A CASA DE DAVI

10/04/2014 09:47

 

Depois de algum tempo sem escrever nada novo, apenas fazendo releituras de antigos escritos, esta semana senti vontade de colocar no papel, novamente, alguns pensamentos. Neste primeiro contato, quero falar sobre a casa de Davi.

Chamou a minha atenção que ao ler os salmos, os escritos deste grande rei, não vi nada que ele mesmo falasse sobre a sua casa. Nenhuma oração, nenhuma canção, nenhum salmo. O que vemos são alguns relatos de terceiros que nos mostram falhas tremendas na condução familiar de Davi.

Logo no início, vemos a forma turbulenta como ele iniciou sua vida matrimonial com uma princesa que lhe fora oferecida como prêmio. A seguir, o número de suas esposas foram crescendo de forma que quando ele assumiu o reino, já possuía um harém, como era costume dos reis da época. Porém a posse de várias esposas, não lhe impediu de continuar acumulando-as inclusive com uso de intrigas e assassinatos.

Vemos ainda que dele mesmo é dito que não corrigia seus filhos como deveria. Talvez por ser um rei achava que fazer um filho feliz fosse permitir-lhes todos os desejos e caprichos. Talvez ele não quisesse filhos reprimidos, infelizes, recalcados. Afinal um bom pai seria aquele que nunca dissesse "não".

Quero focar na história de Davi, após o episódio envolvendo Betseba, a mulher de Urias.

O desespero pela perca da criança, oriunda do adultério mostra um Davi coerente que durante a doença, lutou pela vida do bebê, porém com a morte deste, aceitou o desígnio divino. Fica-nos a dúvida de que o desespero de Davi era pela enfermidade do filho ou pela consciência da sua responsabilidade direta pelo que ocorria.

Ainda no episódio envolvendo Amon, Tamar e Absalão, vemos o próprio Davi colhendo em seus filhos os frutos da sua sementeira. O texto mostra como Davi foi indolente com Amon e como foi fraco com Absalão, não castigando-o pelo assassinato de Amon. Talvez ainda desta vez ele tivesse em mente a sua responsabilidade sobre o desenrolar dos fatos. Responsabilidade esta tanto pelo castigo, ainda do episódio com Betseba, quanto pela indolência na educação dos filhos.

O relato da história desta família atinge seu ápice quando Absalão revolta-se contra o próprio pai, em uma afronta direta ao mesmo, inclusive com a posse das concubinas de Davi aos olhos do povo, deixando claro que a reconciliação tornara-se inviável.

Mais uma vez, vemos a fuga de Davi com a tentativa frustrada de não cobrar de Absalão seus atos errôneos. Mais uma vez, com a morte de Absalão, Davi chora. Porém um choro diferente do que ocorrera quando da morte do primeiro filho de Betsaba.

Antes Davi o choro de Davi cessara com a morte da criança. Agora ele chorava amargamente pela morte do seu filho. Talvez porque se no primeiro caso ele tinha a certeza de que a separação seria apenas momentânea, pois ele mesmo "iria ao encontro dela", agora com Absalão a separação seria eterna pois este iria para um destino totalmente diferente do de Davi. Mas também, certamente, a sombra da mão de Deus ainda era uma realidade na mente do rei.

Infelizmente os problemas desta casa continuam mesmo após a morte de Davi, com a briga pelo trono, entre Salomão e Adonias, colocando seus filhos, novamente, em rota de colisão.

Ressalta, mais uma vez, a declaração de que Davi nunca confrontara Adonias por suas ações. Davi nunca aprendeu o papel de ser pai.

Nesta triste história, digna de um épico grego, mostra como os maus atos dos pais influenciam o destino de seus filhos. Mostra ainda como ao negligenciar a educação destes também se compromete o futuro deles. Vemos que nenhum sucesso na vida vale o fracasso familiar. Vemos que o maior patrimônio que podemos passar aos nossos filhos é a educação.

Quando falo em educação, não falo do conhecimento da escola, mas da educação ética e moral. Daquela que é responsabilidade única dos pais e não da escola, igreja, sociedade ou qualquer outro meio.

Fica claro que muitos pais perdem o foco do que é criar bem seus filhos e por isso vou lembra-los: Sucesso na criação dos filhos não é dar-lhes tudo que desejam, nem faze-los mestres e doutores. Sucesso com os filhos é fazê-los cidadãos de bem. Pessoas úteis à sociedade e a igreja. A Alemanha nazista mostra que escola não basta pois vemos ali portadores dos melhores diplomas das melhores faculdades de sua época, contudo sendo os maiores monstros que a humanidade produziu.

Pai, mãe, não negligencie o seu papel com seus filhos. Orar é bom e importante, mas não exime as responsabilidades do criar. Também cuidado com os olhos que acompanham os seus passos, as suas atitudes. Nada que você fizer ficará encoberto. E de todo passo errado, as primeiras vítimas serão os de sua própria casa.

 

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