A BÍBLIA RELATA FATOS HISTÓRICOS?

19/09/2012 12:47

 

O cristianismo é uma religião diferente de todas as demais, pois está ancorado firmemente na história. Jesus foi um personagem histórico e sua morte e ressurreição, conforme acreditamos, são fatos históricos. Nenhuma outra religião é assim. Por isto, existem tantos estudos históricos que se referem aos relatos contidos na Bíblia e buscam provar ou refutar a historicidade desses relatos.

Seguir uma religião ancorada na história, por um lado, dá grande segurança, pois existe uma base sólida para a fé professada. Mas, tem um lado ruim também, que é o contínuo questionamento da realidade histórica (historicidade) dos fatos relatados. Isto acaba desviando as pessoas do estudo da doutrina em si, para focar em minúcias técnicas, sobre se esse ou aquele fato é suportado ou não pela arqueologia.

Nós cristãos temos que enfrentar a questão da historicidade sem medo, pois nosso caso pela realidade histórica dos fatos relatados na Bíblia é muito sólido. Mas, não podemos fazer disso a nossa maior preocupação.

Mesmo assim, vejamos alguns aspectos desse debate, concentrando a discussão sobre Jesus e a realidade dos relatos feitos sobre Ele feitos nos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João):

O conceito de verdade

Em qualquer relato histórico existe sempre a questão da “verdade” – o que verdadeiramente aconteceu. Essa “verdade” deve ser buscada em documentos e registros históricos (como os arqueológicos) e essa busca não deve ser diferente para os fatos narrados na Bíblia do que, por exemplo, para o relato do descobrimento do Brasil.

Encontrar a “verdade” num contexto histórico nunca é um exercício que se pode fazer de forma totalmente objetiva. O estudioso do assunto sempre leva para o trabalho seus preconceitos, cultura e convicções íntimas. Estudiosos sérios e bem intencionados, mas com outra crença que não a cristã, já partem do princípio que os textos dos Evangelhos procuram fazer a apologia de Jesus e, portanto, foram cuidadosamente construídos sem ter como prioridade relatar os fatos como “verdadeiramente” ocorreram.

Já para mim, que tenho formação cristã, os quatro Evangelhos são absolutamente confiáveis e acho perfeitamente válido basear um estudo histórico no que eles relatam. Encontro até argumentos fortes para isto: por exemplo, os relatos nos dizem que as primeiras pessoas a ver Jesus ressuscitado foram algumas mulheres. Ora, naquela época, as mulheres não eram consideradas confiáveis como testemunhas. Portanto, se os relatos as incluem foi por que os fatos foram assim, pois se os autores quisessem “moldar” a realidade, para melhorar as coisas, teriam incluído outras testemunhas nos seus textos.

Há muitos e sólidos argumentos a favor da historicidade dos relatos contidos nos Evangelhos, apresentados por pessoas muito competentes - bem mais do que eu. Se o leitor estiver interessado neles, escreva e terei prazer de indicar alguns textos.

Limitação da documentação histórica existente

A documentação histórica sobre fatos ocorridos cerca de 2000 anos atrás é obviamente escassa. A maior parte do que sabemos está nos Evangelhos. É claro que há citações sobre Jesus fora dos Evangelhos, como nos textos do escritor judeu Josefo e somente isto comprova que Jesus existiu de fato.

Mas não há dúvida que há pouco material sobre Jesus fora dos Evangelhos. E seria de estranhar se houvesse um farto material. Isso porque Jesus, na época em que viveu, era considerado um obscuro rabino da Galiléia, que morreu crucificado e tinha poucos seguidores. Naquela época, o cristianismo não tinha a menor importância. Ora os relatos feitos pelos historiadores da época se limitavam aos fatos ocorridos com reis e rainhas, grandes generais ou nas guerras que eram travadas a toda hora. Logo, seria suspeito encontrar grandes relatos feitos naquela época a respeito de Jesus, exceto os feitos pelos seus seguidores diretos (no caso os Evangelhos). Se esses relatos ditos “independentes” existissem, aí sim seria fácil provar que se tratava de fraude (documentos escritos posteriormente para parecer que eram daquela época).

Portanto, a limitação da documentação é esperada. Mas, isto não vale para Jesus somente, mas para a maioria dos personagens da história que viveram na mesma época e não foram figuras consideradas importantes por seus contemporâneos.

Limitação dos relatos

Qualquer construção histórica, por mais bem intencionada que seja, obrigatoriamente não pode conter todos os fatos que aconteceram, pois seria simplesmente impossível relatar tudo. E não foi diferente com os Evangelhos, ao relatarem a vida de Jesus. Por exemplo, apenas dois deles, Mateus e Lucas, relatam o nascimento de Jesus e nenhum relata a adolescência Dele. A razão dessa limitação é óbvia: o objetivo dos textos não era ser uma biografia, como entendemos isso hoje, e sim um relato dos principais aspectos do ministério de Jesus, para que as pessoas o aceitassem como Messias. E a limitação do tamanho dos textos era uma necessidade, pois o material escrito, naquela época, era muito caro.

Logo o perfil histórico que possuímos de Jesus não é completo, pois não sabemos que comidas ele preferia, quem foram seus amigos de infância, como se relacionava com seus irmãos, se falava bem o grego, e por aí vai. Mas, isto não quer dizer que aquilo que temos registrado nos Evangelhos é falso, muito pelo contrário. As informações são sim incompletas, mas todas elas verdadeiras. E são mais do que suficientes para indicar quem foi Jesus e o que Ele nos ensinou e espera de nós.

Conclusão

A historicidade dos fatos precisa levar em conta os preconceitos do estudioso que se debruça sobre o material existente, o objetivo que os autores dos textos disponíveis tiveram ao produzi-los (que determina o que entra ou não no relato final) e a escassez desses materiais. Não há como fugir disto.

Mas, o fato é que nenhum texto foi tão analisado como a Bíblia. Ela foi verificada de todos os lados e continua a resistir a todo esse escrutínio. Somente isto já é uma garantia de que temos um texto sólido. E os estudiosos que não são cristãos, ao revirarem os textos bíblicos, acabaram nos prestando um grande favor, o que não foi certamente a intenção deles (muito pelo contrário), pois acabaram atestando a credibilidade da Bíblia.

Pode confiar nos relatos que você tem em mãos na Bíblia e nunca se acanhe de usá-lo para seus estudos e debates, mesmo com aqueles que não sigam a fé cristã. Eu estudo esse assunto há mais de 20 anos e já li todo tipo de análise – a favor e contra – e cada vez tenho certeza maior quanto à veracidade da Bíblia.

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