam sendo preparados.

As quatro primeiras trombetas, 8.7-12

Parecem ser uma representação mais ampla dos “quatro ventos” da “ira do Cordeiro”, 6.16-7.3, contidos até que os servos de Deus fossem selados, e agora prontos para serem soltos.

Saraiva, fogo, sangue derramados sobre a terra.

Uma montanha em chamas lançada ao mar.

Uma estrela incendiada, caída sobre os rios.

Feridos o sol, a lua e as estrelas.

Os intérpretes preteristas vêem aqui uma anúncio de terríveis juízos prestes a cair sobre o Império Romano.

Os futuristas atribuem estas trombetas ao período da tribulação, e entendem que elas representam convulsões literais da natureza durante o reinado do anticristo.

Os intérpretes históricos, tendo perto de 2.000 anos de história ao seu dispor, têm opiniões divergentes sobre que eventos são simbolizados aí. Geralmente, se pensa que a referência é à queda do Império Romano com as investidas dos bárbaros do norte, no século 5o d.C. Durante 800 anos nenhum inimigo pisara o solo da Itália. Do ano 100 ao 200 d.C. o império atingira sua idade áurea. No século seguinte, de 200 a 300 d.C., começou a ruir com a guerra civil. Em ambos os séculos surgiu a Igreja. No 4o século, numa reviravolta dramática dentro do governo, o cristianismo foi adotado, e tornou-se a religião oficial do império. Neste mesmo 4o século, o poderoso Império Romano foi dividido, e passou a ser: O Império Romano Oriental e o império Romano Ocidental.

No 5o século ondas sucessivas de bárbaros do norte invadiram o império.

A primeira trombeta. A terra. Os godos, 409 d.C. caíram sobre a Itália com fúria, e iam deixando atrás de si cidades incendiadas, terras devastadas, ensanguentadas e desoladas.

A segunda trombeta, o mar, os vândalos, 422 d.C., investiram sobre a Gália e a Espanha e forma até a África; construíram uma armada e durante 30 anos deram combate à marinha romana que por 600 anos fora senhora do Mediterrâneo e a expulsaram do mar.

A terceira trombeta, os rios, O huno Átila, 440 d.C., vindo do centro da Ásia, apareceu às margens do Danúbio, à testa de 800.000 combatentes. Investindo para o oeste, defrontou-se com os exércitos romanos, derrotou-os em horrível chacina, sucessivamente no Rio Marne, no Ródano e no Pó de modo que as águas desses rios se tingiram de sangue. Carregado de despojos, voltou ao Danúbio. Quando morreu, o rio foi desviado do seu leito e, neste, sepultaram-no. Tornaram as águas e ainda hoje deslizam sobre o seu corpo. Foi de fato o flagelo dos “rios”.

A quarta trombeta, o sol e a lua e as estrelas. Odoacro, 476 d.C. à frente de outra horda de bárbaros, sitiou Roma. O poderoso Império Romano, que por uns seis a oito séculos dominara o mundo, entrou em decadência, a luz da civilização romana apagou-se, começando as eras trevosas do mundo.

A “terça parte”. O Império Romano caiu em três partes. A parte ocidental, tendo Roma como sua capital, e de longe a parte mais poderosa do império original, caiu em 476 d.C. As partes asiáticas e africanas, do império foram vencidas pelos maometanos no sétimo século d.C. O império ocidental, na Europa; separada da Roma desde 395 d.C., tendo Constantinopla como sua capital, caiu no poder dos maometanos em 1453 d.C.

A quinta trombeta - 9.1-11

Os gafanhotos demoníacos, soltos do abismo por uma estrela que caiu do céu. Tinham a configuração de cavalos de guerra. Seus rostos como de homens, cabelos de mulheres e dentes de leões. Couraças de ferro. Coroas parecendo ouro. As asas faziam um barulho como o de carros e cavalos quando correm à peleja. Tinham poder de ferroar como escorpiões. Contra o seu hábito instintivo, os gafanhotos foram proibidos de danificar as árvores, a erva ou qualquer coisa verde. Atormentaram os homens por cinco meses. Cinco meses era a temporada normal dos gafanhotos. Maio a setembro.

Este exército de monstros horríveis, com sua aparência complexa de gafanhotos, cavalos, escorpiões, leões e homens, surgiu no abismo, 9.1, 2, 11. Liderado por Abadom ou Apoliom, que seria o Diabo ou um dos seus anjos. Isto indica a origem infernal dos três “ais” que se seguiam. Satanás já tinha sido mencionado como o agente da Perseguição e de corrupção nas Igrejas de Esmirna, Pérgamo e Tiatira: é nomeado também como sendo o instigador das perseguições da Igreja feitas pelo império Romano. Os “ais” de advertência em 8.13 mostram quão terrível será esta.

intérprete preterista vê aí referência à ameaça dos partos contra o Império Romano.

futurista pensa que significa a infestação da terra, literalmente, pelos demônios, nos dias da tribulação.

Alguns intérpretes históricos vêem nisso uma predição do surto e propagação do maometismo através do mundo que fora cristão.

O Maometismo

No século 7 d.C. o maometismo inundou o mundo oriental como um macaréu, varrendo completamente o cristianismo no sudoeste da Ásia Menor e no norte de África, nos vales do Nilo e do Eufrates, nas praias orientais e sulinas do Mediterrâneo - todas as terras da história bíblica. Nestas terras a Bíblia teve a sua origem e desenvolvimento; nestas terras, a revelação que Deus fez de Si mesmo à humanidade foi sendo dada até ser completada; nestas terra, Deus formou e treinou a nação israelita durante dois mil anos, preparando o caminho para a vinda de Cristo; terras estas que são consagradas na memória humana como sendo o cenário da vida e da morte de Cristo, da Sua ressurreição e da Sua obra redentora da humanidade; terras estas que foram o berço do cristianismo, e que durante 600 anos permaneceram cristãs, o mundo cristão original. Nestas terras, por um grande golpe da espada maometana, o cristianismo foi obliterado e o maometismo foi estabelecido. E são terras maometanas desde então.

Durante 600 anos, o cristianismo. Agora, já há 1.300 anos, o maometismo, nestas terras. Há mais maometanos no mundo hoje do que cristãos protestantes.

Em Meca, Arábia, Maomé declarou-se Profeta de Deus, e, comandando seu exército, marchou para propagar sua religião pela espada. Logo se completou a conquista da Arábia. Os exércitos maometanos, sob suas sucessivas lideranças, avançaram à conquista. Em 634 d.C., a Síria foi conquistada, em 637, Jerusalém, em 638 O Egito, em 640 a Pérsia, em 689 a África do norte.

Tendo varrido o cristianismo da Ásia e da África, os maometanos avançaram para a Europa. A Espanha caiu em 711. Então se dirigiram para a França, onde, em Tour, o exército maometano foi desafiado e vencido por Charles Martel, avô de Carlos Magno, em 732 d.C. Esta foi uma das mais importantes batalhas da história universal. Não fosse aquela vitória, o cristianismo poderia ter sido exterminado da face da terra.

Eis aqui alguns fatos que favoreceram a interpretação que esta quinta trombeta pode ser uma profecia do surto do maometismo.

“Gafanhotos” - A Arábia, preeminentemente, era uma terra de gafanhotos; e foi lá que surgiu o maometismo.

aspecto dos gafanhotos: cavalos de guerra, caudas de escorpiões, coroas parecendo ouro, rostos como de homens, dentes como de leões, couraças de ferro, asas que faziam barulho como carros correndo à peleja.

Esta é uma boa discrição dos exércitos maometanos, com seus cavaleiros ferozes em implacáveis, famosos por suas barbas e cabelos compridos como cabelos de mulheres, tendo turbantes amarelos que pareciam de ouro, e vestindo cotas de ferro como armadura.

“Fumaça do poço do abismo...”. Os gafanhotos saíram do meio desta fumaça. Esta fumaça tinha escurecido o sol e o ar. A referência pode ser os ensinamentos falsos que tinham anuviado e corrompido a Igreja da época de Maomé, ao ponto de a igreja adorar imagens, relíquias e santos. Foi justamente a idolatria da igreja degenerada e apóstata que deu a Maomé sua oportunidade: foi a destruição da idolatria sua meta central.

“Foi-lhes dito que não causassem dano à erva... nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma...”. Os maometanos poupavam as árvores, a grama e toda a vegetação, pois Maomé assim ordenou. Para os que foram criados nos desertos da Arábia, as árvores e toda a vegetação foram consideradas grandes bênçãos.

“Atormentar durante cinco meses” - Cinco meses é o período normal da permanência dos gafanhotos, uma estação de uns 150 dias de maio até setembro. Pela interpretação profética que simboliza um ano por uma dia, isto seria 150 anos. Aproximadamente corresponderia ao período de 630 a 786, durante o qual o maometismo continuava seu esforço pela conquista do mundo. Com Harum al-Rachid, no auge do poder e da glória do maometismo, abandonaram a idéia da conquista e começaram a cultivar relações pacíficas com outras nações.

A sexta trombeta - 9.12-21

exército de 200 milhões de cavaleiros eufrateus. Couraças cor de fogo, jacinto e enxofre. Os cavalos tinham cabeças como de leões, e de suas bocas saíam fogo, fumaça e enxofre. Foram soltos para a hora, o dia, o mês e o ano  que parece significar o tempo exato que fora marcado; ou conforme a teoria dia-ano, 396 anos. Para o preterista, esta visão é uma figura das hordas dos partos pressionando as fronteiras orientais do império Romano, aguardando o regresso de Nero. Para o futurista é o exército do anticristo, auxiliado pela atividade supra-humana dos demônios. Para alguns intérpretes históricos refere-se aos turcos, que atravessaram o Eufrates, 1057 d.C., assenhorearam-se do mundo maometano e 396 anos mais tarde deram cabo do Império Romano oriental com a queda de Constantinopla, 1453 d.C., onde a artilharia com pólvora foi empregada pela primeira vez.

Os árabes dominaram o mundo maometano por 400 anos

Então os turcos tomaram a liderança, e têm controlado o movimento até tempos recentes. Esta trombeta parece indicar o maometismo turco.

Eufrates, donde surgiam os exércitos de cavaleiros simbolizados pela sexta trombeta. Em 1057, vastas hordas de turcos, vindas da Ásia central, apareceram nas ribanceiras do Eufrates. Ao marchar para o ocidente, tomaram o lugar dos árabes como governadores dos países maometanos.

Os turcos eram mais cruéis e intolerantes do que tinham sido os árabes. Seu tratamento bárbaro dos cristãos da Palestina provocou as Cruzadas de 1095 até 1272, quase três séculos de guerra ininterrupta no decurso da qual os cristãos da Europa procuravam conquistar a Terra Santa das mãos dos maometanos.

“Das bocas dos cavalos saía fogo, fumaça e enxofre”. O Império Romano Oriental com sua capital Constantinopla, tinha sido o baluarte europeu contra o maometismo durante oito séculos. Mas em 1453 caiu no poder dos turcos.

Foi na batalha de Constantinopla que se empregou pela primeira vez a artilharia com pólvora e isto deu a vitória aos turcos; era o fogo, a fumaça e o enxofre.

Então seguiu-se outra ameaça contra o cristianismo da Europa. Os turcos vitoriosos marcharam em direção à Europa central. Mas foram derrotados em Viena, por um exército polonês comandado por João Sobieski. Assim como na batalha de Tours, aqui também, numa segunda ocasião, quase mil anos mais tarde, a Europa foi salva dos maometanos.

“A hora, o dia, o mês e o ano”. Pode significar um tempo exato predeterminado. Ou pela interpretação profética do dia que simboliza um ano, a soma seria 365 mais 30 mais 1, ou seja 396 anos. Desde 1057 quando os turcos atravessaram o rio Eufrates até a queda de Constantinopla em 1453, conta-se um período de 396 anos.

“Foi morta a terça parte dos homens”. Pode haver aqui uma referência à queda do Império Romano oriental em 1453, a última “terça parte do império Romano que sobrara.

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