A Morte

21/09/2012 09:35

 

Jó19.25,26 “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.”

Todo ser humano, tanto crente quanto incrédulo, está sujeito à morte. A palavra “morte” tem, porém, mais de um sentido na Bíblia. É importante para o crente compreender os vários sentidos do termo morte.

A Morte como Resultado do Pecado

Gênesis 2—3 ensina que a morte penetrou no mundo por causa do pecado. Nossos primeiros pais foram criados capazes de viverem para sempre. Ao desobedecerem o mandamento de Deus, tornaram-se sujeitos à penalidade do pecado, que é a morte.

Adão e Eva ficaram agora sujeitos à morte física. Deus colocara a árvore da vida no jardim do Éden para que, ao comer continuamente dela, o ser humano nunca morresse (ver Gn 2.9 nota). Mas, depois de Adão e Eva comerem do fruto da árvore do bem e do mal, Deus pronunciou estas palavras: “és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19). Eles não morreram fisicamente no dia em que comeram, mas ficaram sujeitos à lei da morte como resultado da maldição divina.

Adão e Eva também morreram no sentido moral, Deus advertia Adão que se comesse do fruto proibido, ele certamente morreria (Gn 2.17). Adão e sua esposa não morreram fisicamente naquele dia, mas moralmente, sim, i.e., a sua natureza tornou-se pecaminosa. A partir de Adão e Eva, todos nasceram com uma natureza pecaminosa (Rm 8.5-8), i.e., uma tendência inata de seguir seu próprio caminho egoísta, alheio a Deus e ao próximo (ver Gn 3.6 nota; Rm 3.10-18 nota; Ef 2.3; Cl 2.13).

Adão e Eva também morreram espiritualmente quando desobedeceram a Deus, pois isso destruiu o relacionamento íntimo que tinham antes com Deus (ver Gn 3.6 nota). Já não anelavam caminhar e conversar com Deus no jardim; pelo contrário, esconderam-se da sua presença (Gn 3.8). A Bíblia também ensina que, à parte de Cristo, todos estão alienados de Deus e da vida nEle (Ef 4.17,18); i.e., estão espiritualmente mortos.

Finalmente, a morte, como resultado do pecado, importa em morte eterna. A vida eterna viria pela obediência de Adão e Eva (cf. Gn 3.22); ao invés disso, a lei da morte eterna entrou em operação. A morte eterna é a eterna condenação e separação de Deus como resultado da desobediência do homem para com Deus.

A única maneira de o ser humano escapar da morte em todos os seus aspectos é através de Jesus Cristo, que “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção” (2Tm 1.10). Ele, mediante a sua morte, reconciliou-nos com Deus, e, assim, desfez a separação e alienação espirituais resultantes do pecado (ver Gn 3.24 nota; 2Co 5.18 nota). Pela sua ressurreição Ele venceu e aboliu o poder de Satanás, do pecado e da morte física (ver Gn 3.15 nota; Rm 6.10 nota; cf. Rm 5.18,19; 1Co 15.12-28; 1Jo 3.8).

A Morte Física do Crente

Embora o crente em Cristo tenha a certeza da vida ressurreta, não deixará de experimentar a morte física. O crente, porém, encara a morte de modo diferente do incrédulo. Seguem-se algumas das verdades reveladas na Bíblia a respeito da morte do crente.

A morte, para os salvos, não é o fim da vida, mas um novo começo. Neste caso, ela não é um terror (1Co 15.55-57), mas um meio de transição para uma vida mais plena. Para o salvo, morrer é ser liberto das aflições deste mundo (2Co 4.17) e do corpo terreno, para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5.1-5). Paulo se refere à morte como sono (1Co 15.6,18,20; 1Ts 4.13-15), o que dá a entender que morrer é descansar do labor e das lutas terrenas (cf. Ap 14.13).

A Bíblia refere-se à morte do crente em termos consoladores. Por exemplo, ela afirma que a morte do santo “Preciosa é à vista do SENHOR” (Sl 116.15). É a entrada na paz (Is 57.1,2) e na glória (Sl 73.24); é ser levado pelos anjos “para o seio de Abraão” (Lc 16.22); é ir ao “Paraíso” (Lc 23.43); é ir à casa de nosso Pai, onde há “muitas moradas” (Jo 14.2); é uma partida bem-aventurada para estar “com Cristo” (Fp 1.23); é ir “habitar com o Senhor” (2Co 5.8); é um dormir em Cristo (1Co 15.18; cf. Jo 11.11; 1 Ts 4.13); “é ganho... ainda muito melhor” (Fp 1.21,23), é a ocasião de receber a “coroa da justiça” (ver 2Tm 4.8 nota).

Quanto ao estado dos salvos, entre sua morte e a ressurreição do corpo, as Escrituras ensinam o seguinte: (a) No momento da morte, o crente é conduzido à presença de Cristo (2Co 5.8; Fp 1.23). (b) Permanece em plena consciência (Lc 16.19-31) e desfruta de alegria diante da bondade e amor de Deus (cf. Ef 2.7). (c) O céu é como um lar, i.e., um maravilhoso lugar de repouso e segurança (Ap 6.11) e de convívio e comunhão com os santos (Jo 14.2 nota). (d) O viver no céu incluirá a adoração e o louvor a Deus (Sl 87; Ap 14.2,3; 15.3). (e) Os salvos nos céu, até o dia da ressurreição do corpo, não são espíritos incorpóreos e invisíveis, mas seres dotados de uma forma corpórea celestial temporária (Lc 9.30-32; 2Co 5.1-4). (f) No céu, os crentes conservam sua identidade individual (Mt 8.11; Lc 9.30-32). (g) Os crentes que passam para o céu continuam a almejar que os propósitos de Deus na terra se cumpram (Ap 6.9-11).

Embora o salvo tenha grande esperança e alegria ao morrer, os demais crentes que ficam não deixam de lamentar a morte de um ente querido. Quando Jacó faleceu, por exemplo, José lamentou profundamente a perda de seu pai. O que se deu com José ante a morte de seu pai é semelhante ao que acontece a todos os crentes, quando falece um seu ente querido (ver Gn 50.1 nota).

A Morte - O Estado intermediário

A morte é a separação da alma do corpo, pela qual o homem é introduzido no mundo invisível. Essa experiência descreve-se como: Dormir, Jo 11.11; Dt 31.16; Desfazer da casa terrestre deste tabernáculo, 2 Co 5.1; Deixar este tabernáculo, 2 Pe 1.4; Deus pedindo a alma, Lc 12.20; Seguir o caminho por onde não tornará, Jó 16.22; Ser congregado ao seu povo, Gn 49.33; Descer ao silêncio, Sl 115.17; Expiar, At 5.10; Tornar-se pó, Gn 3.19; Fugir como a sombra, Jó 14.2; Partir, Fl 1.23.

A morte é o primeiro efeito externo ou manifestação visível do pecado, e será o último efeito do pecado, do qual seremos salvos, Rm 5.12; 1 Co 15.26

No sacrifico de Cristo a morte é anulada como sentença condenatória e a vida é oferecida a todos. Entretanto, embora a morte física continue a manifestar-se, ela torna-se uma porta que conduz a vida para aqueles eu aceitam a Cristo.

A imortalidade é empregada com o sentido de não se estar sujeito à morte, e nas Escrituras é empregada em relação ao corpo e não a alma.

Os ímpios ao serem ressuscitados desfrutarão desta imortalidade? Não, sua inteira condição é de morte e separação de Deus.

A sua ressurreição não é para vida, mas para condenação, Jo 5.29.

A imortalidade é futura e refere-se aos nossos corpos mortais na ocasião da ressurreição, Rm 2.7; 1 Co 15.53,54. A vida eterna refere-se principalmente ao espírito do homem, e é uma possessão presente, pois este não é afetado com a morte do corpo.

Todos os cristãos, mortos ou vivos, já possuem a vida eterna, mas só na ressurreição ou arrebatamento é que alcançarão a imortalidade.

A Opinião das Escrituras

De acordo com as Escrituras nem o salvo receberá sua recompensa final, nem os ímpios o seu castigo final, enquanto não se realizarem as suas respectivas ressurreições.

Opiniões errôneas

O Purgatório: Não existe nas Escrituras evidências sobre a sua existência, ao contrário, existem muitas contra ela. Lc 16.22; 23.43; 2 Co 6.6,8. O Novo Testamento reconhece apenas duas classes de pessoas: as salvas e as não-salvas. O destino de cada classe determina-se agora, na vida presente, que é o único período probatório. Com a morte termina esse período probatório, seguindo-se o julgamento segundo as obras praticadas no corpo, Hb 9.27; 2 Co 5.10.

O Espiritismo: A Bíblia proíbe, expressamente, consultar tais “médiuns”: a própria proibição indica a presença do mal e o perigo de tal prática, Lv 19.31; 20.6,7; Is 8.19. Os mortos estão sob o controle de Deus, o Senhor da vida e da morte, e, por conseguinte, não podem estar sujeitos aos médiuns. Embora muitos fenômenos espíritas hajam sido provados fraudulentos, existe neles alguma realidade. Visto que os mortos não podem comunicar-se com os vivos, somos obrigados a concluir que as manifestações espíritas são resultado de forças estranhas psíquicas ou que as mensagens tem sua origem em espíritos mentirosos e sedutores, 1 Re 22.22; 1 Tm 4.1

O Sono da alma: Certos grupos, como os Adventistas, crêem que a alma permanecerá num estado inconsciente até a ressurreição. É verdade que a Bíblia descreve a morte como um sono, mas isso em razão de o crente, ao falecer, perder a consciência para com o mundo cheio de fadiga e sofrimento e acordar num reino e paz e felicidade.

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